P.O.V. Samantha
Fiquei sem reação, sem saber o que dizer. O silêncio entre nós era quase insuportável, e eu podia sentir o olhar pesado de Derek sobre mim, cheio de mágoa e incredulidade.
— Desculpa, Derek... eu não sabia como te contar isso. — murmurei, tentando manter a voz firme, mas ela falhou no final.
— Talvez dizendo: "Derek, matei alguém e me tornei uma alfa"? — ele respondeu com ironia e raiva contida.
Aquela frase me atingiu como um soco. Eu senti meu peito apertar e o calor subir até os olhos. Como ele podia pensar que eu seria capaz de algo tão cruel?
— Eu não acredito que você acha que eu faria isso — falei, com a voz embargada, enquanto as lágrimas ameaçavam cair.
Por um instante, o olhar dele suavizou. Derek se aproximou e me puxou para um abraço. Senti o cheiro familiar dele, a segurança que aquele toque sempre me trouxe. Fiquei quieta, apenas deixando o coração desacelerar.
— Pode me contar como foi? — ele perguntou com cuidado, como se tivesse medo da resposta.
Respirei fundo.
— Foi na noite em que minha mãe morreu. Eu lutei com o assassino dela e consegui assustá-lo. Ele caiu do terraço... só que, naquele momento, eu não percebi que meus olhos tinham mudado. Quando ela olhou pra mim, percebeu — minhas lágrimas começaram a cair. — Ela sorriu e disse que eu tinha conseguido.
Derek me abraçou ainda mais forte. Permanecemos em silêncio por alguns minutos, apenas respirando o mesmo ar, tentando esquecer o caos que era nossa vida.
Mas minha mente não conseguia parar. Eu estava feliz por estar com ele novamente, mas preocupada. Eu sabia do que Daniel era capaz. Tinha que proteger Jeremih — e agora, não apenas dele, mas também da Kate. Estava tão perdida nos meus pensamentos que nem percebi quando Peter e Cora entraram.
A expressão de Peter foi impagável. Ele abriu a boca, formando um "O" perfeito, e eu acabei rindo, mesmo sem querer.
— Sério, Peter? Você tá com uma cara de quem acabou de ver um fantasma. — provoquei, limpando as lágrimas.
Peter olhou para Derek, que manteve o rosto sério, e Cora, percebendo o clima, resolveu intervir.
— Queremos saber como você conheceu o Daniel. — disse ela, cruzando os braços.
— E se ele pode tentar nos matar. — completou Derek, em tom grave.
Suspirei, sentando na beirada da mesa.
— Em Nova Orleans... há dois anos.
Peter arqueou uma sobrancelha. — Dois anos atrás, em Nova Orleans, uma família de lobos foi assassinada, não foi?
O silêncio caiu sobre a sala. Todos olharam para ele e, em seguida, para mim.
— Ele é um... — Peter começou, mas eu o interrompi.
— Argent? Sim, ele é. — respondi, sem rodeios.
Derek pareceu perder o chão. — E por que você está me contando isso só agora?!
A voz dele estava carregada de raiva, mas eu não me deixei intimidar.
— Vocês queriam saber a história, então vou contar. — disse, respirando fundo.
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Flashback on
Cheguei a Nova Orleans sozinha. Meu irmão tinha se recusado a vir, então decidi começar aquela nova fase por conta própria. Era época de festa — as ruas estavam cheias de luzes, música e risadas. Eu me sentia viva de novo.
Mas, no meio da multidão, algo chamou minha atenção. Um homem moreno, de olhos verdes intensos, me observava com um sorriso discreto. Havia algo hipnótico nele.
— Oi, tudo bem? — perguntei, me aproximando.
— Tudo. Você é nova por aqui, né? — respondeu ele, a voz rouca e confiante.
— Sim. Qual o seu nome? —
— Daniel. Daniel Argent.
Na hora, o sobrenome não me causou alarme. Apenas sorri e disse:
— Samantha Salvatore.
Cinco dias depois, já estávamos próximos demais. Ríamos juntos, dividíamos segredos, e, quando percebi, estávamos namorando. Mas havia algo nele... algo que não me deixava em paz.
Um mês depois, uma notícia se espalhou: uma família inteira havia sido assassinada. Lobisomens. E as peças começaram a se encaixar.
Passei noites investigando, juntando fragmentos até que todas as pistas levavam ao mesmo nome: Daniel Argent.
Cada vez que eu o confrontava, ele desconversava. As discussões se tornaram frequentes, e o amor virou desconfiança. Um mês depois, eu decidi que era o fim.
— Daniel, não dá mais. Acho melhor a gente terminar. —
— Sam, por favor, vamos conversar. Não podemos terminar assim. — ele implorou, segurando minha mão.
— Já terminamos. Eu estou indo embora hoje. Adeus, Daniel. — falei, virando as costas.
Voltei para a Virgínia e comecei a cuidar do Jeremih. Desde então, nunca mais ouvi falar dele... até agora.
Flashback off
Todos me olhavam como se eu tivesse contado a história mais absurda do mundo. Derek mantinha o olhar fixo em mim — misto de raiva, ciúme e preocupação.
— Então foi assim minha história com o Daniel. — finalizei, tentando manter a compostura.
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P.O.V. Daniel
Fazia anos que eu não pisava ali, mas ela pediu para eu vir, e eu vim. Peguei o celular e enviei uma mensagem rápida:
"Já estou chegando."
A resposta veio em segundos.
Esperei alguns minutos, e então ela apareceu. Sorrindo. Linda como sempre.
— Já estava indo embora. — disse eu, cruzando os braços.
Ela sorriu de canto, com aquele olhar enigmático que sempre me deixava sem chão.
— Que bom que não foi, Daniel. — respondeu, e naquele instante, percebi que nada entre nós havia terminado de verdade.
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o despertar (Editado)
WerewolfSamantha Salvatore, uma jovem loba de 20 anos, retorna à sua cidade natal depois de anos afastada. Lá, ela reencontra seu antigo namorado, Derek Hale, e os sentimentos que pensava ter superado começam a ressurgir. Mas sua vida vira de cabeça para ba...
