reencontro

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P.O.V. Samantha

A raiva fervia dentro de mim. Como eu não percebi que meu irmão estava com problemas? Como deixei tudo passar despercebido? A culpa pesava no peito, mas eu sabia que ficar trancada pensando não resolveria nada. Eu precisava fazer alguma coisa — e, por mais que doesse admitir, a única pessoa em quem eu realmente confiava para me ajudar era Derek.

Podíamos não estar mais juntos, mas ainda havia algo entre nós — uma ligação que o tempo, por mais cruel que fosse, não conseguiu apagar. Além disso, tínhamos assuntos pendentes... muitos.

Respirei fundo, prendi o cabelo e fui até o loft dele. O prédio estava silencioso, como sempre. Quando bati na porta, ele demorou alguns segundos para abrir. Quando finalmente o fez, parecia... surpreso. O olhar dele percorreu meu rosto como se quisesse se certificar de que eu realmente estava ali.

— Não vai me convidar pra entrar? — perguntei, cruzando os braços.

Ele piscou, como se acordasse de um transe, e deu um passo para o lado.
— Entra, Sammy.

O apelido me acertou como um soco. Há quanto tempo eu não ouvia ele me chamar assim? Fingi que não me afetava, passei por ele e sentei no sofá. Por um instante, só fiquei ali, tentando reunir coragem.

— Preciso da sua ajuda — soltei, por fim.

Derek me olhou com uma mistura de surpresa e preocupação.
— Pra você me pedir ajuda, é porque a coisa tá séria.

Fechei os olhos, sentindo o peso das últimas horas. As palavras da Lydia ecoavam na minha cabeça — o nome Daniel, o aviso, a sensação de perigo iminente.

— Você nem imagina, Deks — murmurei.

Ele riu de leve, tentando aliviar o clima.
— Pode falar, tô ouvindo.

Então comecei a desabafar, como antigamente. Falei sobre meu irmão, sobre Daniel e o que Lydia tinha sentido. Enquanto eu falava, percebi o semblante de Derek mudar — a tranquilidade sumindo, o maxilar travando, o olhar ficando mais escuro.

— Acho que sei com quem ele vai se juntar — disse ele, baixo, como se tivesse medo de dar força às próprias palavras.

— Com quem? — perguntei, o coração disparando.

Ele hesitou antes de responder:
— Com a Katerina.

O nome dela fez meu corpo enrijecer. Katerina. O passado dele, a sombra que eu preferia fingir que não existia. Engoli em seco e me levantei.

— Derek, eu tenho que ir — falei, tentando disfarçar o desconforto.

Ele se aproximou e segurou meu braço.
— Não terminamos ainda, Sammy. Temos que conversar.

— Já conversamos demais. — tentei me soltar, mas ele me puxou com firmeza.

Antes que eu pudesse reagir, ele me beijou. E, por mais que minha mente gritasse para parar, meu corpo simplesmente... cedeu. O gosto, o toque, o calor familiar — tudo veio à tona como uma onda impossível de conter.

Em segundos, estávamos nos entregando um ao outro como antes, com a mesma intensidade, o mesmo desejo reprimido. Esqueci do mundo, dos problemas, do tempo. Só existíamos nós.

Quando acordei na manhã seguinte, ainda estava na cama dele. O sol entrava pelas cortinas, dourando a pele de Derek, que dormia tranquilo ao meu lado. Fiquei observando por alguns segundos, sem saber ao certo o que sentia — confusão, carinho, culpa, tudo misturado.

Levantei devagar e fui pegar um copo d'água. O relógio marcava quase meio-dia, e meu coração disparou. Jeremih. Eu tinha esquecido completamente.

Peguei o celular e liguei para Lydia. Ela atendeu no segundo toque, irritada.

— Agora você lembra que tem um irmão, Samantha?! Você sumiu! Eu nem sabia onde estava, e nem sinal de vida! Quer me matar, garota?!

Comecei a rir, o que só a deixou mais furiosa.
— Pode rir, vai! Da próxima vez deixo seu irmão se virar sozinho pra achar a casa nova!

Antes que eu respondesse, senti os braços de Derek me envolvendo por trás. O toque dele fez minha pele arrepiar e um sorriso escapou sem que eu quisesse. Por um instante, esqueci completamente o que Lydia estava dizendo.

— Eu sei que você me ama, Lyd — falei, rindo. — Nunca deixaria meu irmão se virar sozinho.

Do outro lado da linha, ouvi um suspiro impaciente.
— Eles acabaram de chegar. Discutimos depois.

— Combinado — respondi, ainda rindo, e desliguei.

Quando me virei, Derek estava me observando. Ficamos em silêncio por alguns segundos, só nos olhando, até que ele riu e se aproximou.

— Vamos ficar nos encarando até quando? — perguntei.

Ele encostou a testa na minha e me deu um selinho leve.
— O que vai ser agora, hein? Vai me aceitar de volta na sua vida?

Sorri, encostando a mão no peito dele.
— Você nunca saiu dela, Deks.

Nos beijamos de novo e voltamos para a cama. O tempo pareceu parar ali, no calor do quarto, entre risos e lembranças.

Mais tarde, levantei para tomar banho. A água quente me relaxou, mas também me deixou vulnerável. Quando saí, olhei no espelho — e foi ali que aconteceu. Senti a energia percorrer meu corpo, a pulsação acelerada, e antes que pudesse conter, meus olhos ficaram vermelhos.

Foi nesse exato momento que Derek entrou no quarto. Ele congelou na porta, o olhar fixo em mim, entre espanto e medo.

— Você... — ele murmurou, a voz rouca. — Você é uma alpha?

E ali, entre o som da respiração dele e o meu coração disparado, percebi que nada mais poderia ser escondido.

o despertar (Editado)Onde histórias criam vida. Descubra agora