P.O.V. Samantha
Algo na história do Jeremih não fazia sentido, principalmente a parte envolvendo o Daniel. A forma como ele apareceu no meio de tudo me deixava inquieta. Conhecendo o Daniel, nada era coincidência. Ele sempre tinha um motivo, um plano, algo escondido por trás de cada gesto. E se ele voltou para Beacon Hills, havia uma razão perigosa por trás disso.
Estava tentando juntar as peças quando o som do meu celular me tirou dos pensamentos. Olhei o visor e, involuntariamente, um sorriso escapou dos meus lábios.
Ligação on
— Oi, algum problema? — perguntei, tentando parecer calma.
— Nenhum, só queria saber como foi a conversa com o Jeremih. — a voz dele soou firme, mas suave.
— Normal... ele me explicou o que aconteceu. Mas estou quase certa de que o Daniel está envolvido nisso de alguma forma. — respondi, já sentindo a irritação crescer só de dizer aquele nome.
— Só toma cuidado, tá? Não quero te perder de novo. — ele disse, com uma preocupação genuína que aqueceu meu peito.
— rsrsrs... Não vai me perder de novo, Hale. — brinquei, tentando quebrar o clima tenso.
— Assim espero. Beijos.
— Beijos.
Ligação off
Fiquei parada por alguns segundos, encarando o celular na minha mão. O Derek sempre tinha esse efeito sobre mim — conseguia me fazer sentir segura mesmo quando tudo ao redor parecia prestes a desmoronar. Mas agora não era hora de me distrair. Precisava entender o que o Daniel queria e por que estava mexendo com o Jeremih.
Saí do quarto, mas não encontrei meu irmão. As roupas dele tinham sumido do sofá, o que significava que provavelmente tinha saído sem me avisar. Suspirei frustrada. Se ele estivesse com o Daniel, isso podia se complicar ainda mais. Peguei as chaves e decidi procurar ajuda.
O primeiro nome que me veio à mente foi Scott. Se alguém entenderia o que estava acontecendo — e teria meios de me ajudar — seria ele.
Cheguei à casa dele em poucos minutos, dirigindo rápido demais, o motor rugindo na estrada silenciosa. Toquei a buzina e logo ouvi passos vindo da casa. A porta se abriu, revelando Allison com um sorriso acolhedor.
— Oi, Alli! Tudo bom? — perguntei, tentando esconder minha tensão.
— Tudo sim. O Scott tá te esperando, pode entrar. — ela respondeu, abrindo espaço.
Agradeci e entrei. A casa tinha o mesmo cheiro familiar de sempre — aconchegante, com um leve toque de café e madeira. Caminhei até a sala e o vi me esperando, de braços cruzados, expressão séria.
— Oi, Sam. Como você tá? — perguntou.
— Tô bem, Scott. Mas temos um problema. — respondi direto.
Ele franziu a testa, já em alerta.
— O que foi, Sam?
Respirei fundo antes de falar.
— A chegada do Daniel aqui não vai ser boa. Tenho certeza absoluta disso.
— Você acha mesmo que ele vai fazer algo? — a voz dele soava mais preocupada do que incrédula.
— Eu não acho, Scott. Eu sei. — falei com convicção, lembrando de tudo o que conhecia sobre o Daniel. — Ele nunca aparece sem motivo.
O silêncio se instalou por um instante. O olhar de Scott se endureceu, como se tentasse prever os próximos passos do inimigo.
— Então precisamos agir.
Antes que ele continuasse, ergui a mão, interrompendo-o.
— Eu tenho um plano, mas vou precisar da sua ajuda. E da sua matilha também.
Ele assentiu, firme.
— Você sabe que pode contar comigo.
Senti um alívio temporário, mas no fundo, algo me dizia que o que estava por vir seria pior do que imaginávamos.
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P.O.V. Katerina
Convencer Mikael não seria fácil — eu sabia disso desde o começo. Ele não era do tipo que fazia alianças, muito menos com alguém como eu. Mas, como todo homem ambicioso, ele tinha um ponto fraco. E eu sabia exatamente como explorá-lo.
O velho caçador me observava com desconfiança enquanto servia um copo de uísque.
— Estamos de acordo, Mikael? — perguntei, cruzando as pernas e mantendo o olhar fixo no dele.
Ele sorriu, aquele sorriso frio que me dava arrepios.
— Sempre, Katerina. — respondeu, erguendo o copo em um brinde silencioso.
Sabia que aquilo não era um "sim" de confiança. Era um acordo temporário, selado por interesses mútuos. Mas, por ora, era o suficiente.
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P.O.V. Jeremih
As palavras da Sam não saíam da minha cabeça. Algo estava errado, e ela estava escondendo de mim. Desde que cheguei em Beacon Hills, percebo que todos sabem de algo que eu não sei. E o pior é que isso tem a ver com o Daniel.
Ela sempre muda de assunto quando ele aparece na conversa. Sempre foge, como se o nome dele fosse um gatilho. Eu só quero entender o que esse cara fez.
— O que será que a Sammy está me escondendo? — murmurei, encarando meu reflexo no retrovisor enquanto dirigia. — Por que ela não quer falar o que o Daniel fez com ela?
A raiva e a curiosidade se misturavam dentro de mim. Eram perguntas demais e nenhuma resposta. E, antes que percebesse, já estava parado diante do hotel onde sabia que o Daniel estava hospedado.
Olhei para a fachada imponente e respirei fundo.
— Já que a Sammy não quer me contar... eu vou descobrir sozinho. — disse, saindo do carro e caminhando em direção à entrada, sem saber que cada passo me levava mais perto do perigo.
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o despertar (Editado)
WerewolfSamantha Salvatore, uma jovem loba de 20 anos, retorna à sua cidade natal depois de anos afastada. Lá, ela reencontra seu antigo namorado, Derek Hale, e os sentimentos que pensava ter superado começam a ressurgir. Mas sua vida vira de cabeça para ba...
