alianças

1K 38 0
                                        

P.O.V. Katerina

Sempre odiei aquela cidade. As ruas pareciam impregnadas de memórias que eu preferia esquecer, cheias de rostos e nomes que me traziam raiva — mas nenhum tanto quanto o dela. Samantha. A perfeita, intocável, querida por todos. Se ela nunca tivesse aparecido, Derek ainda estaria ao meu lado. Era ele quem devia estar comigo, não com ela.

O som do celular vibrou na mesa, tirando-me dos meus pensamentos. Era uma mensagem do Daniel. O nome dele iluminando a tela sempre trazia uma sensação estranha — uma mistura de poder e perigo. Peguei o casaco e saí sem pensar duas vezes.

Quando cheguei ao ponto de encontro, ele já estava lá, como sempre elegante e com aquele sorriso irônico no rosto.

— Kate! Minha querida irmã. — disse ele, abrindo os braços.

Revirei os olhos.
— Sem bajulação, Dan. Nós dois sabemos que isso não cola comigo.

Ele riu, aquele riso provocante que sempre me irritava.
— Sempre simpática, né, irmanzinha?

— Haha... — respondi com sarcasmo. — Conseguiu convencer o Mikael a atacar a matilha do Scott?

Aquele era o ponto crucial do nosso plano. Estávamos organizando esse ataque há semanas, esperando o momento exato. Só precisávamos do Mikael — o velho caçador que odiava os lobos mais do que qualquer um.

Daniel passou a mão pelos cabelos e deu um meio sorriso.
— Ele disse que só faria a aliança com você.

Cruzei os braços e o encarei.
— É assim que ele quer? Então é assim que vai ser.

Sabia o que isso significava. Se Mikael queria negociar comigo, era porque queria algo em troca. E, pelo brilho nos olhos de Daniel, eu já tinha uma ideia do que era: sangue.

P.O.V. Jeremih

Quando fui expulso, achei que a Sam fosse me matar. Ela estava furiosa, e com razão. Eu também estava confuso — a verdade é que nem eu sabia direito o que tinha acontecido.

Ela entrou no quarto como uma tempestade, batendo a porta atrás de si.
— Diz logo, Jer! O que aconteceu? — perguntou, o olhar dela era duro, frio, como se tentasse me arrancar a verdade à força.

Suspirei, tentando organizar meus pensamentos.
— Eu não sei, Sam... No dia, eu me atrasei, e o Daniel me ofereceu uma carona. Quando cheguei, o namorado da Carrie estava brigando com ela, e eu tentei intervir. O diretor apareceu bem na hora e me expulsou, sem nem querer ouvir.

Ela franziu o cenho, cruzando os braços.
— E por que não me ligou assim que ele te expulsou? Eu podia ter falado com ele, resolvido isso.

— O Daniel tentou. Mas o diretor nem quis ouvir, e acabou me expulsando de qualquer jeito. — respondi.

Ela riu de forma seca, sem humor.
— Ah, claro. Tenho certeza que ele tentou. — disse, com ironia evidente na voz.

Fiquei olhando pra ela, sem entender. Por que aquele nome a deixava tão desconfortável? Era quase como se o simples som dele a fizesse perder o controle.

— Sam... o que realmente aconteceu pra você odiar tanto o Daniel? — perguntei, com cautela.

Ela desviou o olhar, os olhos ficando sombrios.
— Só... não confie nele, Jer. — disse em um tom firme, quase como uma ordem.

Havia algo na voz dela que me fez gelar. Mesmo curioso, decidi não insistir.
— Ok, Sammy. — murmurei.

Ela apenas me lançou um último olhar e saiu, fechando a porta atrás de si.

Fiquei ali, em silêncio, com a cabeça cheia de perguntas. Eu confiava na Sam, mas a cada dia parecia que havia algo muito maior acontecendo — algo que envolvia Daniel, e que ela estava desesperada para esconder.

o despertar (Editado)Onde histórias criam vida. Descubra agora