a festa

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Pov: Samantha

Terminei de me arrumar antes da Lydia, o que era quase um milagre. Escolhi um vestido preto curto, simples, mas elegante — o tecido leve moldava meu corpo na medida certa. Combinei com um salto prata e um batom nude, o suficiente para parecer confiante sem chamar atenção. No espelho, encarei meu reflexo por alguns segundos. O cabelo solto caía em ondas e, por um instante, pensei se Derek ainda me reconheceria assim... Balanço a cabeça, afastando o pensamento. Eu não deveria me importar.

Desci as escadas devagar e me sentei no sofá, batendo o pé impaciente enquanto esperava Lydia terminar de se arrumar. Cada minuto que passava me deixava mais nervosa. A ideia de estar na mesma festa que Derek me deixava inquieta. Eu só queria que ele não estivesse lá.

— Oii! Terra chamando Samantha! — a voz da Lydia ecoou no topo da escada.

Olhei pra ela e não pude evitar um sorriso. Vestia um macacão vermelho que destacava seus cabelos ruivos e o batom escuro que ela amava.

— Vamos logo, antes que eu desista, — resmunguei, pegando a bolsa.

— Ah, nem pense nisso! — disse ela, rindo. — Hoje vai ser divertido, você vai ver.

Saímos e pegamos o carro dela. O caminho até a festa foi repleto de música alta e risadas — Lydia, como sempre, tentando me animar. Quando chegamos, a casa já estava cheia, as luzes coloridas piscando e a música ecoando pelo jardim. As pessoas dançavam, riam, conversavam em grupos espalhados. O cheiro de álcool e perfume caro misturava-se no ar.

Assim que entramos, Lydia avistou Stiles e praticamente saiu correndo até ele. Suspirei e balancei a cabeça — era impossível segurá-la quando ele estava por perto. Fiquei sozinha por alguns segundos, até reconhecer rostos familiares entre a multidão.

— Oi, Scott! — chamei, me aproximando.

Ele sorriu e me puxou para um abraço apertado.

— Samantha! Quanto tempo! — disse ele animado.

— Pois é, tempo demais, — respondi, sorrindo de volta.

Virei-me e encontrei Allison ao lado dele, tão linda quanto sempre. O olhar dela era gentil, caloroso.

— Oi, Alli! Que bom ver vocês juntos de novo.

Ela retribuiu o sorriso, segurando a mão de Scott.

— É bom ver você de volta, Sam. A cidade não é a mesma sem você.

— É bom estar de volta, — respondi sinceramente. — Vou pegar algo pra beber, a gente se fala depois.

Afastei-me e caminhei até o bar improvisado no canto da sala. Peguei um copo e pedi uma bebida qualquer, apenas para ter algo nas mãos. Enquanto esperava, olhei ao redor — a festa estava ainda mais cheia, e eu já começava a me sentir sufocada. Então, o vi.

Derek.

Ele estava encostado na parede, com o mesmo olhar intenso de sempre, vestindo preto, como se o tempo não tivesse passado. Meu coração disparou. Tentei fingir que não o tinha visto, virei o rosto e comecei a andar rapidamente em direção à saída. Eu não queria lidar com aquilo. Não agora.

Mas, antes que eu pudesse atravessar o portão, senti uma mão firme segurar meu braço e me puxar para um beco lateral, entre duas casas. A rua estava quase deserta, apenas a música distante ecoava da festa.

— Derek, me solta! — protestei, mas ele não disse nada. Apenas me encarou por um instante, e então me beijou.

Foi um beijo intenso, arrebatador — o tipo de beijo que rouba o ar e faz o mundo parar. Por um segundo, cedi. Era um beijo que eu conhecia bem, o mesmo que tantas vezes me fizera esquecer dos problemas. Mas agora, em vez de conforto, só trouxe lembranças dolorosas.

Empurrei-o com força, o coração disparado.

— Isso não devia ter acontecido! — sussurrei, a voz trêmula.

Virei as costas antes que ele dissesse qualquer coisa e saí dali o mais rápido que pude. As lágrimas começaram a cair antes mesmo que eu percebesse. A noite estava fria, o vento batendo contra minha pele, e tudo o que eu queria era fugir — dele, da cidade, das lembranças que nunca me deixaram em paz.

o despertar (Editado)Onde histórias criam vida. Descubra agora