P.O.V. Samantha
O ar daquela manhã parecia mais pesado do que o normal. O sol mal havia nascido, mas a tensão já tomava conta do ambiente. Eu e Scott estávamos sentados na mesa de madeira, com o mapa da região estendido diante de nós. As anotações, as rotas de ataque, cada detalhe do plano estava ali. Já sabíamos que Mikael e Katerina estavam a caminho, e não havia mais tempo para hesitações. A guerra era inevitável.
— Então já repassamos tudo, Sam — disse Scott, com a voz firme, mas com aquele olhar que denunciava o medo que ele tentava esconder. — Se quiser, pode ir descansar um pouco antes do pôr do sol.
Assenti em silêncio, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, senti uma onda forte de enjoo. O mundo pareceu girar por um instante e corri para o banheiro. Segurei-me na pia, tentando respirar fundo, o gosto metálico na boca denunciando mais do que apenas nervosismo.
— Sam?! Você está bem? — ouvi a voz de Scott, preocupada, do outro lado da porta.
Abri devagar, tentando parecer calma, e forçei um sorriso.
— Tô bem, Scott... só um enjoo. Vai passar logo, prometo.
Ele me observou por alguns segundos, claramente desconfiado, mas acabou assentindo.
— Tudo bem. Cuida de você, tá? Nos vemos mais tarde.
Sorri e o abracei rapidamente antes de sair. Enquanto voltava pra casa, uma única preocupação me consumia: o segredo que eu ainda não tinha coragem de contar a Derek.
P.O.V. Derek
As horas passaram lentas e cheias de silêncio. Eu já havia ligado pra Sam mais de dez vezes e nenhuma resposta. Aquilo estava me deixando louco. Peguei as chaves do carro e fui direto pra casa dela. Assim que parei na frente, senti o coração acelerar — algo estava errado. Toquei a campainha, e Lydia foi quem atendeu.
— Oi, Lydia. Cadê a Sam? — perguntei, tentando parecer calmo, mas minha voz denunciava o nervosismo.
Ela sorriu de um jeito estranho.
— Está no banheiro. Daqui a pouco desce.
Demorou apenas alguns minutos até que Samantha finalmente apareceu, descendo as escadas com o rosto um pouco pálido.
— Lydia, eu tô muito... — ela parou ao me ver. — Oi, Derek... eu não sabia que vinha aqui.
Cruzei os braços, contendo o impulso de falar alto.
— Já que você sumiu e não atende minhas ligações, tive que vir até aqui.
Lydia levantou as sobrancelhas e deu um sorrisinho travesso.
— Tá bom, vou deixar vocês sozinhos. Cuida bem do meu sobrinho, hein? — disse, sussurrando, mas eu ouvi.
— Que sobrinho? — perguntei, confuso, olhando de uma para a outra.
Sam lançou um olhar mortal para Lydia, que imediatamente levou a mão à boca, percebendo que havia falado demais.
— Pode ir, Lydia. E esquece, eu ia contar de qualquer jeito — disse Samantha, claramente irritada, mas tentando se recompor.
Lydia saiu apressada, e então ficamos sozinhos. Notei o cansaço no rosto dela, a respiração pesada, o olhar fugindo do meu.
— Derek... eu preciso que você prometa que não vai surtar, tá? — disse ela, com a voz baixa, quase trêmula.
Assenti, embora meu coração já estivesse acelerando.
— Bom, é que eu estou... — ela começou, mas o toque do celular interrompeu o momento.
Sam olhou o visor e empalideceu.
— Droga.
— Pode atender, eu espero — falei, tentando esconder o medo de que algo pior estivesse por vir.
Ela atendeu rapidamente.
— Oi, Scott. Aconteceu alguma coisa?
O que vi em seguida me deixou inquieto. A expressão dela mudou completamente: preocupação, raiva, urgência.
— Ok, já estamos a caminho — respondeu, encerrando a ligação.
Ela se virou para mim e me abraçou com força.
— Desculpa, eu te explico tudo depois. Mikael e Katerina estão vindo com um exército.
Engoli seco.
— Então é melhor avisar Lydia e irmos logo.
⸻
Mais tarde, o céu já estava escurecido e o vento trazia o cheiro metálico da chuva prestes a cair. Estávamos todos reunidos na clareira — a matilha em posição, prontos para lutar. As tochas tremulavam, iluminando os rostos tensos. Scott caminhava entre nós, analisando o terreno.
Eu e Derek estávamos lado a lado, já transformados. O som dos batimentos do coração dele se misturava ao rugido baixo que escapava da minha garganta. A adrenalina era insuportável.
Allison estava posicionada num ponto mais alto, com o arco pronto, as flechas de prata alinhadas ao lado. Lydia, mais atrás, observava com aquela expressão distante — o olhar de quem sente o que está por vir.
E então, o silêncio da floresta foi quebrado. Passos pesados ecoaram e, em poucos segundos, Mikael e Katerina surgiram com um grupo de lobos — a guerra havia começado.
As primeiras flechas cortaram o ar, brilhando sob o luar. Allison era precisa, derrubando um após o outro. Eu avancei com Derek, atacando os betas que vinham em nossa direção. O cheiro de sangue se misturava à terra úmida, e o rugido dos lobos ecoava entre as árvores.
Scott lutava com Daniel, os golpes ecoando como trovões. Vi quando ele o derrubou e cravou as garras no peito dele, encerrando a luta de uma vez por todas.
Mas o pior ainda estava por vir. Lydia soltou um grito agudo, e eu segui seu olhar — Allison. Ela estava distraída, atirando contra os últimos inimigos, quando Katerina surgiu por trás, empunhando uma espada longa e prateada. O tempo pareceu desacelerar.
— Allison! — gritei, mas já era tarde.
A lâmina atravessou seu peito, e o grito dela cortou o campo de batalha. Lydia correu até ela, e o desespero estampado em seu rosto foi o suficiente para me fazer perder o fôlego. Corri, pronta para atacar Katerina, mas Scott chegou primeiro, rugindo com toda a fúria que tinha dentro de si. Ele a derrubou e, num golpe rápido, a matou.
Olhei para Derek e percebi Mikael se aproximando. Fomos até ele juntos. A luta foi brutal, cada golpe um lembrete de tudo que perdemos. Quando finalmente conseguimos derrubá-lo, cravamos as garras ao mesmo tempo — e o silêncio caiu sobre a floresta.
Corremos até Scott e Allison. Ele estava ajoelhado ao lado dela, tentando contê-la, o rosto manchado de lágrimas.
— Allison, por favor, fica comigo... não me deixa — dizia ele, desesperado, tentando usar o poder de cura, mas nada funcionava.
Ela respirava com dificuldade, a voz fraca.
— Scott... eu não sinto dor nenhuma.
Ele segurou a mão dela com força, o coração se partindo a cada palavra.
— Não, não fala isso. Não me deixa assim. Eu te amo!
Um sorriso fraco surgiu nos lábios dela.
— Saiba que... eu... sempre te amei. Você foi o meu... único amor... Eu... te... amo.
E então, ela fechou os olhos.
Scott gritou, o som da dor se espalhando pela noite, ecoando pelas árvores e corações. Todos se calaram. A guerra havia acabado — mas o preço da vitória era alto demais.
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o despertar (Editado)
WerewolfSamantha Salvatore, uma jovem loba de 20 anos, retorna à sua cidade natal depois de anos afastada. Lá, ela reencontra seu antigo namorado, Derek Hale, e os sentimentos que pensava ter superado começam a ressurgir. Mas sua vida vira de cabeça para ba...
