Capítulo 26 - A batalha

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Horror, medo, dor, perda, mortes inocentes... Tudo isso para iniciar uma guerra? Isso me fez refletir... Eu estava buscando a mesma coisa, guerra contra os humanos, por tudo que me fizeram esses séculos todos. Será que vale a pena sacrificar tudo por uma vingança? O conselho de Iona foi muito oportuno pra mim... A própria humanidade já carrega seus infernos, através de suas escolhas, desejos e pensamentos.

Através das raízes da Figueira busquei pelos pés do meu pai. E o arrastei até a Romênia, onde me encontrava. Meu pai não sabe que me tornei a última guardiã e filha de Jord (Gaia na mitologia grega).

- Como ousa matar pessoas inocentes para poder chegar a mim? - Meus olhos continuavam negros, enquanto a extensão de minhas raízes o seguravam.

- Não pode ser... Você se tornou a Jord. Como é possível? A minha linhagem provém do Deus do caos e morte. Sua mãe... Não tinha linhagem bruxa!

- Ou, ela escondeu de você... Para me proteger das suas manipulações. Não vou permitir que você destrua mais desse mundo!

Ele sorriu com malícia e lançou fogo em minhas raízes... Fazendo com que se soltasse de mim. Começo a gritar em dor agonizante, pois começou a queimar minha pele também, esse fogo era diferente do fogo elementar da Terra.  Era um fogo sombrio, que desconheço das minhas memórias ancestrais.

- Ahhhhhh!! Cuidado onde pisa!- Sorri vitoriosa.

Começo a rachar o solo e fazer subir o inferno dos meus vulcões submersos. E como onde ele pisa tem Terra, estava em meu poder. A minha Terra segurou seus pés enquanto minha larva estava se aproximando dele.

- Você não irá destruir nunca mais a minha Terra! - Enquanto eu guiava as larvas vulcânicas até ele.

Acabei não percebendo a chegada de outra pessoa atrás de mim. Apunhalando-me com uma adaga em símbolo de cruz... Pelas costas, atravessando meu peito.

- Seu pai me ressuscitou também... Minha amada Luna. - Olhou pra mim com a certeza que teria me destruído.

- Van Helsing! - Meus olhos voltaram ao normal, e fui perdendo todas as forças, sangue da Figueira estava saindo, a medida que saía de mim.

Mas o caos já estava no início, as larvas vulcânicas começaram a se alastrar pela floresta da Romênia... E agora tremores violentos começaram a surgir de mim.

- Muito bem Van Helsing. Está tudo acontecendo do jeito que planejamos, a morte da Luna, será o renascimento de uma nova era do caos. Quem precisa da Terra?

Eu ouvia eles conversar enquanto sentia a vida ir embora lentamente de mim... Quando um vulto aparece e destrói em pedaços o corpo do meu pai e de Van Helsing. Era Anita e Sabrina!

- Luna!!!! Sabrina, encontre nossa mãe! Ela está com o livro!  - Anita me segura em seus braços firmes, com desespero.

- Meu amor... É melhor sacrificar um do que todos...

- Não! Não fale bobagem... Se você morrer o caos irá tomar a forma! E nosso filho? Não consigo senti-lo em você... - Anita chorava em suas lágrimas de sangue, que acabaram caindo sobre mim.

- Talvez... O caos seja necessário. Era isso que eu também desejava para a humanidade como punição, mas... Em último momento decidi não fazer mais isso. E se eu morrer... Irei se tornar a deusa da morte, não serei mais a sua Luna... Preciso que me mate antes disso acontecer. A adaga não foi feita para me matar, na verdade, nada pode me matar, a adaga foi feita para me trazer sofrimento, e é do sofrimento, destruição, que a deusa da morte se alimenta...

Iona chega com Sabrina e ela lança um feitiço de cura em mim, na linguagem dos mitras. Seus olhos ficaram esbranquiçados... E ela termina com uma prece em nossa língua.

- Amada mãe Terra, alimentai-nos com seus frutos... Dê a nós teu solo fértil. E com meu poder e devoção, com teu sangue, invoco a cura.

(Anita Narrando):

Os olhos da minha mãe voltaram ao normal e Luna ainda continuava com a ferida da adaga... Podia sentir toda a dor da Luna, e sentia minha conexão com ela também enfraquecer, estávamos perdendo ela lentamente.

- Mãe! O que faremos?

- Você sabe o que fazer... Minha Anita. - Disse Luna a nós com a voz fraca, e tentando tocar meu rosto.

Devem estar se perguntando como que Sabrina está do meu lado agora. Meu pai ao voltar com seus poderes, pôde controlar a mente de Sabrina, e através do lançamento de um feitiço feito por minha mãe que apagava as memórias destrutivas da minha querida irmã.

- Não posso perder você novamente....

- Filha... Você precisa decidir agora! - Falou com certa impaciência.

- Deve ter outra solução! - Gritei em seguida, em forma de rugido.

Luna começou a perder toda sua aparência física, e vimos se tornar um pó escuro que foi carregado pelo vento...

- Nãooooo!!! LUNAAAA! - Meu grito foi tão intenso que fizera terra rachar mais.

- Anita temos que sair daqui da Romênia! As larvas vulcânicas estão consumindo tudo!

Fomos para o Brasil, enquanto a Romênia estava sendo toda consumida pelas chamas, provocadas pela Luna. Conseguia ouvir o som daqui do caos e morte. E não conseguia sentir mais, a presença da minha amada Luna.

Peguei o livro das bruxas e comecei a folheá-lo rapidamente, para ver se encontrava algo... Sem que precisasse matá-la.

"Somente uma vida pode salvar a outra." - Provérbio Wicca

- Mãe veja isso! - Sabrina e a nossa mãe vieram.

- Onde achou isso? Eu folheei esse livro por horas e não tinha encontrado essa frase.

- Não sei, mas, foi a folha que apareceu pra mim.

- É isso!!! Já sei como ajudar a Luna! E você minha filha. É a segunda guardiã também do livro das folhas... O livro que te mostrou essa página, certo? Então isso quer dizer que o sangue de Luna está em você.

- O que isso tem a ver com salvar ela?

- Com sangue dela podemos localizar a vida que crescia nela! No caso meu neto (a). "Somente uma vida pode salvar a outra."

- Espere, meu filho está vivo?!

- Sim! Luna jamais iria numa guerra carregando meu neto, lembre-se que ela é a Terra... Pode ter escondido seu útero num local seguro...

- Luna... Sempre tão inteligente! - Sorri aliviada, por termos encontrado uma solução.

RENASCIDA DAS CINZASOnde histórias criam vida. Descubra agora