Deitado em sua cama com um caderno no colo, Draco desenhava. Era a casa do asilo e a figura já estava pronta há dez minutos, mas o sonserino reforçava os traços com tanta força que quase rasgava o papel.
Ele encarou sua obra. Era imperfeita, mas Draco gostava da imperfeição, sempre gostou. Seus dedos estavam sujos do grafite, mas ele não se levantou para lavar as mãos. Ao invés disso, tirou a camisa, se deitou e adormeceu assim que a cabeça tocou o travesseiro, apenas para encontrar os pesadelos costumeiros à sua espera.
Quando acordou de manhã estava suado e foi tomar um banho, relaxando conforme a água quente envolvia seu corpo, deixando a pele vermelha.
Draco encarou a Marca Negra em seu braço com repugnância. A marca de sua vergonha. A marca que foi obrigado a fazer e que nunca nenhum feitiço iria remover.
Aparentemente os trouxas tinham um gosto por esse tipo de coisa. Tatuagem. Algumas meninas já lhe falaram que tinham gostado do desenho quando Draco foi descuidado o suficiente para arregaçar as mangas. Mas pela primeira vez não houve olhares reprovadores. E foi bom usar a droga de uma blusa de manga curta num dia de sol para variar. Esse foi o único aspecto positivo de sua convivência forçada nesse lugar.
Quando desligou o chuveiro, o banheiro estava repleto de vapor e Draco passou as mãos pelo espelho para ver seu reflexo. Estava mais magro que o normal e seus olhos pareciam mais fundos.
O sonserino apreciou a sensação de ar fresco na pele quando abriu a porta. Depois se trocou, pegou uma maçã, e saiu.
***
— Bom dia, estou procurando o livro Angiografia Cerebral da Anne G. Osborn.
A atendente da biblioteca encarou Hermione com desconfiança.
— Você não está no segundo ano ainda?
— Eu gosto de ler – Hermione respondeu simplesmente.
Isso pareceu ser suficiente para a atendente que sumiu entre as estantes e voltou minutos depois com o livro que a bruxa pedira. Hermione correu para a sala de aula ainda vazia com seu café e começou a ler o livro com toda a atenção.
***
— Estão vendo? Qualquer dia isso vai cair – Margie apontava o telhado quebrado para os bruxos naquele fim de tarde. – Você sabe consertar isso? – a pergunta era para Draco.
Ele a encarou com os olhos em branco.
— Sabe – Hermione interveio – Já o vi fazer esse tipo de coisa.
— Ótimo, lá na garagem tem martelo, prego e uns pedaços de madeira. Qualquer coisa, me chamem.
— Eu não sei consertar telhado – ele disse quando Margie desapareceu.
— Eu já imaginava que não. Pode apagar a luz daqui de fora, por favor? – Draco fez o que lhe fora pedido e Hermione olhou em volta antes de apontar a varinha. – Tectum Reparo.
— Pensei que fosse contra usar magia. Você disse que...
— Eu sei o que eu disse, mas o telhado precisava de reparo, e já que nem eu nem você sabíamos como resolver o problema...
— Você trapaceou – ele concluiu por ela.
— Eu não trapaceei! Trapaça é quando se engana alguém em benefício próprio. Eu estou ajudando essas pessoas.
— Claro, a santa Granger. Sempre pronta para salvar o dia.
— Bem, algumas pessoas querem fazer do mundo um lugar melhor – ela respondeu, pegando um cabo de vassoura jogado no chão e o batendo contra o telhado.
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Wonderland (Dramione)
Fiksi PenggemarApós formado, Draco é enviado para Universidade de Oxford, no mundo trouxa, como expiação pelos seus crimes. Lá encontra Hermione Granger cursando Medicina. Poderiam os bruxos aprender a conviver?
