Inumanos, Cientistas e Aranhas

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Quem tá vivo sempre aparece, né.

Olha quem voltou na mesma semana! Esse deve se algum tipo de recorde pessoal, mas eu tô tentando não me forçar muito. Espero que vocês gostem do capítulo!


"I come from scientists and atheists and white men who kill God
They make technology high quality complex physiological
Experiments and sacrilege in the name of public good
They taught me everything, just like a daddy should" *

Peter cantarolava aquela mesma música há alguns minutos, perdido em meio de milhares de papéis, livros, cadernos e arquivos que vinha tentando colocar em ordem já havia algum tempo. O sol lá fora, que mal tinha aparecido na hora em que ele se levantou, já brilhava forte e lançava seus raios por entre as cortinas entreabertas de seu quarto. Suas costas doíam por estar em uma posição desconfortável há muito tempo, mas ele ignorava a dor e finalizava sua organização. Após mais algum tempo, finalmente terminou de colocar tudo em ordem e esticou os braços acima de sua cabeça, sentindo suas costas estralarem.

Não dormira bem na noite anterior, mas, para ser justo, ele costumava ter mais pesadelos do que o normal durante aquela época do ano. Suspirou e pegou seu telefone de cima da cama quando ouviu o mesmo tocar, sabendo quem seria. Internamente, desejava que não precisasse lidar com aquele tipo de conversa, mas ignorar seria pior e a última coisa que ele queria era piorar as coisas. Ele já não havia ferrado com tudo o suficiente?

- Oi, tia May. Come stai? (Como você está?)

- Oi, bambino. Sto bene, e tu? (Estou bem, e você?)

- Bene anche, grazie. (Bem também, obrigado)

- Ah querido, não precisa mentir para mim. Eu sei que é uma época difícil para você.

- E eu sei que é difícil para você também, zia. (tia) – Peter suspirou e passou a mão pelos cabelos oleosos – Eu só... sinto saudades dele.

- Eu também, bambino. E sei que onde quer que ele esteja ele também sente nossa falta. – ele não viu, mas sabia que May estava com aquele mesmo sorriso triste de quando ela mencionava seu tio – Eu te mandei algumas coisinhas pelo correio, acho que deve chegar hoje.

- Que coisas?

- Coisas de seu tio, que ele gostaria que você tivesse.

- Eu... obrigado, May. – ele sentiu seus olhos arderem em lágrimas não derramadas – Queria poder estar aí com você.

- Eu sei bambino, eu sei. Queria poder estar ai com você também. Mas talvez seja bom. Pelo menos desse jeito nós não alimentamos as tristezas um do outro, certo? – ela riu nasalada e ele sentiu um aperto no coração – Mas eu estou feliz que você esteja ai, vivendo seu sonho. Seguindo em frente.

- Não consigo seguir em frente se você não seguir em frente.

- Não precisa ter medo de me deixar para trás. – um som de alarme tocando pode ser ouvido pelo telefone, seguido por um suspiro da Parker mais velha – Eu preciso ir, querido. Cuide-se bem e não faça nada estúpido, ok?

- Eu não faço esse tipo de coisa. – ele disse em falsa indignação – Fica tranquila, May. Eu vou tomar cuidado, juro. Eu te amo, viu?

- Eu também te amo, bambino. Abençoado seja.

- Abençoado seja. – ele suspirou – May?

- Sim?

- Me desculpe.

Fez-se silencio do outro lado da linha.

- Eu nunca te culpei, Peter. Então só... tente se perdoar, ok?

After Dark - SENDO REESCRITAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora