Inveja mata, porém o ditado nunca disse a quem.
Se é o invejoso ou o invejado? Nunca saberá ninguém,
Mas se o morto for o invejado, seria eu então o primeiro assassino da história biblíca?
Seria eu Caim?
Será que é esse o meu nome verdadeiro?
Caim eu sou. Meu nome é este e eu prezo, digo, carrego todo o fardo de ter como nome este.
Carrego juntamente dos meus pecados, juntamente da minha história retorcida e mal contada.
Caim, aquele assassino mentiroso de meia-figa.
Aquele, que ao sentir o corpo de seu irmão se enfraquecer sobre seus braços,
Também sentiu todo o peso de seus pecados e sua mísera e repugnante existência.
Enquanto voltada para um lugar que já não mais poderia chamar de lar; Repetiu para si mesmo:
- “Não sei onde Abel está; Não o guardo.”
É MENTIRA.
EU SOU MENTIROSO, NÃO SOU?
A AUTOPIEDADE SALVA MINHA POBRE ALMA DA CULPA MORTAL.
É doloroso, não? Aquilo que a raça humana, mesmo que em seus primeiros anos, é capaz de fazer.
Abomino a puta utopia que seu Deus criou, aquela mesma que nunca será alcançada pelas sujas mãos de pecadores como eu.
Não sou merecedor do paraíso, nunca fui.
Nunca fui, Abel…
O mesmo deus que resolveu torná-lo tão afortunado e tão amado, jurou odiar-me desde o dia do meu nascimento, sem sequer me dar algum tipo de chance ou piedade. E fui assim por toda a minha existência, até que já não restasse esperanças em minha pobre e pequenina alma.
Sou inocente, Abel.
Somos ambos vítimas das muitas maldades do mundo, de Deus.
Por quê?
Pergunto, a mão erguida para os céus e meus olhos aguados.
Por que tão desafortunado?
É porque deveria ser, pai meu?
Fecho os olhos, sentindo meu corpo enfraquecer sobre teus braços,
Já é dia do descanso, pai meu?
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A Mastigar Crisântemos
PoésieUma jornada pelo desconhecido, tentando descobrir quem realmente somos. Será que existe mesmo um lugar no mundo para nós? Sorrio pro além, ele sorri de volta.
