Já era meio da semana e, naquele momento, os alunos estavam em seu segundo tempo de aula, que era de Ética.
— ...Um homem, envenenado pelo ciúme, mata a mulher que dizia amar. – Dante falava enquanto passava entre os alunos que estavam focados, em exceção à Heloisa, que dormia. — Isso parece vida ou arte? – olhou para a turma.
— Parece estupidez. – Nina fez cara feia. — Matar alguém que se ama por ciúmes?
— Estúpido, mas humano. – apontou para a ruiva.
— Ou desumano. – Matteo colocou as mãos atrás de sua cabeça.
— Não teve um caso parecido, julgado há bem pouco tempo? – Dante se aproximou da mesa de Mia.
— Sim! – a loira levantou sua caneta rosa. — Eu vi na televisão. – o mais velho olhou para ela e colocou a mão no topo de sua cabeça.
— É uma história real. Mas é também um enredo de "Otelo", de Shakespeare.
— Tinha que ser dele. – Lucca cruzou os braços e alguns alunos riram fraco.
— Uma mãe mata os próprios filhos. – Dante deu um passo para trás e apoiou seu corpo sobre a mesa atrás de si.
— Eu acho que teve um caso desses na Roma, não foi? – Cameron levantou a mão.
— Depressão pós parto feia, hein professor. – Sabrina fez careta enquanto cruzava os braços e Approbato riu.
— Acontece também em "Medeia", uma tragédia escrita por um cara chamado Eurípides, em, mais ou menos, quatrocentos e trinta e um antes de Cristo.
— 'Pô, faz tempo isso, hein professor. – Dylan apoiou suas costas na cadeira.
— É a arte imitando a vida! – o mais velho exclamou animado. — Ou, a vida imitando a arte. – abriu os braços.
— Só sei que até agora o senhor só citou coisa ruim, né. – Ivy jogou seu cabelo para o lado e todos os alunos riram.
— Gente, quando vocês assistem ao Jornal na tevê, ou quando vocês leem pela internet, o que domina no noticiário? – cruzou os braços e encarou a turma seriamente.
— Desgraça! – Sabrina levantou os braços sorrindo e Dante apontou para ela.
— Sim, parece que as pessoas têm uma curiosidade mórbida pela tragédia. – Nina apoiou seu rosto em sua mão e o professor suspirou.
— Gente, parece que, como humanos, somos imperfeitos. – naquela hora, Cameron abaixou a cabeça e engoliu a saliva. — E, por sermos imperfeitos, cometemos atrocidades. Mesmo motivados por sentimentos que deveriam nos transformar em pessoas melhores.
— Eita Dante, agora complicou. – Matteo coçou a cabeça e ele riu.
— A arte dá um jeito de descomplicar.
— Não. Nem sempre. – Lucca levantou a mão. — Tem arte que eu não entendo. – deu de ombros.
— Tem homens, tem... Atitudes que eu também não entendo. – Approbato arregaçou as mangas do casaco que usava. — Mas a arte é uma maneira saudável da gente colocar pra fora os nossos fantasmas. De nós tentarmos entender, o mundo que nos rodeia. O mundo que existe dentro de cada um de nós. – apontou para si mesmo.
— Nossa! Profundo isso, hein professor. – Ash apoiou seu corpo em sua mesa. — Quando eu crescer...
— Vai ser como o Dante? – Fiona a cortou e a loira a encarou.
— Não. Eu quero nunca mais precisar estudar nada disso. – respondeu e todos riram.
— Estamos falando de vida! – Dante exclamou animado.
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Elite
Novela JuvenilElite. O internato mais requisitado na grande Verona, onde apenas os filhos de pessoas famosas ou de grande influência estudavam, além de alguns bolsistas. No ultimo ano de alguns alunos, novos entram no colégio para mudar completamente o conceito q...
