Capítulo 7

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"26/04/2021

Meu Lou,
Escrevo essa carta apesar de saber que não irei manda-la. Me pesa o coração só de pensar que não te respondo há uma semana (provavelmente) simplesmente porque vim para Holmes Chapel de última hora e não consegui te avisar (esse é um dos momentos que me arrependo de nunca ter pego o número do seu celular).

Porém, agora aqui, sentado em meu antigo quarto, percebo o tanto que já te tenho em minha rotina, porque comecei a sentir tanto a sua falta que não consegui não escrever. Se eu fosse um super romântico, iria enviar essa carta da Europa até os Estados Unidos, mesmo que ela demorasse um mês ou até mais para chegar até você.

Dias aqui são frios e não tenho ninguém que me traga a sensação de conforto. Me peguei pensando nisso em alguma tarde - nos momentos em que não pensava em você - e é irônico que mesmo agora que estou tendo muito do que sempre quis, isso ainda não me transborda. Como eu poderia estar triste com algo que me faz bem?

Mamãe não é uma pessoa que gosta de demonstrar, já havia dito isso anteriormente. Durante grande parte da minha pré-adolescência, tudo o que eu queria ouvir era que ela estava orgulhosa, tanto de quem eu era quanto de quem eu iria me tornar, mas o que sempre recebi foram meios sorrisos e pequenos abraços.

E, não me entenda mal, eu sei que esse é/era o jeito dela, porém eu sempre precisei tanto do toque que não recebê-lo de quem eu mais amo sempre deixou um espaço aqui. Porém, com o tempo e com novas amizades, percebi que eu poderia tê-lo de outros e portanto, naquele momento, não iria considera-lo um problema.

O que notei foi que, desde que saí da Inglaterra e fui para a Califórnia, mamãe começou a sentir falta até das coisas mais irritantes que eu fazia. Ela começou a me ligar quase todos os dias e perguntar sobre as provas e trabalhos, não ficava mais brava por eu não ser o melhor aluno e se despedia todas as vezes com um "Eu te amo". E é nessa parte que tudo deixa de fazer sentido para mim, porque isso foi o que eu sempre quis, certo? Então por que não consigo dizer que meu amor é recíproco, mesmo ele sendo? Por que sinto que a qualquer momento toda essa conversa de que notas não me definem vão se virar contra mim e o fato de eu tirar uma nota na média vai realmente definir meu futuro?

Parece que são passos em falso. Por isso, quando ela me mandou foto da passagem que tinha comprado para eu ir para Holmes Chapel, eu não pude recusar. Eu fiz minha mala com desânimo, entrei no avião com desânimo e cheguei aqui com desânimo escondido em uma falsa alegria. Isso tudo porque aqui não posso ser quem eu sou.

Acho que falar sobre isso sempre me causa arrependimento, mas quando eu me assumi para minha mãe eu já sabia que ela não aceitaria. Ela nunca gritaria comigo, me expulsaria de casa ou coisa do tipo, porém eu sabia que algo bom não viria. Por isso que a imagem dela concordando, esboçando um sorriso falso, dando a volta e saindo do meu quarto me atormenta tanto. Ela pode até me amar, mas ela não ama quem eu sou de verdade.

Estar sentado aqui, escrevendo e olhando para cada canto desse quarto me remete a dias ensolarados cobertos por nuvens porque...Era assim, sabe? Dias felizes, afinal eu tinha uma família feliz, sem relações conturbadas e brigas, mas aquela maldita nuvem fazia questão de sempre aparecer quando eu começava a sentir o Sol me queimar. Lembrar que minha mãe não aceitava essa parte de mim nunca deixava eu realmente aproveitar.

Ir para o mercado, sentar no sofá enquanto comemos macarrão recém preparado e andar de bicicleta no parque quase sempre vazio enquanto conversamos sobre livros é reviver a minha antiga rotina. E eu gostaria de mudá-la; gostaria de poder falar com ela sobre você, de contar sobre todos os sentimentos doidos que eu sinto ao escutar um "Ei Harry, me espera!"...Mas eu não posso.

Enquanto não crio coragem, todas as minhas frustrações ficam registradas aqui. Espero um dia poder te contar sem ser pela escrita, porque realmente falar sobre o que te machuca significa ser forte; e eu quero ser forte.

I write outside of the lines for youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora