Capítulo 11

192 30 134
                                        


O poema é "A explicação da eternidade", de José Luís Peixoto, massss eu fiz algumas alterações!

"15/06/21

Meu amor,
Quando eu poderia imaginar que chamaria alguém assim? Mas afinal, como eu poderia não chamá-lo, sendo que o que sinto por você é realmente isso?

Essa ansiedade antes de encontros, o coração acelerado quando um "Eu te amo" é pronunciado (mesmo os falando diariamente), noites conversando sobre um futuro incerto onde a única certeza é que pretendemos ficar juntos; tudo isso é amor, certo? O Louis de anos atrás está realmente vivendo o seu sonho adolescente, de se sentir amado e poder amar (acho que nunca escrevi tanto uma palavra em uma parágrafo só).

Estávamos conversando esses dias sobre como você sente que eu sempre exagero nas cartas, fazendo mil e uma declarações, enquanto você gosta de torná-las simples (apesar das inúmeras figuras de linguagem). Não acho que seja assim que funcione, porque convivendo diariamente com você, sei que o seu modo de expressar o que faz seu coração transbordar é fazendo gestos pequenos.

Aqui vai uma lista de detalhes que eu amo em você:

1) Sempre deixar um post-it com um "Bom dia" e um coração torto quando é o primeiro a acordar e está atrasado para a aula;

2) Quando você me empresta sua jaqueta verde jeans preferida e eu posso sentir o seu cheiro;

3) Quando você le em voz alta para mim;

4) As sua escrita;

5) O fato de você ter feito a mão um calendário contando os dias para o verão;

6) Sua mania de sempre cantar enquanto cozinha;

7) Quando você deposita um beijo em meu nariz como despedida;

8) Regar a astromelia que eu te dei e fica na janela;

9) Guardar meu caderno de música no lugar exato (na segunda gaveta da cômoda direita, sem encostar na "caixa de bagunças" que está aol ado e ainda em uma distância segura para não ser sujo pelo meu gel de cabelo) (não sei porquê tenho um gel de cabelo);

10) As suas covinhas.

São sempre sobre os detalhes, lembra? E quando eu reparo em um desses pequenos gestos, é quando eu sorrio involuntariamente e agradeço por ter te conhecido. Por ter escrito uma carta falando sobre minhas inseguranças para um estranho. Por ter me permitido sentir de novo. Porque é que nem você sempre diz: "Eu não te salvei de nada, Lou, só mostrei o caminho para um sentimento que estava perdido aí dentro".

E eu não canso de pensar o quanto isso, no final, é uma aventura. Eu podia ser um menino de vinte anos chato, que só reclama, que adia todas as responsabilidades para o último minuto e ama futilidades (ok, eu meio que sou assim). Mas você se permitiu adentrar no desconhecido, segurando todo aquele emanharado de coisa mal resolvida aqui dentro e o guiando de volta a estrada para, assim, ele poder seguir o caminho que achasse ser certo.

Eu te tinha comigo antes de nos tornarmos "nós". Quando te via de longe e imaginava como seria te ter por perto; quando, por algum motivo, sentia que em um momento eu deveria me aproximar desse cara de olhos verdes que fala muitooo devagar; quando, sem sentido, te enviei uma flor, mesmo sabendo que eu corria o risco de você ser alérgico. Você escreveu em uma das cartas que eu sou o motivo dos seus porquês; nada mais justo do que dizer que você também é o meu.

E, tudo bem, Harry. Em todas as vezes que você me jogou piadas sobre o quanto eu era brega-clichê-romântico-incurável eu fiz questão de negá-las, mas agora isso não faz mais sentido. Eu sou um brega-clichê-romântico-incurável. Eu sou isso só por você.

I write outside of the lines for youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora