Capítulo 012

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Ana: Cê queria falar comigo, o que era? - disse abrindo minha geladeira e pegando uma garrafa de agua. 

Desde que a gente chegou na minha casa ele não saiu do celular

E sinceramente, eu só queria que ele fosse embora pra eu aproveitar meus momentos de solidão.

Grego: O Cabelinho tá descendo pra gente trocar essa ideia. 

Ana: Odeio mistério, solta a voz. - Ele desligou o celular e guardou no bolso da bermuda.

Grego: é sobre seu pai. - Revirei os olhos. 

Ana: Eu não tenho pai. - Dei um sorriso debochado. -Se era só isso, já pode ir, tenho muita coisa pra fazer. - ele me olhou serio

Grego: sua mãe te fez com o dedo? - bebi minha agua.

Ana: pai não é somente fazer, vai muito além disso. O homem que transou com a minha mãe, engravidou ela e nunca quis saber da criança, é isso que ele é pra mim. - cruzei os braços. - e nenhuma informação sobre ele me interessa. 

Grego: Eu sei que ele é vacilão - Disse ignorando tudo que eu tinha dito - Mas no fundo eu sei que você iria querer saber o que anda rolando por ai, nem que seja seu lado fofoqueira falando mais alto. 

Ana: será que quero mesmo? - fiz uma careta e me sentei no sofá ao lado dele. 

Grego: confia. 

Minha relação com aquele homem nunca foi boa.

Ele nunca me assumiu como filha e quando eu era menor, não conseguia entender todo esse odio que ele sentia por mim. 

Eu ficava olhando ele nas ruas daqui do morro sempre querendo passar a visão pra mulecada, mas não tinha moral nenhuma.

Sempre que ele me encontrava ele me xingava, me humilhava e algumas vezes até me batia ou tacava pedras em mim. 

Ao passar dos anos fui aprendendo a conviver com o fato de não ter um pai. 

Evitava as ruas que eu sabia que ele passava e cada vez mais ia parando de chamar ele de "pai".

Ana: adianta o assunto. - ele me olhou por algum tempo e depois passou a mão pelo rosto.

Grego: seu pai anda devendo muita gente perigosa, inclusive eu. - virei o rosto olhando pra frente. - é questão de dias até ele morrer.

Ana: e porque isso me interessa ?

Grego: ele assumindo ou não, você é a unica filha dele e tem direito nas coisas dele. - arquei uma sobrancelha- aquela casa será sua herança, ana. - me levantei estressada

Ana: eu não quero nada que venha dele Grego. - encarei ele que mantia o olhar sério.

Grego: você paga um aluguel absurdo aqui, vai poder morar na sua propria casa... - se levantou - não quer ir atrás de uma coisa que é sua por orgulho?

Ana: pago um aluguel absurdo mas é com o meu dinheiro. Eu sempre fui humilhada por aquele homem e agora você quer que eu vá morar na casa dele? - dei uma risada irônica. - pois deixo aqui o meu recado, podem queimar aquela casa inteira. Lá eu não piso.

Grego: firmeza.

Ana: fecha a porta quando sair.

Amor CriminosoOnde histórias criam vida. Descubra agora