Catarina

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CAPÍTULO NÃO REVISTO

 Tatiana me olhou de rabo de olho... Novamente. Tudo bem, eu sei que eu não ando com as melhores das caras esses dias, mas também será que eu merecia todos esses olhares preocupados? Culpa da maldita reunião. Na verdade, das malditas reuniões. Desde que o Senhor Becker tem convocado reuniões entre os Becker, eu, Tatiana e Daniela, as coisas não estão tão bem. Após a última briga, o clima se mantém tenso. Daniel não está falando comigo desde que saiu do hospital – não mais do que o necessário por cortesia – e o mau exemplo dele era praticamente seguido por Enzo.

 Não que nós estivéssemos brigados nem nada do tipo. Só que, agora que eu penso bem, ele sempre foi um galinha... Só que eu não havia conhecido esse seu lado anteriormente. Ele tem passado noites fora de casa, voltou a se exercitar e sempre volta com um cheiro forte de mulher, às vezes até no dia seguinte. Os perfumes delas são enjoativos e me deixam irritada. Pelo menos ele teve respeito por mim e pela memória dos meus pais suficientemente para que não trouxesse nenhuma mulher para cá – o que, convenhamos, já é um grande passo.

                - Você está assim porque o Enzo não veio almoçar? – perguntou Tatiana, mordiscando seu estrogonofe.

                - Bem, faz tempos que ele não janta conosco... Mas evitar o almoço também... – eu dei de ombros, um tanto abalada, sem saber exatamente por que.

                - Eu realmente preferia não ter essa conversa. – Tatiana suspirou – Mas também acho que ele está passando dos limites. Tudo bem, ele é adulto. Mas eu sou sua mãe. Dói passar algumas horas por dia comigo? – ela trincou os dentes, irritada.

                - Sinto muito. – falei simplesmente – Isso começou depois daquela briga no escritório. Acho que eu falei algo que não deveria, agi como se você fosse minha mãe e... Isso deve ter ofendido ele.

                - Ele não está ofendido. Eu vou resolver isso depois. Mas... – ela parou e me encarou, séria – Falar em ofendido, como está sua relação com o Daniel?

                - A mesma coisa. Ele não fala mais nada além do necessário comigo, mesmo que eu o incentive a fazê-lo. Perguntei sobre mil coisas outro dia e ele simplesmente me respondeu monossilabicamente. Eu prefiro não falar mais com ele depois disso... Não é como se as memórias da minha idiotice ao ser ignorada fossem desaparecer. – suspirei.

                - Entendo. E o Lucio? – perguntou ela.

                - Realmente não sei por que você não gosta dele. Estamos tão bem... Ele me levou ao cinema outro dia desses.

 Eu subitamente parei de falar, ao lembrar o que ocorreu após o cinema. Eu estava com um vestido e nós estávamos voltando para onde ele tinha estacionado o carro – e, agora que eu paro para analisar, era realmente um lugar muito distante e suspeito de se estacionar – quando ele me atacou, me jogando em um beco escuro e botando as mãos por debaixo do meu vestido. Ele me disse coisas obscenas e, apesar da excitação, simplesmente não consegui me sentir feliz ou confortável com aquilo. Não sou o tipo de mulher que fica em becos escuros, não consigo ser. Eu tive que ameaçar gritar para que ele me deixasse ir. Ele não me levou para casa esse dia, o que foi uma verdadeira decepção após ter sido um perfeito cavalheiro por horas. No outro dia, ele me mandou doze buquês de flores variadas, se desculpando.

                - Por isso. – disse Tatiana – Você não fala dele como se realmente gostasse dele. Por que ainda está com aquele homem? Eu vi as flores. Um cara que manda doze buquês realmente tem algo bem sério para se desculpar. O que ele fez com você?

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⏰ Última atualização: Mar 07, 2015 ⏰

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