Não Por Perto

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Harry

Desço as escadas com peso nos ombros, como se meu corpo precisasse ser carregado, não sei nem de onde tirei forças para levantar da cama, minha noite anterior havia sido péssima, perdi o sono para minha crise de ansiedade, estava tão agitado ao ponto de hiperventilar e suar frio, a pior parte é quando me sinto sufocado.

— Bom dia, senhor Styles. — cumprimentou uma das empregadas ao passar por mim.

— Tenha um ótimo dia, meu bem. — respondo educado.

O motivo no qual estou fragilizado, eu psicologicamente não estou preparado para vê-lo tão doente. É a primeira quimioterapia do meu pai e a única pessoa que me entenderia seria meu irmão, só que nos afastamos desde que voltamos da Grécia porque dei o soco no seu rosto.

— Harry, meu filho, você parece exausto. — observou mamãe. 

— Tire o dia para descansar Harry, de fraco já basta um, eu to com o pé na cova. — meu pai e seu pessimo senso de humor.

— Hugo, por Deus! Que comentário infeliz justamente na sua primeira quimio. — minha mãe aponta aborrecida.

— Eu vou com vocês, quero estar presente. E pai, você e eu ainda temos muitas histórias, nós podemos fazer um pouco mais, podemos viver para sempre.  — observei a mesa farta e a minha crise de ansiedade ataca, fazendo com que eu perca a vontade de comer.

A segunda pessoa que cogitei para conversar foi extremamente antipática da última vez que nos falamos. Honestamente, eu não sei o que a fez mudar de ideia ja que construímos um lanço lindo, Francis não deve ter noção do poder que tem sobre mim, sua presença me conforta, sua voz me tranquiliza. Mas depois de sua grosseria no jardim, evitei contato, eu não sou do tipo de correr atrás.

— O senhor aceita café ou prefere o suco? — Francis se inclina para me servir mas eu não direciono o olhar para ela.

— Não, estou sem fome.

— Ao menos belisque alguma fruta, não gosto que fique sem se alimentar, meu filho. — mamãe faz o pedido mas sou teimoso.

— Estou bem mamãe, vou esperá-los na garagem. — retiro-me da mesa evitando contato com a ruiva a minha frente.

***

NO HOSPITAL

Assistir ao processo do tratamento do meu pai trouxe uma sensação de desconforto ao mesmo tempo que me trazia esperança, ele nunca foi fã de agulhas e eu sabia o quanto ele mostrava força imbatível perto da minha mãe, mesmo com as lágrimas descendo pelo seu rosto, meu pai venceu o medo e fechou os olhos para que os médicos começassem o trabalho pela sua rede intravenosa.

Agora eu entendia o meu papel, Henry não conseguiria lidar com a parte emocional tanto quanto eu não conseguiria lidar com o lado financeiro da empresa. Ele consegue ser sangue frio e calculista ao ponto de não confundir e deixar que o lado pessoal atrapalhe o profissional, meu irmão tinha dom para ser o lado racional. Eu sou o coração, sou a linha tênue que meus pais buscam para se apoiar e não partir.

Pensar dessa maneira me provou o quanto estou sendo forte por eles, e o quão eles precisam dessa força. A todo momento o incentivei dizendo palavras de carinho para meu pai, reforçando o quanto estava sendo corajoso e viril, que não precisava ter medo porque no final estaríamos, e demonstrar suas emoções não o fazia fraco, o tornava vigoroso.

A sessão durou cerca de 5 horas, o médico nos instruiu quais seriam os próximos passos, desde as medicações diárias e efeitos colaterais. Eu fiquei muito orgulhoso e feliz com a dedicação do meu velho, ele parecia mais compreensível, deixando os preconceitos de lado. Realmente existia uma luz no fim do túnel.

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