Navagio Beach

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Henry

Concluo mais uma reunião exaustiva da empresa, me despeço de todos os sócios e recolho minha pasta da mesa.

Desde que me tornei maior de idade comecei a fazer parte dos negócios da família, nosso pai sempre investiu em mim e no Harry, nos preparou para sermos responsáveis, por nossa herança. Entretanto, Harry foi um pouquinho relutante, ele não é tão ligado à corporação.

Meu irmão sempre deixou claro que não se interessava pela Styles C.O, empresa que leva o sobrenome do nosso bisavô, por tanto eu facilitava lhe dando tarefas simples como; ler papeladas e acertar contratos. Entretanto, temo o dia em que isso venha a mudar, com a doença do nosso pai.

— Você fez um ótimo negócio Sr. Cavill. — diz Oswald, sócio da companhia.

— Apenas fiz o que tinha que fazer.

— Inclusive, as vendas têm aumentado exorbitantemente, depois de um tempo em queda. Com certeza, um bom investimento. — concluiu ele.

— Fiz o melhor para todos nós, se me permite irei me retirar, tenha uma ótima noite Sr. Oswald. — respondo após cumprimentá-lo com as mãos.

— Boa noite!

Apanho as chaves da Mitsubishi preta, o alarme soa assim que a encontro na garagem. Adentro o veículo e ligo o rádio enquanto dirijo para o caminho de casa.

Minhas mãos suavam no volante, a situação do câncer não saia da minha cabeça, estava aflito, só de pensar em ter a responsabilidade da corporação nas minhas mãos.

Você consegue Henry, você se preparou a vida toda pra isso, vai dar certo. Repito como um mantra em minha mente.

Chegando em casa, encontro o silêncio e a calmaria no ambiente, subo para meu quarto abrindo os botões do meu terno, me preparando para um banho bem quente e relaxante, quando minha mãe apareceu batendo sutilmente na porta entreaberta.

— Oi meu amor, teve um dia bastante cheio não é? — comentou.

— A senhora não faz ideia. — escapa um suspiro revelando meu cansaço.

— Como foi seu dia hoje, meu bem?

— Foi... intenso. Eu não sei mãe, não sei se posso fazer isso sozinho. — confidencio o que estava preso em meus pensamentos. — Eu não me preparei, eu ainda preciso dele.

— Todos nós precisamos dele, eu também não estou pronta para o que estar por vim. — ela respira fundo, com uma pontada de tristeza. — Você vai conseguir meu filho, talvez não faça sentido agora mas as coisas vão se encaixar, estar acontecendo como deve ser.

Então eu a abraço, escondendo meu rosto em seu ombro como fazia quando criança, abraço com força para buscar nela a força que eu precisava. Incrivelmente com esse gesto, sinto-me bem, protegido e amado.

— Vai dar tudo certo. — prometeu minha mãe, acariciando meu rosto.

Eu estava nitidamente abalado e exausto, mas mesmo assim não conseguia expor minhas emoções, colocar as lágrimas pra fora, apenas sentia e guardava só pra mim, a última vez que chorei foi no fim do meu noivado, eu não poderia mostrar fraqueza para minha mãe. Nosso abraço além de carinho existia uma troca de apoio.

— Eu acredito mãe. — confirmei, sendo positivo.

— Bom, não foi por isso que vim aqui. — retoma a fala, enxugando algumas lágrimas. — Harry teve uma ideia maravilhosa, e eu acho que você vai gostar também.

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