Memórias da Meia-Noite

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Henry

Acordo com o som do despertador, demoro alguns longos segundos para me recompor, a dor de cabeça veio em cheio junto com o peso em abrir os olhos. Estava de ressaca.

Busco pela garrafa de água ao lado da cômoda, bebo todo o líquido molhando minha garganta seca. Levanto finalmente, olho-me no espelho, minha cabeça rodando em círculos, faço uma concha de água com as mãos e lavo meu rosto.

Uma breve lembrança surge em minha mente, ao encarar o curativo na minha mão; eu beijei Francis.

Droga! Por que eu fiz isso mesmo?

A doce memória de seus lábios macios nos meus, o toque gentil de suas mãos em minha pele, seu bendito olhar pousando-se no meu me deixou tão hipnotizado que acabei confundindo as coisas. Ela apenas estava fazendo seu trabalho, e provavelmente estraguei sua noite devido a minha carência, me sinto tão envergonhado.

Como poderia pedir desculpas?

Após um banho gelado, me sinto muito mais confortável, desço as escadas e estou imensamente agradecido por Francis não está servindo as mesas, seria constrangedor para nós dois depois de ontem.

Bom dia! digo me reunindo na mesa.

Hank, por favor, poderia falar mais baixo? meu irmão pede enquanto mexe a colherzinha da xícara de café.

Que bom, não sou o único com ressaca hoje.

— Não mesmo! Seu pai está acabado, não acordou até agora, vou deixa-lo cochilar um pouco. — minha mãe avisa. —  E sinceramente filho, eu ainda estou muito surpresa com o que aconteceu ontem, eu nem posso imaginar como foi a sensação pra você!

Meus músculos se contraíram por um instante, então minha mãe sabia sobre o meu deslize?

— Do que estamos falando exatamente? — questiono para me certificar do assunto.

— O que quero dizer é que, seu primo, Michele, pegou todos de surpresa ao aparecer aqui com a Annelise.

Meus ombros relaxam e eu posso regular minha respiração, aquela conversa não iria nos levaria a nenhum lugar que não seja minha indigestão.

— Eu gostaria de não mencionar sobre isso, por favor. — peço.

— E o que mais me impressiona, além da cara de pau deles, é que não tiveram  nenhum pingo de consideração com você. — continuou fofocando despercebida.

— Consideração depois de leva-la pra cama. — Harry comenta distraído, e só percebeu o peso das suas palavras quando paramos de comer para encara-lo. — Não me entendam mal, é meio que, não adianta ter consideração agora, se não teve antes.

— Não quero falar sobre isso. — levanto impaciente e sigo para o jardim.

Tocar no assunto da minha ex noiva ainda era uma ferida aberta pra mim, eu não estava completamente curado, eu sei que deveria superar mas não é tão simples, e se tem alguém que entende a minha dor e me ajudou a não afundar em uma depressão, esse alguém é o meu cachorro Kal. Ele é melhor que qualquer ombro amigo.

— Aí está você meu garoto. — me ajoelho em sua frente acariciando seus pelos. Kal se agitou em meus braços e lambeu meu rosto, me faz sorrir instantaneamente.

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