Docinho

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Harry

O celular vibra incansavelmente na cama e aos poucos vou despertando. A luz da manhã adentra meu quarto fazendo com que me espreguice de maneira preguiçosa, passo a mão pelos meus cachos bagunçados e pego meu aparelho.

"Não paro de pensar em você."

"Quando vamos nos ver de novo?"

"Foi a melhor noite de sexo em toda minha vida!"

"Harry você está aí? fala comigo amor."

Ri nasalado, era engraçado ler a palavra amor nessa frase, só tivemos uma única noite juntos, achei que tivesse compreendido quando disse que não queria me envolver com ninguém no momento. Espero que ela não se importe se eu não responder agora, o café da manhã espera por mim.

A água morna do chuveiro escorrega por minha pele, espantando todo meu cansaço, demoro alguns segundos, recebendo as gotas como massagem em meus ombros.

Minutos depois, estou devidamente arrumado para me reunir para o café da manhã. Desço as escadas cumprimentando todos ao meu redor, encontro meu irmão sentado à mesa, estranho quando não vejo nossa mãe e nosso pai conosco.

— Bom dia. — digo ao me acomodar.

— Bom dia. — diz Henry.

— Onde está nosso pai?

— Ele acordou indisposto hoje, mamãe foi levar o café para ele na cama. — respondeu sem tirar os olhos do jornal.

— Estranho, ele dormiu a viagem inteira. — comento enquanto começo a me servir.

— Mamãe comentou com você?

— Sobre o que? — pergunto de boca cheia, péssimo hábito.

— Sobre a festa de boas-vindas, nossa mãe acha importante fazer uma confraternização, para reunir nossa família, é um ótimo momento para ficarmos juntos, como ela costuma dizer: a nossa união é o que sustenta nosso lar.

— Estou de acordo, adoro festas! — sorrimos um para o outro, e voltamos a comer em silêncio.

Meu irmão mais velho sempre foi um espelho pra mim, temos uma conexão muito forte desde crianças, ele é o meu companheiro e confidente pra tudo, e não sei ao certo em que momento essa linha tênue começou a se perder. Antes éramos tão comunicativos, qualquer aventura lá estávamos, mas com o tempo isso foi se apagando, bem, somos homens agora, mas sinto falta de ter alguém com quem desabafar às vezes. 

Venho notado algumas atitudes do meu irmão desde nossa viagem, ele parece mais reservado e pensativo, como se algo o preocupasse e pesasse em seus ombros. Henry sempre soube lidar melhor com seus próprios problemas, enquanto eu tinha o lado mais emocional, mas com os anos aprendi a contornar isso. Eu só espero que meu irmão não esteja escondendo nada de mim.

— Eu estava pensado... — comecei, logo o vejo atender o telefone e levantar repentinamente.

— Desculpe, preciso atender. A gente pode conversar depois?

— Ah, claro. — dou de ombros. — Não é nada importante.

Me vejo sozinho de frente a mesa de jantar e como em silêncio, vários pensamentos vagos em minha mente, apenas saboreando cada pedaço das minhas bruschettas.

— Com licença, posso retirar seu prato senhor?

— Não, eu ainda vou...— perco minha fala ao encara-la.

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