Capítulo 5

248 27 6
                                        

Quando acordo já é manhã, tento me arrumar no banco e sinto uma dor no pescoço.
- Bom dia. - Sebastian me olha. - Está se sentindo bem?
- Bom dia, estou melhor do que ontem. - Olho ao redor. - Aonde estamos?
- Nova Jersey, aquele amigo que te falei mora aqui.
- Falta muito para chegarmos?
- No máximo 10 minutos, você quer parar em algum lugar...
- Não, vamos direto. - Olho novamente ao redor e percebo que estamos em uma área com mais árvores e campo.
- Ele mora em uma parte mais reservada. - Sebastian me fala como se estivesse lendo meus pensamentos.
Depois de passarmos por uma estrada de terra, vejo uma casa de campo ao fundo, Sebastian para o carro em frente a um cercado e desce, abrindo um portão e retornando ao carro, ele para o carro ao lado de um trator.
- Consegue descer?
- Acho que sim. - Abro a porta e movimento as pernas com dificuldade, por conta da tensão, parecia que havia tomado uma surra, meu corpo todo estava dolorido.
Sebastian pega as malas e eu o sigo, na porta de entrada um homem alto de cabelos castanhos claros e barba, nos esperava com um cachorro ao seu lado. Ao reconhecer de quem se tratava, o homem veio em nossa direção e abraçou Sebastian.
- Quanto tempo! O que aconteceu? - O homem direcionou o olhar a mim. - Você é...
- Elena. - Estendo a mão para cumprimentá-lo.
- Chris. - Ele aperta.
- Elena me ajudou...
- Você esta fudido não é? - Chris entra na casa e nos espera. - Eu te avisei que ia acabar nisso.
- Eu precisava saber o que realmente...
- Stan, aqueles caras não são de brincadeira, se te pegarem vão matar você e quem estiver te ajudado. - Sinto um frio na barriga. - Agradeço por ter me afastado de lá antes de acontecer alguma coisa, tem muita merda envolvida.
Permaneço em pé prestando atenção na conversa deles, pelo o que percebi, Chris também era um agente e estava afastado, reparando neste, percebo uma cicatriz em seu pescoço, aquilo não atrapalhava na beleza dele, ao contrário, poderia ser considerado um charme.
- Foi uma facada, quase acertaram na jugular. - Ele nota que estou olhando a cicatriz. - Stan me salvou.
- Então vocês trabalhavam juntos?
- O quanto ela sabe? - Chris pergunta para Sebastian.
- O necessário, ela não precisa se envolver mais ainda.
- Ela já está envolvida, se os viram juntos, eles já sabem de todo o histórico dela.
- Eu estou bem aqui! - Acabo falando um pouco irritada. - Chris, aonde tem um banheiro?
- Lá em cima, segue o corredor, segunda porta à direita. - Os deixo e sigo suas instruções, acho o banheiro e me tranco lá. Noto que o local é mais limpo do que eu esperava, os azulejos claros e a pia de mármore serviram como distração para o enjoou que eu estava sentindo, sento no chão e fico um tempo de olhos fechados e com a cabeça apoiada nos meus joelhos.
- Elena? - Sebastian me chama do outro lado.
- Eu estou bem, só quero ficar um tempo sozinha. - Eu ainda não tinha processado tudo, ficar ali apenas com os meu pensamentos me fazia lembrar dos meus pacientes, do hospital e de Jenny, nossa vida corrida e simples. Lavo meu rosto e abro a porta, Sebastian me esperava parado no batente.
- Levei suas coisas em seu quarto.
- Eu tenho um quarto? - Falo um pouco ríspida.
- Ficaremos com o Evans por um tempo.
- E se eu não quiser?
- Você não tem escolha, ou ficamos aqui, ou morremos sem um plano lá fora. - Ele começa a andar pelo corredor e eu o sigo. - Não vamos tornar isso mais difícil do que já é.
- Eu não pedi por nada disso!
- Deveria ter me deixado morrer então! - Sebastian e eu o encaro. - Este é o seu quarto, ou chame como preferir.
Ele sai a passos largos, entro no quarto e tranco a porta, aquilo era ridículo, por um momento me comparei a uma adolescente que foi contrariada, mas parecia que me tratavam como tal. O quarto era confortável, uma grande cama de casal forrada com lençóis brancos, um guarda-roupa pequeno e uma televisão apoiada em um suporte de parede, a janela dava a visão do campo verde e de um lago.
Pego uma calça, camiseta e roupa íntima em busca de um banho, precisava tirar aquela sensação ruim. Atravesso o corredor em direção ao banheiro, tento abrir e está trancado, espero alguns minutos apoiada na parede contrária e Sebastian abre a porta, sem camisa, com uma calça preta comprida e descalço, ele me encara enquanto passa a toalha no peito, seguro um suspiro, ele estava extremamente gostoso, ele sai e não fala comigo, indo em direção ao corredor de onde eu havia vindo.
Entro no banheiro e tiro minhas roupas, deixo a água quente cair sobre meu corpo, sentindo meus músculos relaxarem e meus pensamentos suavizarem, ao terminar, me visto e enrolo a toalha em meu cabelo, chegando na porta do meu quarto, há uma porta entreaberta ao lado, sabia que era errado entrar sem ser chamada, mas minha curiosidade era mais forte, empurro um pouco a porta e vejo Sebastian sentado de costas na cama, os músculos tensos, ele tirava as balas da arma e as limpava, como se tivesse percebido minha presença, ele se vira e eu corro até meu quarto, prestes a trancar, ouço duas batidas leves na porta, já sabendo de quem era.
- Oi. - Ele fala assim que abro.
- Oi.
- Bom, queria me desculpar do modo que te tratei.
- Está tudo bem.
- Eu não deveria ter sido tão grosseiro, eu não tenho esse direito, te tirei da sua vida. - Seus olhos azuis encaram os meus com intensidade.
- Eu não me arrependo de ter de ajudado.
- Evans vai preparar o almoço, se você quiser descansar um pouco. - Ele desconversa sem graça.
- Eu vou sim, obrigada Sebastian.
- Disponha. - Fecho a porta e me deito.
Por mais que eu tente, não consigo pegar no sono, mesmo meu corpo estando tão cansado. Levanto e penteio meu cabelo, decido descer e procurar algo pra fazer.
O cheiro de alho e cebola fritos me indicam a cozinha, Chris está na pia cortando algo.
- O cheiro está bom. - Me apoio na entrada da cozinha.
- Obrigado. - Ele me olha e volta a cortar. - Pensei que estivesse descansado, Stan me pediu pra preparar algo.
- Então ele consegue ser gentil?
- Ele não é essa pessoa que você está pensando, posso dizer que é um dos homens mais corajosos e com um coração enorme. - Ele joga os ingredientes na panela e começa a mexer. - Aconteceu muita coisa com ele.
- Por que ele está sendo procurado?
- Ele descobriu arquivos confidências e os envolvidos estão o caçando por isso.
- Que arquivos?
- Eu não poderia te falar nada do que vou falar agora. - Ele fecha a panela e senta em uma cadeira da mesa, me indicando a outra. - Mas você já está envolvida demais e essas informações não te colocariam em mais perigo do que já está.
- Vocês me assustam quando falam assim.
- Eu e Sebastian nos conhecemos desde criança, nossos pais trabalhavam juntos e como bons admiradores, queríamos ser iguais a eles. Entramos em um colégio militar e quando atingimos a idade exata, servimos por alguns anos ao exército. - Chris olhava para o nada, como se estivesse revivendo a lembrança. - Éramos os melhores e nos destacamos por isso, então o FBI nos fez a proposta.
- Seus pais eram agentes?
- Sim, mas não entramos por conta deles, não tem esse lance no FBI, ou você é o melhor, ou não entra. O pai dele queria se desvincular, como uma aposentadoria, não era tão fácil assim. - Ele me olha. - Em uma missão, o pai dele e o meu sofreram um ataque, o meu levou um tiro e ficou paraplégico e o do Stan...
- Aí meu Deus! - Coloco uma mão na boca. - Isso foi a quanto tempo?
- Um ano. Nossos pais eram como heróis, Stan era muito apegado ao dele, tanto que tentou ir atrás de respostas e do culpado, mas o FBI simplesmente arquivou o caso e entrou no esquecimento.
- Mas ele não.
- Nem eu, começamos a procurar aos poucos, porém quanto mais procurávamos, mais difícil era e mais perigoso. - Chris me mostra a cicatriz na jugular. - Minha última missão, uma facada aqui e outra na costela, ele me salvou e me afastaram depois disso, mesmo recuperado, não retornei. Sebastian achou os arquivos de nossos pais sozinho, queriam neutraliza-los porque não concordavam com o modo que algumas decisões eram tomadas e como as missões eram finalizadas, se você não concorda com o sistema, eles te tiram de alguma maneira.
- Uau, são muitas informações. - Passo as mãos no rosto.
- Eu sei. - Ele se levanta e vai até o fogão. - Eu só estou aqui hoje, por causa dele, devo a minha vida a ele.
Permaneço sentada e imaginando como Sebastian deve ter lidado com tudo, a morte do pai e saber que o trabalho que ele tanto admirava e almejava entrar, tinha sido o motivo da morte dele.
Vou até a varanda e sento na escada aonde batia um pouco de sol, a vista no campo era incrível, ouça a porta se abrindo e Sebastian senta ao meu lado.
- Aqui é lindo. - Falo.
- É sim. - Ele olha na mesma direção que eu.
- Chris me contou.
- Que parte?
- Tudo. - O encaro. - Eu sinto muito, por tudo o que aconteceu.
- Sempre tem pessoas ruins, em todos os lugares, até mesmo aonde deveria oferecer segurança aos outros.
- Você tem irmãos?
- Não, sou filho único, meus pais eram divorciados, mas tinham um bom convívio por minha causa, eram ótimos como amigos, sempre fui muito sozinho, gostava de ser independente, meu único amigo foi o Evans, nossos pais eram amigos, seria impossível não sermos próximos.
- É bom ter alguém que se possa confiar, eu e Jenny somos assim. - Ao falar o nome dela a saudade me invade.
- Depois vou tentar entrar em contato com ela para conversarem. - Ele me olha.
- Obrigada e me desculpa por ter te julgado mal.
- Você estava me julgando? - Sebastian arqueia uma sobrancelha e sorri.
- Talvez sim...- Dou risada. - Sei que aí no fundo ainda vive o seu lado gentil.
- Vamos entrar, estou morrendo de fome. - Ele me estende o braço e eu o acompanho.

————————————————————————

Desculpa a demora pra postar, pra compensar escrevi bastanteeeee, espero que gostem!

BeginningsOnde histórias criam vida. Descubra agora