Capítulo 1

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Mariah

Fecho a minha última mala após a conferir pela milésima vez tudo que estou levando para o meu novo lar. Desço todas as malas com cautela até o lado de fora da minha antiga casa e vejo que o uber que eu chamei há poucos minutos, já havia chegado.

Com a ajuda do simpático motorista, eu coloco minhas malas dentro do porta malas. Olho para a enorme casa, apesar de tudo, irei sentir falta de morar nesse lugar.

Depois de um longo trajeto, chegamos ao aeroporto. O motorista me ajuda a retirar as malas do carro, eu pago o mesmo e entro no aeroporto.

Faço todas as exigências e já estou entrando no avião. Procuro meu lugar e me sento olhando para a janela. Coloco meus fones e logo uma lágrima isolada desce por meu rosto.

Sei que estou arriscando tudo por conta de um sonho, mas eu não poderia seguir os sonhos de outras pessoas para mim. Entendo que meu pai trabalhou e se esforçou muito para se tornar o grande e renomado doutor Marcelo Mancini. Mas ser médico era o sonho dele e eu estou indo atrás do meu.

Meu pai me machucou muito com suas palavras, me machucou ainda mais com suas atitudes. Ele sabia que hoje era o dia que eu iria embora e não foi se despedir de mim. Além de recusar todas as minhas ligações desde ontem à noite.

Meus amigos e meus avós também não fizeram questão de se despedir de mim. Parece que acham mesmo que eu estou sendo louca ou realmente não se importam nenhum um pouco comigo.

Mas eu me importo comigo, eu trabalhei e irei trabalhar muito mais. E isso é mais do que o suficiente!

Abandono esses pensamentos e resolvo focar que tudo dará certo para mim nesse lugar. New York muda vidas, não é? Estou ansiosa para finalmente morar na cidade que realiza sonhos.

...

Horas se passaram e finalmente estou em solo novayorkino. Respiro fundo após sair do aeroporto e de uma forma, mesmo sem ter vindo aqui antes, sinto que esse é o lugar a qual eu pertenço.

Chamo um táxi e mostro a ele o meu endereço. O motorista além de me ajudar com as malas, disse que eu escolhi um ótima localização para morar, já que naquela parte de New York há tudo que uma pessoa precisa (farmácia, marcado, padarias e restaurante).

Chego em meu destino, pago o motorista e entro no prédio com as minhas malas.

Mariah: Boa tarde! - Digo para o homem que está na portaria do prédio

Porteiro: Olá senhorita, como posso te ajudar?

Mariah: Eu comprei um apartamento aqui nesse prédio, me chamo Mariah Mancini

Porteiro: Ah claro, irei chamar a síndica - ele diz amigavelmente indo em direção ao telefone e eu me sento em uma das confortáveis poltronas da recepção a espera da síndica.

Pouco tempo depois, a síndica aparece e me mostra o meu apartamento. Assino as questões jurídicas que faltavam e só poderiam ser tratadas pessoalmente. A simpática senhora me dá todas as informações necessárias e se retira logo após. E eu tranco a porta observando o meu lar

Meu apartamento fica no 12° andar e é o único apartamento ocupado desse mesmo andar. Se eu não me engano, existem mais 3 apartamentos.

É bem espaçoso e aconchegante como demonstrava ser pelas imagens. Tem uma sala bem extensa, uma cozinha, um banheiro, uma lavanderia e duas suítes com closets, sendo uma maior por ser a principal (onde será o meu quarto).

Abro minha mala no meio da sala mesmo, pego uma roupa bem confortável e quentinha para aguentar o frio congelante que faz aqui hoje. Vou até meu quarto, que está decorado perfeitamente, pego uma toalha e aproveito para ligar o aquecedor.

Entro no meu banheiro e tomo um longo e relaxante banho. Fico, mais ou menos, uns trinta minutos debaixo da água que se misturou as minhas lágrimas.

Saio do banho, me seco, coloco minha roupa escolhida e também calço minhas botas. Eu queria muito deitar nessa imensidão de conforto que eu chamo de cama, mas meus armários e geladeiras estão vazios. Preciso fazer compras.

Pego minha bolsa e saio de casa. Vou até a portaria e peço informações sobre o mercado mais próximo. O porteiro, que se identificou como Robert, disse que se localiza no final da rua. Agradeço e saio do prédio

Decido ir caminhando mesmo para conhecer mais o lugar e apesar de ter todas as coisas necessárias, é um local calmo. Coisa que eu não esperava ver nas ruas de New York, mas fico feliz por isso mesmo estando empolgada para viver na agitação dessa cidade.

Mas antes de chegar ao mercado, passo em frente à uma floricultura e vejo que estão procurando por funcionários. E olha a coincidência, eu estou procurando por empregos. Resolvo entrar.

Mesmo tendo economias suficientes para manter uma vida boa durante bastante tempo, não posso viver como se meu dinheiro jamais fosse acabar. E somente um serviço poderá sustentar minhas boas condições, já que não posso contar e não quero depender do meu pai.

Assim que abro a porta da floricultura, ouço o barulho do sino avisando que alguém adentrou no local. Logo o cheiro de flores inundam minhas narinas e meu sorriso se abre instantâneo.

Uma coisa curiosa sobre mim, eu amo flores. De todos e mais diversos tipos. Desde criança eu amo o perfume, as cores e principalmente as sensações boas que as flores me trazem.

E por amar tanto esse mundo das flores, eu fiz dois anos de um curso sobre jardinagem. Aprendi as coisas mais inusitadas e necessárias que uma pessoa pode saber sobre plantas.

Moça: Olá, como posso ajudar você? Por favor, me diz que está interessada no cargo - Uma senhora com seus cabelos loiros curtos diz para mim

Caramba, eu não conheci ninguém da minha idade por aqui ainda.

Mariah: Sou nova na cidade e estou interessada no emprego - ela sorri e eu acompanho o gesto

Moça: Graças aos céus! Eu sou a Rute - ela me abraça e eu retribuo - E você, como se chama?

Mariah: Meu nome é Mariah, muito prazer em te conhecer.

Rute: Gosta de flores? - eu sorrio

Mariah: Eu diria que amo! Busquei até conhecimentos profissionais de tanto amor por essas coisas frágeis e lindas - digo acariciando um lírio

Rute: Você fez jardinagem? - Ela praticamente grita com tamanha empolgação e eu apenas rio assentindo - Você foi enviada pelo céu pra mim! Quando você pode começar?

Mariah: Pode ser amanhã? Eu cheguei hoje de viagem e ainda tenho algumas questões acadêmicas para resolver

Rute: Como hoje é quinta feira ainda, você pode começar na segunda. Assim você tem tempo para se ajeitar e conhecer mais um pouco da cidade.

Mariah: Perfeito!

Fico mais um tempo conversando com Rute, que já me proibiu de chamá-la de senhora, e ela me explica como vai funcionar o trabalho. Irei trabalhar somente meio período e ainda irei ganhar uma quantia generosa.

Rute disse que tem uma condição boa há anos, mas decidiu abrir a floricultura por paixão mesmo. Me contou sua vida quase inteira, essa mulher com certeza já ganhou um espaço no meu coração.

Lembro que ainda tenho que ir ao mercado, então deixo meu número de celular em um papel pra Rute, me despeço da mesma e vou em direção as minhas compras.

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