Mariah
O show foi encerrado e agora estamos em uma espécie de after em uma parte do estádio para comemorar essa grande conquista de Benjamin. Nesse momento, ele ainda não chegou pois está no Camarim tirando fotos com seus fãs.
Estou sentada a mesa junto com Manu, Jordan e os pais de Ben conversando sobre tudo o que rolou essa noite. Estamos muito orgulhosos.
Rute: E a música? Tão linda!
George: Deu para ver o sentimento do Ben em cada pedaço. - seu olhar é de admiração.
Eu pagaria milhões para meu pai me olhar assim uma vez na minha vida.
Mariah: Ele me surpreendeu tão genuinamente. - eu sorrio lembrando do momento - Vou guardar esse dia para sempre
Jordan: Postaram sobre vocês em alguns sites de fofocas e seus nomes estão em alta no Twitter
Mariah: Jura?
Manu: Aham! Depois você vê - e como eu sou curiosa ao extremo, pego meu celular na mesma hora para saber o que estão falando de mim.
E eu sou bombardeada de comentários! Apesar de ter alguns bons, a grande maioria são xingamentos. Depois da noite de hoje, eu acreditei de coração que os fãs me aceitariam bem como foi no show. Como fui ingênua!
"Ela faz aula de canto, só está com ele para se beneficiar"
"Mariah também trabalha para a mãe do Ben. Fazendo de tudo para crescer as custas deles"
"Ela é estrangeira. Deve estar querendo cidadania americana"
"E ela nem é tão bonita assim. O que Benjamin tinha na cabeça?"
" O corpo dela é tão estranho. Parece um palito de tão magra"
Esse são os comentários mais leves. Mas tem uma enxurrada de outros ainda mais cruéis. Tento disfarçar ao máximo, mas com certeza é inevitável a minha tristeza lendo os comentários.
Nunca agradeci tanto por ter as redes sociais trancadas, assim essas pessoas não tem acesso direto a mim.
Mariah: Acho que eu não fui tão bem recebida assim - eu rio sem graça
Manu: Deixa isso pra lá, Mari. As pessoas falam muito
Rute: E falam o que não sabe. Você é uma menina maravilhosa. Não dê ouvidos a eles.
Mariah: Tá tudo bem, gente. Isso não me afeta.
George: Assim que se fala! - eu sorrio
Vejo Benjamin entrando no espaço acompanhado de Joe e Charlie, logo me levanto. Aviso o pessoal que vou ao banheiro e já voltava. Eles assentiram e continuaram a conversar normalmente. Graças aos Céus não pesei o clima com o outro assunto.
Entro no banheiro que é um cubículo e me sento sobre a tampa fechada do sanitário. Tento me controlar o máximo possível mesmo com o nó apertado na garganta. Algumas lágrimas teimosas descem e o meu coração começa a palpitar forte. E é nesse momento que eu tenho a péssima ideia de pegar o meu telefone.
Tem uma mensagem do meu pai.
Eu abro imediatamente e sou surpreendida por suas palavras.
"Não bastava ser a minha vergonha no Brasil e agora está sendo internacionalmente. Sabe quantos amigos importantes me encaminharam essas benditas fofocas, Mariah Mancini?
Como fica a minha reputação aqui com a minha filha se deixando ser usada por um homem só para se tornar cantora? Francamente! Eu achei que você não fosse jogar tão baixo. Você é muito pior do que eu poderia imaginar. Não me canso de sentir raiva de você! Você é uma completa inútil, incapaz, sem noção e vagabunda. Maldito o dia eu te quis!
Nunca mais me dirija a palavra! ME ESQUEÇA!"
Apenas o bloqueio de todas as redes sociais e de todas as formas que ele possa voltar a ter contato a mim. Hoje foi um basta!
As lágrimas insistem em sair, mas eu a seguro quando alguém bate a porta. Abro e é uma moça da produção querendo usar o banheiro. Saio e finjo que nada aconteceu com a minha maior cara de pau.
Moça: Desculpa atrapalhar! - ela sorri simpática
Mariah: Não me atrapalhou - eu sorrio também - Sabe me dizer onde tem uma sala mais afastada de todos? Preciso fazer uma ligação importante
Moça: Segue esse corredor e vira a direita. Tem um vestiário feminino vazio lá - eu agradeço e ela entra no banheiro. Sigo o caminho que me foi proposto e entrou no vestiário que é muito bem limpo e fofo.
Me sento em um banco entre os armários e ali eu me permito desabar, mesmo que seja por um breve tempo.
Ali eu choro de soluçar sem me importar se alguém irá ouvir já que estou afastada de todos.
A dor preenche meu coração de uma forma absurda e eu me questiono quando é que tudo realmente ficará bem. Minhas fases boas parecem ser tão rápidas e logo eu sou atingida por uma avalanche de coisas que me jogam no chão novamente. Como é difícil ser perseverante.
As minhas costas doem de tanto chorar, então eu me levanto do banco e me sento no chão apoiada em um armário. Lágrimas inundam o meu rosto e nesse momento nem a maquiagem resistente à água foi o suficiente. Tudo se derrama, principalmente meu coração.
Penso nas coisas que disseram a meu respeito, sobre meu corpo e minha índole. Pessoas que nem me conhecem, a maioria nunca me viu e tem todas essas certezas sobre mim. E o pior de tudo, é saber que o meu genitor concorda com cada uma dessas palavras, acredito que ele ache coisas ainda piores sobre mim.
Como eu poderia negar? Não é sempre a maioria que vence?
Como dói! Dói se sentir insuficiente, dói mudar sua visão a respeito de si de uma forma tão drástica em segundos, dói ouvir que você está com a pessoa que ama por interesse. Dói nunca ter tido amor de pai e mãe, dói duvidar da sua capacidade.
De repente um furacão parece arrombar a porta e eu me assusto com o barulho. E na expectativa que não me encontrem, permaneço quietinha e encolhida no meu canto.
Ben: Mariah, cadê você? - permaneço calada - Eu sei que você está aqui, só me responde. - Não deu tempo de responder pois ele me encontrou e os nossos olhares se cruzaram.
Mariah: Tô aqui - saiu como um sussurro e as lágrimas ainda desciam freneticamente. Bemjamin não mede esforços e corre até mim, se sentando ao meu lado e me puxando para o meio de suas pernas. Onde ele me envolve em seu abraço e onde eu me permito ser vulnerável de verdade tentando colocar toda dor que habita em mim há anos para fora.
Não sabia que acumular dores doeria mais do que senti-las quando causadas.
Ben: Pode chorar, linda! Eu estou aqui com e por você. Nós temos todo o tempo do mundo. -Ele me abraça ainda mais forte, ato que me faz expulsar minha dor em gritos, soluços e lágrimas. O meu choro parecia ser mais intenso a cada instante, minha mente me fazia recordar de coisas que eu não lembrava há séculos. E incrivelmente a dor parecia diminuir com isso.
Realmente, as vezes é preciso que doa tudo para que não volte a doer nunca mais.
Benjamin não se move, nem fala mais nada. Apenas fica ali abraçado a mim sem se importar se meu choro misturado com minha maquiagem mancharia sua roupa. Ele não se importou com o tempo, com as pessoas ou em procurar palavras para me dizer. Sua única preocupação era eu e que eu tivesse certeza que ele estava ali 100% por mim.
E eu nunca me senti tão amada quanto hoje.
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Teen FictionNós somos conexão antes de nos conhecermos. Nossos corações batem na mesma sincronia, dançamos os mesmos passos e se em um momento a música para, a gente canta a canção que vem de dentro e continuamos a bailar! Nós somos exatamente aquilo que preci...
