Mariah
Não consigo acreditar que ele postou aquela música justamente no dia que a minha estourou, com certeza isso foi proposital.
Será que o Benjamin acredita que eu estava o usando para conseguir fama? Eu espero de coração que ele
me conheça o suficiente para saber que eu nunca faria isso. Mas o fato dele ter lançado uma canção que é praticamente uma resposta a minha, me faz duvidar um pouco dos achismos dele em relação a mim.
Segunda feira, tudo voltando a rotina. Obvio que daqui para frente as coisas serão muito difíceis, mas não há nada o que eu possa fazer para mudar essa realidade, minha única opção é enfrentá-la.
Levanto da cama alguns minutos antes do meu despertador tocar e vou direto tomar um banho. Saio, visto minha roupa e vou para cozinha preparar o meu café da manhã. Esse final de semana foi extremamente difícil me alimentar bem, minha única vontade era chorar e chorar um pouquinho mais.
Tem sido difícil demais assimilar tudo o que aconteceu de repente. Parecia que estava tudo bem, que o nosso relacionamento estava bem. No final das contas, apenas parecia mesmo, mera ilusão.
Me sinto uma idiota por ter me entregado, me permitido sentir demais, por ter confiado plenamente. Me arrependo amargamente por ter permitido que meu coração amasse Benjamin Priozi de uma forma tão avassaladora.
Queria eu ter o poder de impedir certos sentimentos.
Quando percebo estou chorando novamente e o meu café já esfriou. Desisto de tomar algo e apenas como as torradas que preparei com geleia.
Ouço o toque do meu telefone e vou correndo o pegar já que o esqueci em meu quarto. Vejo que um primo meu que já fomos bem próximos estava me ligando por facetime, o atendo.
Ele é filho da minha tia, irmã do meu pai por parte de pai. Ela é uma mulher maravilhosa, mas também perdemos o contato desde sua última briga com meu pai. Eu deveria ter uns 14 anos na época.
Ligação on
Miguel: Como assim você foi morar em outro país, não fala mais com seu pai e virou cantora?
Mariah: Meu Deus! Que saudade de você. Só te acompanho pelas redes sociais.
Miguel: Saudade também, pequena! Você está tão diferente, tão bem e muito corajosa.
Mariah: Fui obrigada a ser, mas estou amando essa minha versão.
Miguel: Estou orgulhoso!
Mariah: Me conta, como estão as coisas por aí? Luna e Helena estão bem? Elas são lindas
Miguel: Estamos bem! Elas são mesmo, os amores da minha vida. Não poderia estar mais realizado.
Mariah: Fico muito feliz por isso, você merece. Quero conhecê-las pessoalmente.
Miguel: Era justamente esse o motivo da minha ligação. Estamos indo morar aí!
Mariah: Jura? que notícia maravilhosa, Miguel!
Miguel: Sexta-feira nós chegamos. Recebi uma proposta muito boa para trabalhar no Brooklyn e decidimos ir.
...
ligação off.
Conversamos por mais um longo tempo e já marcamos de nos encontrarmos no sábado de manhã. Miguel me explicou que minha tia Clarissa, mãe dele, conversou com meu pai e os dois se desculparam. Mas meu pai, como já era de se esperar, me detonou para família inteira. Miguel e minha tia se preocuparam muito comigo e por isso fizeram questão de me procurar para saber como eu estava. Expliquei por alto e disse que no café poderíamos conversar melhor.
Fico feliz que uma parte da minha família se importe comigo e isso me deixou ainda mais emotiva.
Como fiquei por bastante tempo em ligação, acabei me atrasando para sair de casa. Geralmente eu vou andando trabalhar, mas como estava atrasada decidi ir de carro. Essa foi uma escolha bem tosca levando em consideração o trânsito caótico desta cidade.
Depois de alguns longos minutos, finalmente chego no meu trabalho e vejo que a floricultura já está aberta. Merda!
Entro e me deparo com George e Benjamin conversando com um outro homem desconhecido por mim.
Meu coração gelou. Eu faria loucuras para não ter que ver Ben agora, mas não posso o evitar, esse aqui é o meu trabalho e infelizmente ele é praticamente o meu patrão.
Mariah: Bom dia! - Todos me cumprimentam - Desculpe o atraso, estava resolvendo uns assuntos importantes e o trânsito não me ajudou muito.
George: Sem problemas, minha querida - ele sorri amigável e eu devolvo o sorriso - Esse é o Robert, corretor imobiliário.
Mariah: Vocês vão fechar e vender a floricultura?
George: Não temos muito o que fazer, Mari. Rute foi muito feliz aqui e tenho certeza que ela tem muito orgulho desse projeto lindo, mas não podemos dar continuidade. Benjamin e Manuella tem suas respectivas profissões e carreiras, eu também. Você está construindo a sua e estudando, infelizmente não irá sobrar muito tempo para administrar.
Mariah: Entendo perfeitamente, entretanto também acho que Rute não gostaria que tudo acabasse assim. Faça desse espaço um memorial para ela, enquadre as flores, exponha fotos dela fazendo o que ama, deixe com que as pessoas continuem tendo acesso à toda inspiração que ela sempre nos trouxe. Esse lugar é transformador e tem a cara de Rute, não pode apenas ser um outro comércio qualquer. - respiro fundo - São só ideias, não precisam me levar a sério.
George: Eu achei fantástico
Benjamin: Acho que não iremos mais precisar dos seus serviços, Robert. Agradecemos a disposição! - ele assente e se retira do local
Mariah: Essa também é a minha deixa. Agradeço muito a oportunidade de ter cuidado desse lugar um pouquinho.
George: Temos que acertar o que te devemos.
Mariah: Não é preciso, George. Fique tranquilo quanto a isso
George: Só ficarei tranquilo quando me deixar lhe pagar o que é seu por direito
Ben: Aceita Mariah! Isso é seu direito, não é capricho - reviro os olhos
Mariah: Por favor Benjamin, não me diga o que fazer - respiro bem fundo - No computador tem meus dados bancários. Mais uma vez George, muito obrigada pela oportunidade e por todo o carinho. Jamais irei esquecer o que você e sua família fizeram por mim. Conte comigo caso precisar.
George: Nós que agradecemos. - ele me dá um breve abraço e eu saio da floricultura praticamente correndo. Estava doida para fugir daquele ambiente, meu ar já estava faltando.
Entro no meu carro e fico uns 10 minutos parada olhando para o nada tentando controlar minha respiração. O poder que esse menino tem sobre mim vai além do que eu possa descrever ou impedir.
E isso tem me torturado.
Dou partida com meu carro na maior velocidade que consigo tentando achar algum lugar para pensar, chorar e sentir tudo.
Acabo apenas dando voltas com meu carro voltando para o meu apartamento mesmo antes que eu morra dirigindo igual a uma louca nessa cidade conturbada.
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