Partindo na alvorada
Ouve-se o som de leves asas
A bater pelo céu frio
Partem pássaros na revoada
Lar é onde se sente amado
Onde se deseja muito estar
Foi uma parceira e tanto ao meu lado
Mas pássaros têm de revoar
Partiu pássaro negro, de penas em furta-cor violeta
Para o coração do deserto
Dessa floresta úmida e sufocante
Afim de sentir o amor mais perto
Quando ainda estávamos no ninho
Achamos que éramos um par de corvos
Mas éramos crias da noite
Com asas cromadas em tantas cores
Que ofuscaram os corvos à volta
Somos pássaros inominados
Que calados estão a gorjear
Descobrimos o céu em momentos próximos
Passarinhos a voar
Os frutos daquele Éden eram doces
Mas não nos pertenciam
Somos crias da noite misteriosa
Entre homens de barro e mulheres de costelas
Ambos, dois pássaros, pereciamos
Hoje, os pássaros inominados,
De canto sedutor e noturno
Voam de cá e de lá
Em busca do seu irrevogável rumo
O revoar é destino,
Quando não se conhece um lar
Pois 'quando não se sabe para onde ir'
Qualquer caminho desemboca lá
Agora és o inominável do deserto
Ave mística e obscura
Sigo daqui, desta floresta
Que vibra em loucura diurna
Um dia te encontro no deserto
Ou vinde à floresta do furor
Quem sabe, em um momento desta jornada
Pois somos pássaros viajantes
E pássaros sempre partem na revoada
Para Ana Keveny, minha amiga que sobrevoa o deserto.
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Rabiscado e Rimado
PoetryPoemas de autoria de Edgar F. Netto. Uma simples sinopse não comportaria As palavras que quero depositar, E tentando tornar noite em dia poucas palavras tentarei rimar...
