Pode ouvir,
Aqui ressoar?
Pode sentir?
Vem pra brincarDas trevas da floresta que esconde o mal de Deus
Oculta suas criaturas à imagem do criador seu
Nem Icaro poderia ver ao sobrevoar
A melodia que o fauno toca sem pararFamelus era o último que havia sobrado
Sozinho naquele mundo encantado, derturbado
Vossos chifres sequer nasceram
E o fauno já pensa que eles o esqueceram
Não tem outro fauno para se espelhar
Por tal lhe cobram que seja o mais espetacularFauno sou, com minha arpa a tocar
Se o sol não me for favorável,
Numa flauta irei soprar
Mas se mesmo assim o folego não me vier
Dançarei com meus cascos fingindo ter péSou um fauno sem espelho, sem reflexo pra ser
Um vampiro sabe mais, como irei um dia crescer?
É pecado desejar isso? Oh santo criador!
Que deu a mesma vida aos nobres,
Mas que me largou aqui, sem preço, nome, nem valorPois sou um fauno pensador, sem tom nem piedade
Meu pensamento é minha foice
E eu ceifo minha realidade
Separando meu trigo do joio
Me faço o que penso ser certo
Já fui um elfo tocador,
Mas ninguém me disse que foi o correto
A quem vou me espelhar,
Se os corações são de concreto?Nos jogaram neste mundo e nos despiram sob o sol,
Espero novamente poder tocar harpa
E diferente de mim, servir para alguém de farol
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Rabiscado e Rimado
PoésiePoemas de autoria de Edgar F. Netto. Uma simples sinopse não comportaria As palavras que quero depositar, E tentando tornar noite em dia poucas palavras tentarei rimar...