Não Importa

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Aproveitando que seus irmãos estavam ocupados demais ignorando uns aos outros, Xiaojun viu uma oportunidade para se distrair de todo aquele clima causado por Sungchan.

Desde aquele desentendimento, o loiro planejava algumas ideias em sua mente. Era muito fácil seguir o mesmo caminho para escola junto ao irmão e despistá-lo quando não este estava vendo, assim fugindo para outro lugar.

Xiaojun não se importava se Sungchan soubesse que estava matando aulas. Talvez esse era o seu objetivo. Seria melhor ainda se seus outros irmãos soubessem também. E talvez esse fosse sua vontade. Perturbar a paciência de cada um, enquanto aproveitava um tempo só para si fora da escola.

O loiro andava sozinho por uma rua pouco movimentada, vendo que algumas pessoas voltavam de seus serviços e outras ainda permaneciam trabalhando. Naquela noite, Xiaojun não conseguiu segurar sua sede de sangue, que fazia tempo que não se aproveitava de um humano inocente e distraído em algum canto da cidade.

Notícias estavam sendo publicadas sobre desaparecimentos nos últimos dias e o loiro só destacava os aumentos desses casos. Queria encontrar outros vampiros que também rondavam pela cidade, mas sabia como era conhecido entre os demais por causa de seus irmãos. Precisava ter muito cuidado ao encontrar algum vampiro que odiava seus irmãos por causa de suas regras.

Foram mais quinze minutos andando até encontrar um pequeno bar com poucas luzes e com algumas pessoas de estilos peculiares entrando no local. Por algum motivo, se sentiu atraído e decidiu adentrar aquele lugar.

Já dentro, percebeu que não era tão barulhento quanto a maioria dos bares da cidade. As pessoas ali não conversavam alto, uma parte ficava em uma área para jogos, outra ficava nas mesas ou no balcão bebendo e tinha a parte que ficava pelos cantos apenas observando.

Xiaojun adentrou ainda mais o lugar, sentindo uma sensação diferente que o deixou em alerta. Ele se sentou em uma das cadeiras de uma das mesas mais afastadas, tentando não ficar muito paranoico com essas sensações, mesmo sendo difícil.

Quando pensou em se levantar para sair dali, ouviu uma risadinha ao seu lado e foi só o indivíduo se sentar na cadeira em sua frente que pôde ver quem era. Ele não esperava ter que se deparar com a presença de Kun tão cedo, então ficou atento a cada movimento que ele pudesse dar.

- O que o garoto está fazendo sozinho em um lugar com este? – perguntou o mais velho. – Pelo o que eu sei, seus irmãos são muito protetores e restringem todas as suas saídas. É a segunda vez que te vejo fora do olhar deles.

- Não é da sua conta o que vim fazer aqui – respondeu a ele, se mostrando nervoso e arisco. – Não devo satisfação para você.

O outro parecia ter noção do temperamento do loiro. Tentaria lidar com ele de um jeito não tão complicado. Kun até pretendia destruir cada um daqueles irmãos, porém surgiu uma ideia que viria a ser vantajoso para si.

- Tem razão – concordou com a fala do outro loiro. – Você pode fazer qualquer coisa nesse momento, já que não tem nenhum responsável te vigiando. Aliás, não já passou do tempo de não precisar dar satisfação a eles?

O mais novo o olhou surpreso. Não era possível ainda não ter recebido uma ameaça daquele cara em sua frente. Eles eram inimigos, até onde sabia. Era melhor desconfiar de tudo o que ele falava.

- Você não me engana. Por que estamos conversando como se fossemos civilizados e não tentando arrancar a cabeça do outro?

Kun soltou uma risada baixa. Parecia se divertir com aquela situação. Olhou em volta e chamou um garçom em específico, que parecia aguardar pelo seu sinal. Pediu duas bebidas, sem nem precisar falar qual era e o garçom pareceu ter entendido. Viu o mais novo estranhar sua ação de imediato, enquanto se manteve relaxado.

- Eu gosto de frequentar esse bar, porque um amigo meu trabalha aqui – apontou para o garçom que voltava com as bebidas e as pegou, oferecendo uma a Xiaojun.

O loiro não acreditava que um garçom havia acabado de trazer dois copos com o líquido vermelho que tanto suspeitou desde que chegou ao local. Com a presença de Kun em sua frente, mal reparou que o garçom estava de olho neles. Ele era um humano e, estranhamente, conhecia o vampiro em sua frente. Fixou seu olhar no nome gravado em seu uniforme e o identificou como Ten. Não iria esquecer quando voltasse para casa.

Ao voltar a encarar o Qian, Xiaojun decidiu aceitar a bebida, visto que se tornou mais difícil controlar sua sede naquele momento.

- Por que ainda não fez nada comigo? – sabia que a hora estava passando, mas não iria voltar sem antes ter alguma resposta do outro.

Com os olhos voltados à bebida, Kun o responde:

- Não estou a fim de ter uma luta do jeito que você está pensando. Só queria aproveitar um pouco mais para te conhecer.

- O que? Olha aqui, eu não vou dizer nada sobre...

- Sabe, eu estou muito curioso para saber o que se passa na mente de um vampiro como você – ao cravar o olhar nele, acabou sorrindo. – Está aqui escondido de toda a atenção de seus irmãos e eu achei isso bem interessante. Posso dizer que estou até admirado.

Xiaojun ficou em silêncio por um tempo, sem palavras para discutir com ele. Tomou mais um gole de sua bebida e logo voltou a se pronunciar.

- Não importa. Estou cansado de agir do modo que eles acham correto. Eu não sou um humano.

O mais velho sorriu com o que ouviu. Ele estava conseguindo fazer o Xiao conversar consigo e até desabafar. Achou que era a hora perfeita para avançar com seu plano.

- Eu entendo você, mas preciso dizer que se quisesse mesmo ter os hábitos de qualquer outro vampiro que não pretende viver com os humanos, teria conseguido um jeito para isso.

- Aonde está querendo chegar, Kun?

- Se permitir que eu lhe mostre que pode permanecer saindo por aí sem permissão ou, até mesmo, desistir de conviver com eles, te ajudo a nunca ser pego.

Por mais que soubesse que não deveria ouvir o que o outro dizia, Xiaojun não podia negar que aquele convite parecia ser um tanto quanto tentador. Mas não iria aceitar, ao menos naquele instante.

- Eu dispenso a sua ajuda. Não esqueci que ainda somos inimigos.

Era óbvio que Kun não iria desistir. Sabia que tinha plantado a semente da dúvida na mente de Xiaojun. Portanto, pegou um guardanapo, escreveu seu número nele e deixou em cima da mesa.

- Pensa no que eu te disse. É uma pena que prefira continuar negando sua identidade para o bem dos humanos – se levantou e foi em direção ao caixa pagar pelas bebidas. Em seguida, acenou para o loiro antes de finalmente sair do bar.

Xiaojun olhou para aquele guardanapo, pensando se deveria o pegar. Sabia que teria graves consequências se o fizesse, mas sua ideia de se arriscar ainda lhe consumia. Então, pagaria para ver?

Depois de alguns segundos, o loiro pegou o número e o guardou em seu bolso.

Young and Pure - SungtaroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora