10. Triângulo das bermudas

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A ansiedade disparava por meu corpo enquanto eu -assim como todo o resto da equipe que estava no compartimento do dormitório - vestia o jaleco por cima das roupas que foram dadas para dormir. Arthur, por outro lado, parecia o mais calmo mediante as circunstâncias. Ainda pouco desperto do seu sono, ele se levantou e pôs a mão no meu ombro quando eu estava prestes a sair da cabine com o restante dos estudiosos.

- Você precisa ficar calma - Falou com sua voz assustadoramente rouca.

Sua mão afagou o meu ombro de forma que me fizesse relaxar a musculatura tensa.

- Eu sei, não estou nervosa. - Respondi, deixando o conforto do Curry para ir até a sala de controle.

Eu não menti para Arthur, não estava nervosa. De certa forma, eu sabia lidar com infortúnios. O que havia em mim nessas situações não era uma irritação; apenas uma chama que me instigava a agir. Um impulso vigoroso. Não sou o tipo de pessoa que espera a poeira baixar, eu sou aquela a expulsa.

- Vamos mandar uma equipe para averiguar o motor - Disse Joanna assim que chegamos na sala.

A Tenente encarou um grupo de apoio que a acompanhava em suas expedições, até que seu olhar percorreu para o homem ao meu lado.

- Arthue! Precisamos de você também - Assim que ela proferiu, os oficiais com inúmeras medalhas ao seu lado saíram da sala.

Provavelmente eles iriam começar a se aprontar para descobrir o que poderia estar assolando um submarino que prometia ter uma tecnologia futurista. Arthur me olhou receioso do que deveria fazer, mas depois daqueles breves segundos em que seus olhos tremularam sob mim ele finalmente se moveu para juntar-se aos demais.

- Não se preocupe Mera, não voltaremos atrás. - Falou Joanna

Eu assenti, inicialmente não compreendendo o sentido de suas palavras. Já que, dependendo dos danos causados seria inviável por todos os outros em risco. Independente disso, me aproximei da mulher e do painel cujo expunha a nossa rota; o submarino destacado pelo símbolo da Wayne Enterprises em meio toda aquela marcação, e olhando para as informações que eram fornecidas eu notei que nos aproximávamos do Triângulo das bermudas.

- Estamos desviando da rota. - Falei, apontando para as coordenadas

Joanna imediatamente olhou para mim com uma expressão endurecida, rapidamente se aliviando com um sorriso inocente. O gesto despertou um pensamento perigoso, como um sussurro oriundo do meu sub-conciente de que algo não estava certo. Digo, ela nunca pareceu arrogante, muito pelo contrario. No entanto inocência não fazia parte do caráter imponente da Tenente, a menos que ela precisasse passar essa imagem.

Percebendo minha rejeição ao seu gesto, Joanna se aproximou e ampliou o holograma de forma que os feixes formassem uma imagem maior.

- Parece controverso, mas há uma zona segura no Triângulo das Bermudas, estaremos indo para lá caso o motor não retorne ao funcionamento como o esperado.

- Então o que quis dizer com "Não voltaremos atrás"?- Perguntei, a fazendo suspirar como se estivesse se esforçando.

- Não vamos voltar para Baía. - Ela explicou, pescrutando minha feição com divertimento.

Alarmes dispararam e com eles o fervor pelo meu sangue, instintivamente minhas mãos se fecharam em punhos ao lado do meu corpo, e me tornei inexpressiva para não dar a ela esse sabor. Todo o clima denso foi abruptamente quebrado com um grito estridente.

Um grito dele

Arthur

Eu imediatamente me virei para o visor procurando qualquer câmera que me desse um vislumbre do que tinha acontecido. Nada. Aquela chama que me despertava o impulso para agir se tornou abrasiva, e eu quis buscar por ele, ajuda-lo como fiz com o Énguia, como faria novamente. Mas quando me virei para ir até a saída, eu encontrei a feição de Joanna esculpida sublimamente por um orgulho evidente.

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