SIMON BRADLEY
Quando conheci Mera ela era uma cientista em ascenção, com conquistas continuas que traçavam um caminho inegavelmente próspero para o seu maior objetivo. Comprometimento e disposição é tudo que se busca em um profissional. Não tinha como negar trabalhar com ela. Mas também não tem como conviver com Mera Sullivan sem se apaixonar por sua força de vontade esmagadora e sua personalidade explosiva.
Todos os dias eu chegava de manhã no laboratório e esperava pelo momento em que o sol se abriria para incandescer os fios ruivos de seu cabelo. Todos os dias aquele sorriso sagaz de quem me desafiava a tentar repreendê-la testava o meu autocontrole para não sorrir também.
Pelos anos que trabalhei com Mera, eu deveria ter aprendido em algum momento que ela tem sede por dasafios. Que ela não é o tipo de mulher que se senta e espera ser servida. Não é o tipo de mulher que abaixa a cabeça e aceita que algumas coisas são impossíveis. Mera é uma avalanche que passa por cima das barreiras em seu caminho e desafia a ordem das coisas. Para ela o impossível é só algo que, com o esforço necessário, pode ser alcançado.
Mera era tudo isso.
Eu tentei mudá-la, pensei que poderia fazê-la pisar os pés nos chão, onde eu poderia a alcançar. Onde ela não correria perigo. Quando não consegui, tentei novamente obter outros meios de mantê-la segura em suas viagens no mar profundo, trazendo Arthur Curry para trabalhar com ela. De repente, percebi que tinha dado um tiro no meu próprio pé, pois dei a Mera o que ela mais gostava; um desafio.
Arthur, diferente de mim, era libertino e volátil. Ele era intimidador e gentil ao mesmo tempo, na mesma dose em que Mera era orgulhosa e feroz. Uma combinação que eu mesmo subestimei, até que vi ela olhar para ele de uma forma que jamais olharia para mim. Afinal, como disse ao Curry certa vez, tinhamos uma relação de irmandade.
Uma mentira que inventei para controlar o meu ciúmes.
Apesar da minha mágoa mascarada, tentei não fazer dos meus sentimentos um empecilho para felicidade de Mera. Como ouvi certa vez, amar também é deixar ir. E eu deixei. Mas logo percebi o porquê do controle ser tão importante para mim. Assim que a perdi de vista, deixando-a ir naquele submarino, tudo começou a dar catastróficamente errado.
Tudo cujo eu não detinha o menor controle.
Lembro-me de olhar para o painel disponibilizado pela Wayne Enterprise's por horas. Acompanhando a seta vermelha minuscula se mover em meio ao mapa azul imenso. Os primeiros dias seguiram como o esperado, recebíamos relatórios a todo instante. Mas então, eles pararam de vir. Este foi o primeiro..."problema". Lucius Fox tentou me acalmar, explicando que talvez Joanna tivesse escolhido priorizar outra tarefa. Uma justificativa esdrúxula vinda de um homem tão inteligente. Ali eu soube que nada de bom poderia vir adiante e entrei em negação.
Todas as pessoas tem seus mecanismos de defesa. Mera, por exemplo, costumava guardar tudo para si no mais fundo do seu ser, onde nem mesmo ela poderia ser exposta aos sentimentos, pelo menos até eles se tornarem demais para ela suportar. Quanto a mim, percebi que não podia resolver o problema pois como disse, nada mais estava sob o meu controle, eu não poderia encerrar a expedição, então preferia negar os sentimentos ruins que tentavam me afundar.
O problema da negação é que ela não impede que a realidade desabe sobre você, ainda que não queira ver, você vai estar sujeito a ela. Assim como foi para mim, quando aquela pequena seta vermelha desviou da rota e depois simplesmente sumiu.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Submerged Love
Romance- Romance - +18 - inspirado nas hq's do Aquaman Em uma pequena cidade dos Estados Unidos, vive Mera, uma renomada biologa marinha, mas que por trás de seu jaleco esconde sua anormalidade de origens desconhecidas. Além de carregar a mente...
