III

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— Ray, eu gosto da Emma.

Olhei para Gilda surpreso. Eu já suspeitei que ela gostava de Emma, mas eu achei que fosse apenas uma hipótese mal tomada e descartei essa ideia, mas ela realmente gosta de Emma!

— Wow! Eu já tinha notado isso antes, mas achei que fosse apenas uma hipótese mal tomada.

— Você já tinha notado? Como?

— Eu observava as vezes a maneira que você olha para ela, então criei uma hipótese.

— Você é observador como sempre. — Eu ri e Gilda riu junto, até que paramos de rir quando comecei a tossir. — Ray? Está tudo bem?

Quando parei de tossir, suspirei fundo e olhei para minha mão. Sangue juntamente com aquelas pétalas novamente...

Será que eu tenho Hanahanaki Disease...? Não, deve ser outra coisa. Não tem como ser isso.

— Ray? Você também tem...?

— Não deve ser isso. Deve ser outra coisa.

— Ray... As pétalas, elas são um sinal da doença. — Gilda pegou em meu ombro e eu olhei para ela, logo voltei a olhar para as pétalas que estavam em minha mão. — É difícil de aceitar no começo... Mas infelizmente temos que aceitar de uma forma ou outra. Quando começou?

— Faz algumas semanas... Duas semanas atrás se eu não me engane. Mas, eu não entendo! Isso tinha parado! Foi apenas uma vez!

— Tem vezes que quando acontece pela primeira vez, demora um pouco para voltar a acontecer novamente.

Fiquei olhando para as pétalas na minha mão. Pétalas brancas sujas de vermelho... Sujas com sangue. As joguei no chão e comecei a olhar as pétalas começarem a voar para o lado direito.

— É o Norman, não é? — Ouvi Gilda perguntar. Confesso que fiquei surpreso com aquela resposta, então olhei para ela um tanto surpreso. — Notei do mesmo jeito que você notou que eu gosto de Emma. O modo que você olha para ele, ajuda ele com tudo.

— Não preciso responder já que você já adivinhou. — Ela riu baixo. — Eu gosto dele já faz anos, mas comecei a ter essa doença recentemente.

— Ela geralmente se inicia depois de anos, quase nunca começa na hora em que você percebe que seu amor não é correspondido. Mas, seus pais já sabem?

— Não, e nem quero que saibam. — Gilda me olhou um pouco confusa. — Não quero que ninguém saiba na verdade. Se soubessem, iriam ficar com pena de mim, e eu não quero isso. Meus pais provavelmente iriam insistir para eu fazer a cirurgia, mesmo que não quisesse. Norman provavelmente se sentiria culpado e iria querer que eu fizesse a cirurgia. E Emma, iria querer ajudar com tudo e tentar me convencer a fazer a cirurgia.

— Não pretende fazer a cirurgia?

— Não. Eu... — Suspirei fundo enquanto fechava meus olhos, logo os abri novamente. — Eu prefiro morrer do que esquecer ou perder meus sentimentos por Norman.

Gilda me olhou surpresa, mas logo mostrou um sorriso gentil.

— Entendo. Não irei contar para ninguém.

— Obrigado. — Senti meu celular que estava em meu bolso vibrar, olhei e vi meus pais ligando. — Tenho que ir agora. Tchau Gilda. Obrigado por me falar sobre isso.

— Não foi nada. Espero que melhore.

— Boa sorte na sua cirurgia.

Levantei do banco e atendi a ligação, mas logo desliguei após ver meus pais um pouco mais distantes, então guardei meu celular no bolso e fui até eles.

As Flores (NorRay)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora