Capítulo 16

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Acordei dolorida, eu e Bill dormimos amontoados um por cima do outro no sofá.
- Desculpa, te acordei? -- Falei baixinho quando me mexi e o vi despertar. Ele me olhou e sorriu esfregando os olhos.
- Bom dia. Meu braço está dormente. -- Ele falou rindo fraco o tirando de baixo de mim.
- Vou tomar um banho. Logo já desço. -- Falei levantando, mas sem demora caí sentada novamente com muita dor.
- A noite foi tão estarrecedora que até esqueceu da torção? -- Ele gargalhou. - Vem, Lyn. Vou levar você até o banheiro, mas tem uma condição...-- Ele fez bico.
- Qual? -- Mordi o lábio rindo de canto.
- Tomar banho com você. -- Ele sussurrou em meu ouvindo me fazendo arrepiar.
- Por que acha que merece? -- Brinquei.
- Poxa, te dei prazer a noite toda... Isso não é o bastante?
- Só você trabalhou? -- Cruzei os braços.
- E também por que hoje é meu aniversário, acho que mereço ter o que eu quiser. -- Ele se aproximou me dando um selinho rápido.
- Meu Deus, Bill hoje é seu aniversário! Tinha esquecido completamente! -- Falei com as mãos sobre a boca surpresa. - Precisamos comemorar, afinal são 30 aninhos, uma fase novinha. -- Fiquei feliz em saber que faríamos uma mini festinha para Billie, o fato de estarmos presos aqui não impediria isso.
Fomos para o chuveiro e não posso negar que transamos novamente, era mútuo a vontade de querer estar próximo, de querer saciar anos de distanciamento e ódio gratuito.
Depois do banho quente e demorado que tivemos, pedi que Bill me levasse até a cozinha, quero fazer um bolo para ele.
- Sobe aí, Boo. -- Bill virou para que eu subisse em suas costas. Mas fiquei parada o olhando depois de ouvi-lo. Ele se virou, me olhando sem entender por que não subi.
- O que foi?
- Do que me chamou? -- Sorri fraco. Billie então lembrou e percebeu que soltou a palavra em um impulso.
- De Boo. Desculpa, não falo mais se não quiser. -- Ele disse desconsertado.
- Não! Tudo bem, eu não me importo. Apenas achei fofo. Você nunca me chamou disso, então fiquei um pouco surpresa. -- Falei tímida. Boo era meu apelido carinhoso que ele mesmo havia me dado nos primeiros dias quando eu, Nick e mamãe viemos morar aqui. Boo é uma gíria em inglês que vem de 'beautiful' e é usada como uma forma carinhosa de você chamar alguém. Bill não deixava ninguém me chamar disso, apenas ele podia. Era como se fosse a nossa palavra, nosso carinho em forma de som. Mesmo que tenha durado pouco esse tal carinho, me marcou muito eu e ele ter isso. Confesso que nunca esqueci e queria muito que esse momento voltasse, ouvir Boo sair da boca dele novamente.
- Lyn, eu sei o quanto isso pode parecer bobo ou até mesmo contraditório da minha parte, mas o que rolou entre nós essa noite e agora pouco, já deveria ter acontecido há muito tempo. Era nítido esse sentimento, essa vontade. Nós dois nos agredíamos em palavras e ações sem motivo real, como crianças, por coisas fúteis e passadas. Talvez até mesmo querendo mascarar isso que sentimos um pelo outro. Não quero mais fazer isso, me machuca, machuca você, é infantil e sem sentido. Me perdoa por todas as vezes que fui um idiota, que te ofendi ou fui desrespeitoso. -- Ele falava segurando minhas mãos e olhando em meus olhos, era sincero e delicado. Não me contive e o beijei lentamente, seus braços se cruzaram em minhas costas me abraçando e ao mesmo tempo me segurando por conta de minha torção. Acariciei sua nuca, passando minhas unhas entre seus cabelos ainda úmidos do banho. Nossas línguas nos invadiam e exploravam nossas bocas de forma voraz, matando aquele desejo que fora reprimido por muito tempo. Senti as mãos de Bill descer até meu bumbum, ligando uma chavezinha entre minhas pernas, ele tinha um poder absurdo sobre mim, sobre minhas sensações. Algo vibrava em cima da cama e cortei o beijo para olhar.
- Droga, meu celular. -- Falei me virando.
- Não atende, volta aqui. -- Bill sussurrou com a mão entre meus cabelos beijando meu pescoço. Como eu amo um leve puxão neles.
- Não posso, é o Jimmy. -- Falei cabisbaixa. Bill bufou e se distanciou de mim.

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