Não que estar em frente a um túmulo fosse desequilibrar a postura estável e durona que Bill Skarsgård mantinha em qualquer situação, mas dessa vez era diferente. Porque quem estava ali era seu irmão mais novo. A morte repentina e prematura de Fredri...
- Estamos no meio de um inverno bem rigoroso por aqui e entramos nas semanas de tempestades de neve. A defesa civil recomenda não sair de casa nos dias a frente e outra que é praticamente impossível. Assim como a neve cobriu nossas janelas, cobriu as portas, carros e inclusive estradas com alguns bons centímetros. Devemos ficar aqui, caso não queira morrer congelada ou caindo em algum buraco coberto de neve pelas ruas. - Nossa, desde quando isso acontece assim tão forte? - Anda rolando um tal de aquecimento global, talvez já tenha ouvido falar, falaram que é isso. -- Ele deu de ombros irônico. - Estamos presos aqui? -- Perguntei incrédula. - Aham. É o que parece. - Que merda! Presa com você? -- Coloquei as mãos na cabeça apavorada. - Então, você não era exatamente a pessoa com quem eu gostaria de ficar preso por dias, preferia alguém mais divertido ou interessante, menos ranzinza ou que falasse menos, mas é o que a casa oferece no momento, tenho que aceitar. - Nossa Bill, você é insuportável. -- Falei sentando na bancada da mesa. - E você é muito legal de certo. Olha lá a Ailyn, a garota mais cativante do mundo! -- Ele virou os olhos bufando. - Aprendi com o melhor! -- Pisquei. - Eu prefiro você bêbada, pelo menos fica mais sociável, sabia? - E eu prefiro você não existindo, assim teríamos um mundo melhor! -- Falei virando as costas e saindo da cozinha. Percebi que Bill vinha atrás. - Por que me odeia tanto, Ailyn? Aliás, será que me odeia mesmo? Não foi o que concluí essa noite com você bêbada. -- Ele jogou na minha cara. Eu não poderia nem negar, lembro claramente do que fizemos na festa e das vezes que implorei que me beijasse no box. - Por que você é você! - Ou seria por que você me quer e não me tem? -- Ele se aproximou tentando me intimidar. - Não tenho? Suas mãos não dizem o mesmo, já que adoraram passear pela minha bunda ontem. -- Bill ficou sem graça. - Acha que não lembro? - Acha que faço isso só com você? Acha que não saio para festas e pego outras garotas? Seria apenas mais uma noite divertida que eu teria. -- Ele sabia jogar baixo, sabia machucar com as palavras. - Olha Bill, minha cabeça está explodido, meu estômago revirado, meu humor lá embaixo. Não vou ficar aqui discutindo com você. Vou para meu quarto... - Todo vomitado? -- Ele me lembrou. Droga! - Essa casa é grande o suficiente para nem nos esbarrarmos durante esses dias presos aqui. Então, me esquece Bill. -- Bufei indo em direção as escadas. - Você é ridícula, Ailyn. - E você é pior ainda, pois não tem outra linguagem a não ser a agressiva, a que machuca e magoa todos a sua volta. Poderia ser melhor que isso Bill, você tem capacidade. -- Baixei a cabeça e fui subindo devagar. - Talvez você não mereça o meu melhor... - É, talvez mesmo! -- Dei de ombros. Aquela discussão toda me deixou enjoada e tonta, eu ainda não estava totalmente recuperada da bebedeira de ontem, comecei a sentir tudo escurecendo na minha volta e tive uma vertigem muito forte. Quando me dei por conta, havia tropeçado em um dos degraus virando feio meu pé e caindo de volta para trás.
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