Capitulo 40 - Tempo

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Shikamaru

Duas semanas depois...

                   Duas semanas tinham se passado. Temari ainda não tinha acordado. Eu estava preocupado com ela e com o bebê, o nosso filho, Shikadai. E pensar que ela escolheu esse nome por si só, era tão gratificante. Eu sei que eu deveria estar um pouco chateado, aliás, eu tinha o direito disso, o direito de saber. Ela escondeu essa gravidez por quatro meses, isso — quer dizer — ele é uma coisa nossa. É maior que nós dois. Nós deveríamos estar juntos durante esse tempo, estaríamos se não fosse por mim e meus segredos. E bem, outras coisinhas a mais. Mas por incrível que pareça, devido também as circunstâncias, eu não estava chateado. Tive tempo para compreender os seus motivos e processar tudo.

Eu estava no elevador do hospital. Subindo até o andar que ela está. Esperando receber boas notícias dessa vez ou até mesmo, ela. Acordada, me encarando com aqueles tempestuosos olhos verdes imensos que guardam todos os seus sentimentos. Ouvindo sua doce e feroz voz e sentindo o seu corpo quente. Eu tinha esperança. Caso isso não acontecesse, eu teria que voltar para casa hoje. Eu tinha algumas coisas para resolver e precisava conversar com Shikaku e com Tsunade também. Mas não demoraria por lá. Pretendo voltar amanhã, se nada acontecer.

A porta se abriu e eu saí. Andei até o seu quarto e não havia ninguém e ela ainda estava "dormindo". Seus olhos fechados como se estivesse em um sono profundo. Os seus sinais vitais estavam normais, como das outras vezes. Eles também tem acompanhado o bebê. É raro mas já aconteceu de mulheres grávidas estarem em coma, ou terem sofrido até mesmo de morte cerebral e continuaram com a gravidez, não era impossível, só era mais complicado. Me perguntaram se eu queria que continuassem com a gravidez, porque não sabiam por quanto tempo ela poderia ficar assim e é claro eu que disse sim. Sei que Temari iria acordar uma hora ou outra, eu sentia isso. E ela nunca me perdoaria se alguma coisa acontecesse com ele. Eu sei que não.

Eu fiquei de perto a observando, ela continuava linda. Involuntariamente, lágrimas saiam dos meus olhos e eu as limpava com a parte de trás da mão. Coloquei minha outra mão na dela e continuei assim por um tempo. Eu não queria deixá-la. Sei que ela não ficaria sozinha, seus irmãos viviam aqui também. No final só restou nós por aqui. Yami continua comigo, mas o pessoal voltou para casa. Não era justo eles ficarem aqui. E bem, para a minha infelicidade a guerra ainda não acabou. Temos conseguido lidar com algumas coisas e outras burocracias. Mas o país do vento continua sem um líder. Sem Temari.

                         Eu sei que ela estava sendo bem cuidada por aqui e que logo acordaria, mas se não tivesse a minha supervisão, eu sentia que não era o suficiente. Eu ainda não tive coragem o suficiente para contar por telefone para o meu pai que Temari está grávida e que ela carrega o herdeiro do nosso clã. Não tive coragem de contar nem para os meus amigos. Mas eu não sei, as notícias voam e não sei como será assim que eu pisar em Konoha e nem estou preparado para a burocracia que isso irá se tornar quando ela acordar.

Meu coração está se partindo aos poucos quando vou tirar a minha mão da dela e sinto um pulsar. Como se ela me chamasse de volta. Como se quisesse que eu estivesse aqui. Eu quero acreditar nisso. Acreditar que alguma parte de Temari está lutando para trazer ela de volta para cá e que ela sente a minha presença aqui. Mas é difícil ter tal crença quando você cresce rodeado da razão. Os médicos também comentaram que espasmos eram normais e poderiam acontecer, então, eu não sabia bem no que eu queria acreditar. Na ciência ou na fé.

Eu finalmente soltei a sua mão. Doeu. Depositei um beijo calmo e demorado em sua testa. E pude jurar que senti ela arfar, mas com certeza era coisa da minha cabeça. Eu sentia falta dela inteira. Da sua fala e seu sorriso, a sua vontade de viver. Da mulher tempestuosa e temperamental que agarrou o meu coração com as mãos e arrancou do meu peito sem aviso. Da mãe do meu filho. Coloquei a mão sobre a sua barriga ja aparente agora e desejei que ele estivesse bem.

Wolves (Shikatema)Onde histórias criam vida. Descubra agora