Temari
Hoje era o dia do festival de Suna. O tempo passou voando. Longos quatro meses se passaram. Por partes pareceu uma tortura e por outras nem tanto. Muitas coisas aconteceram e ainda parecia que tinha sido ontem que eu havia deixado Konoha e uma parte do meu coração lá, eu ainda não conseguia esquecer isso por completo. Mas coisas mudaram e muito. Eu nunca estive tão sem tempo, mas para a minha pequena e momentânea felicidade tudo estava dando certo e o festival vai ser um sucesso. Foi isso que eu foquei minha mente e agora preciso de planos para o depois.
Eu conversei com o Kazekage e disse que precisaria de um tempo para mim quando isso tudo passasse. Ele tem visto o meu esforço, então concordou. As minhas férias começariam na segunda, logo após esse fim de semana do festival. Eu precisava tirar um tempo para mim. Pegar meu dinheiro e sumir. Sem irmãos, sem amigos, sem amores... Só eu. Eu não estava dando conta de tudo que foi me imposto. E eu admito, peguei muitos trabalhos. Até os que eu não queria e nem foram planejados, eu me sentia cada vez mais cansada.
Foram poucas as vezes que me peguei pensando no que aconteceu em Konoha e o jeito que eu parti. As primeiras semanas foram difíceis e eu chorei algumas vezes, eu nunca tinha ficado assim. Mas eu tinha que ser forte, agora eu era uma nova pessoa, pelo menos era o que eu pensava. Eu lidei com uma carga emocional que eu não lidava a anos e por mais que eu não quisesse pensar, era impossível pra mim. E pior, eu fui burra o suficiente para me permitir a isso. Eu estava deitada na minha cama, ainda estava cedo. Não preguei os olhos essa noite. A insônia tem me matado aos poucos e essa dor nas costas de ficar indo de um lado para o outro grande parte do dia não me ajuda. Tudo que tinha que sair perfeito hoje. Me levantei e fui até o banheiro.
Me arrumei para trabalhar e fui até a cozinha pegar alguma coisa para comer, estava com fome. Eu estava sozinha na cozinha comendo uma torrada. E são exatamente nesses momentos que a vulnerabilidade toma conta de mim. Minha mente fica voltando para o que aconteceu nos últimos meses e toda essa conturbação que foi. Eu odiava isso. Eu tentei e tentei de todas as formas possíveis. Até sexualmente com outra pessoa eu me envolvi e nada tirava a minha cabeça dele.
Eu nunca recebi uma carta de resposta. Não que eu fosse responder ou me importar tanto assim. Seria melhor mesmo eu não ter recebido nada. Ainda mais do jeito que as coisas estão agora. Eu não queria mais problemas. Mas aqui estava eu, quatro meses depois pensando que ele nunca respondeu a minha carta de amor idiota. Esse sentimento nunca vai sumir e eu mais do que ninguém tenho certeza disso. É impossível para mim esquecer. E quanto mais longe eu estivesse melhor. Pior que eu fiquei pensando nisso por muito tempo, na resposta que ele faria para aquela carta...
Mas agora, eu finalmente aceitei. Aceitei as coisas do jeito que elas são e do jeito que serão no futuro. Passamos por essas experiências horriveis para amadurecermos e agora eu aceitei isso. Estou com o coração leve e feliz por finalmente ter colocado a minha cabeça no lugar, demorou, foram mais de 120 dias mas finalmente, eu estava leve. Não é que nunca mais pensarei nisso, mas com certeza não me trará mais tanta dor.
Akira estava vindo aqui pra casa. Ouvi o barulho da porta, ele tinha a chave, sempre vinha tomar café da manhã comigo e me levar até o trabalho. Era comum para nós. Se tornou o novo normal visto o nosso envolvimento. Mas eu tenho literalmente um bloqueio. Mesmo tendo transando com ele quando meus hormônios gritaram, eu não consigo sentir nada emocional por ele. Nada. Absolutamente nada, nem um sentimento de paixão se quer.
- Bom dia, Temari... - ele falou meio sonolento
- Bom dia, Akira - respondi - Quer café? - perguntei
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Wolves (Shikatema)
FanfictionTodo ano sobre uma determinada data acontece o festival da lua de verão. Uma enorme lua cheia ilumina os céus da vasta Konoha e durante esse tempo acontece todo tipo de festividades. Shikamaru é DJ e uma das principais atrações do festival. Ele é f...
