Marzanna

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Tajima Uchiha precisava andar com a ajuda de uma muleta, mas seus olhos ainda eram fortes e capazes de enxergar claramente, infelizmente, ele nunca conseguiu ver o óbvio até ser tarde demais.

Foi no anoitecer daquele dia que ele percebeu que ter mimado Kenji para lhe compensar a falta do pai não foi a melhor coisa que ele fez pelo sobrinho.

No salão de reuniões do clã Uchiha, Madara estava lhe contando tudo o que havia acontecido, sobre os planos de Kenji para derrubar o clã Uzumaki e de como ele foi descoberto. Tajima suspirou olhando pela janela, sem demonstrar suas emoções.

-O que é marzanna? - Perguntou para ninguém em específico.

Como mais ninguém se expressou, fosse por falta de conhecimento ou por temer magoar o idoso, Itachi tomou a iniciativa em explicar.

-Marzanna é uma deusa associada à morte e ao inverno. Todo o primeiro dia da primavera, as pessoas constroem uma efígie de palha e ateiam fogo nela e jogam ela no rio. O sentido deste ritual é expulsar o inverno, uma forma de sacrifício para expurgar o mal causado pelo inverno.

-É você, Itachi? - Tajima perguntou olhando pela janela.

-Sim, sou eu, chefe.

-Você conhece a cultura deles, o que isso vai significar para o meu filho?

Itachi fechou os olhos e respondeu - Eles farão o mesmo ritual com Kenji.

Alguns comentários baixos foram abafados quando Sasuke gritou - Não podemos deixar eles fazerem isso com meu pai!

Tajima olhou para os homens ajoelhados na sua frente, angústia transbordando em seu rosto abatido pela idade - Eles já desfizeram nosso acordo de negócios, nos expulsaram dos seus territórios, porque iriam tão longe?

-Os poloneses são muito devotos às suas tradições e origens, chefe, mas principalmente, eles são leais aos seus familiares - Itachi explicou - Kenji não só tirou sangue de Yona, como estava disposto a violentá-la. Isso é uma das piores ofensas no seu povo, é como se Yona tivesse sido amaldiçoada por Kenji. Queimá-lo irá quebrar a maldição, jogá-lo no rio levará sua vingança para longe.

Sasuke gritou novamente - Bando de filho da puta! Vovô, não podemos fazer isso ou meu pai nunca poderá se reunir com nossos parentes!

Assim como os Uzumaki 's, os Uchiha 's dão muito valor à fé passada de geração em geração. Para eles, a morte por fogo é a única capaz de liberar do corpo a alma da pessoa, por isso seus mortos sempre são cremados e deixados no jazigo da família para descansar junto aos parentes. Jogar o corpo na água antes que ele se torne cinzas prenderia a alma no corpo pela eternidade, tirando dela o direito do descanso eterno.

Tajima sabia muito bem disso, mesmo sem Sasuke lhe lembrar. Ele pensou no seu irmão, no seu sobrinho, nas almas incapazes de reencontrar, sentiu dor ao pensar nisso. Ele engoliu o nada e virou-se para os homens, ordenando.

-Saiam todos, menos você, Itachi.

Sasuke prostrou na sua frente antes de sair - Vovô, por favor, não deixe eles fazerem isso com meu pai!

Tajima afagou sua cabeça, tentando acalmar o adolescente. Sasuke era o único que chamava Tajima de vovô, pois era o único que tinha intimidade com o velho senhor para tanto. Itachi era seu neto também, mas não ousava. Ele permaneceu ajoelhado respeitosamente diante dele até que Sasuke saiu, deixando-os sozinhos na sala de madeira aromatizada com incenso.

-Eu já lhe contei como meu irmão morreu, Itachi? - Ele negou e Tajima continuou - Ele morreu para salvar minha vida, levou um tiro por mim porque eu fui imprudente e ousei enfrentar os pais de Kushina numa luta boba por território.

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