Capítulo 9

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As conselheiras de Íris não conseguiram focar em nada, apenas em Malu, que estava desaparecida.

Rê ficava rolando na cama, sem conseguir pegar no sono, e And já havia aceitado que não dormiria naquela noite. Gui e Ana Carol perceberam a inquietação das meninas e tentaram ajudar como podiam. Carol preparou um chá para ajudar a acalmar os quatro. O sol começava a aparecer e nenhum deles tinha pregado os olhos.

— Sabem, acho que deveríamos procurar Rachel. Ela é o oráculo, certamente deve ter algo que ela possa ajudar — Gui sugeriu, enquanto bebericava o chá.

— Se ela pudesse nos dar uma missão para salvar Malu... — Ana Carol tinha o olhar distante, como se estivesse relembrando os momentos com a irmã desaparecida.

— Eu e And podemos tentar falar com ela amanhã e ver se ela pode nos dar uma profecia ou algo do tipo — afirmou Rê.

— Podíamos ir os quatro. Se conseguíssemos uma profecia, seria bom ter Gui e Ana junto, eles são bons com esse tipo de coisa.

— Tem razão, And — ela olhou para os outros dois irmãos. — Vocês podem ir também? — Gui e Ana concordaram rapidamente e Rê soltou um suspiro cansado.

— Tenta descansar um pouquinho, daqui a pouco a gente vai também — Ana colocou a mão no ombro da conselheira.

— Aliás, você está meio abatida. Sabemos que é complicado, nenhum de nós está bem com essa situação, mas nós vamos dar um jeito nisso juntos — as palavras de Gui trouxeram conforto para as três garotas.

— Nós vamos conseguir pensar em algo para ajudar a Malu, mas para ajudar ela, precisamos estar descansados e saudáveis. Vamos trazer ela de volta — And deu um sorriso fraco e pediu a todos os deuses que pudessem ouvi-la que tivesse soado confiante no que disse.

— E que Íris nos ajude a encontrar nossa irmã — Rê soltou outro suspiro.

Os quatro se deitaram em suas camas. A verdade era que estavam tensos demais para sequer relaxar o corpo. Estavam habituados a ter Malu por perto com seu jeito contagiante e o chalé não era o mesmo sem ela. Eles sabiam, os campistas do chalé inteiro sabiam, que a vida de semideus incluía coisas como essa, perder irmãos e coisas assim, só não imaginavam que seria tão angustiante quanto estava sendo.

Algumas horas depois, foram procurar Rachel. Ela estava pintando, como estava na maioria das vezes, seu rosto, cabelo e mãos estavam sujos de tintas de todas as cores possíveis e ela possuía um sorriso alegre no rosto.

— Olá pessoal, precisam de ajuda com alguma coisa?

— Na verdade, sim — Rê respirou fundo. — Não sei se você ficou sabendo, mas uma de nossas irmãs, a Malu, foi levada por alguns daemons ontem...

— Malu? Aquela que vem sempre com a And pintar comigo? Não sabia ainda...

— Exatamente, a gente queria perguntar se... Se você tem alguma missão para nós — a inquietação atingiu os quatro semideuses de Íris.

— Alguns dias atrás, pintei algo muito estranho, mas agora vejo que faz todo o sentido.

Rachel puxou uma tela quase do seu tamanho do meio da bagunça e colocou na frente dos quatro semideuses. Estava em estilo cubista e era necessário observar de perto e com bastante atenção pra entender a cena que a garota havia pintado. Era uma pintura bonita, embora a cena não fosse nada agradável de se recordar. Era Malu, enquanto era levada por daemons para só os deuses sabiam onde.

Contos de Natal no Acampamento Meio-SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora