Capítulo 2

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Luisa, uma das conselheiras do chalé de Deméter, foi até a Casa Grande para conversar com o Sr. D sobre um problema referente à colheita de morangos. A demanda tinha aumentado consideravelmente, e apesar do clima ameno e controlado no Acampamento Meio-Sangue, as plantas não pareciam estar dispostas a obedecer. Na verdade, pareciam desanimadas, como se estivessem refletindo o humor de alguém.

Quando entrou na sala de estar da Casa Grande, ela se deparou com um Dionísio mais rabugento que o normal, que jogava petiscos para Seymour desanimadamente, sem prestar muita atenção no que estava fazendo.

— Sr. D? — chamou ela. — Aconteceu alguma coisa?

— Ah... Laura, certo?

— Luisa.

— Do que você precisa?

— Estamos com problemas com os morangos.

— Que tipo de problema?

— Eles não estão crescendo aos nossos comandos. Nem o meu chalé e nem o seu estão conseguindo identificar o problema. Eu nunca vi isso acontecer antes.

— Está tudo bem com Deméter? — questionou.

Luisa riu.

— Hades até a convidou para passar o feriado de natal no Mundo Inferior com ele e Perséfone, então creio que ela esteja de bom humor, apesar de tudo.

Dionísio suspirou.

— Então acho que o problema sou eu.

— O que houve?

— Há muito tempo atrás, eu era cultuado no dia 25 de dezembro. Os mortais acreditavam ser o meu aniversário, e o relacionavam por ser uma data próxima ao solstício. Mas então meus cultos foram gradualmente substituídos por aquele outro cara que transforma água em vinho.

— Você quer dizer Jesus?

— Esse aí mesmo. Eu fui o primeiro a fazer isso, mas alguém faz jus? Claro que não.

— Então você gostaria de um culto de natal?

Dionísio não respondeu nada, mas Luisa teve a impressão de ter visto os olhos do deus brilharem com a ideia.

Logo em seguida, entrou na sala o conselheiro do chalé de Afrodite.

— Sr D, você poderia pedir aos campistas do C11 pararem de pregar peças nos meus campis... Ah, oi, Lui, algum problema com a colheita?

— Karlos, já te disse que isso não é problema meu, vá conversar com o Quíron — ele fez uma pausa. — E sobre a colheita... é minha culpa.

— É Kaique, Sr. D.

— Que seja.

— O Sr. D está chateado por não cultuarem mais ele no dia de seu aniversário, Kai, por isso a colheita não está indo para frente — explicou a conselheira de Deméter. — Tive a ideia de fazer uma comemoração aqui no Acampamento mesmo — acrescentou ela.

— Que ótima ideia, Lui! Amei, pode contar comigo — ele se virou para o diretor do Acampamento. — Sr. D, você pode nos contar como eram os cultos realizados em sua homenagem?

Dionísio suspirou, recordando de tempos distantes. Antes que ele pudesse começar a contar a história, Luisa falou:

— Eu tive uma ideia! Antes do Sr. D nos contar, quero conversar com os outros conselheiros.

Contos de Natal no Acampamento Meio-SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora