Capítulo 6

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SÉRGIO

Eu precisava de tempo...

Um pouco de tempo para respirar, relaxar... O dia tinha sido estressante o suficiente para eu realmente não querer participar do caça à bandeira. No jantar, a dose de refrigerante foi enorme, o açúcar teria que me ajudar a finalizar as tarefas de hoje.

Depois do conselho dos líderes da nossa aliança, fui para meu local designado acompanhado por um conselheiro de Poseidon, o Miguel, e pela Mynara, que não parava quieta, como se todo o açúcar que eu tinha ingerido tivesse ido para ela e não para mim. Ainda estávamos chegando ao ponto inicial da caçada. Na frente, eu equipado com a armadura camuflada, escudo e alabarda, Miguel com uma espada e com uma armadura de tecido verde azulado que parecia flexível e não muito confiável como defesa e, por último, a Mynara equipada com arco-e-flecha e uma adaga na cintura.

Nossa estratégia era sermos ocultos, a "frente secreta". Os outros campistas atacariam pelo lado noroeste, que deduzimos ser onde estava a bandeira deles, e nós daríamos a volta e atacaríamos pelo sudeste. Um bom plano improvisado... O grupo era menor e focado em dano rápido. Miguel à frente, eu buscando ficar de prontidão para que pudesse ajudar o Miguel e proteger a Mynara na retaguarda.

Mynara estava com o arco a postos. No bosque noturno, a visão era obstruída pelas árvores, tornando a vida dos arqueiros mais difícil. O som da batalha começou a soar ao longe e eu fiz sinal para os dois para seguirmos em direção ao objetivo. Andamos atentos para não sermos percebidos até sabermos a localização da bandeira e conseguirmos alguma vantagem em conquistá-la.

Mas como quase nunca um plano feito por semideuses dá certo, um som de ondas do mar soou de Miguel. Por reflexo e surpresa, Mynara armou uma flecha e quase disparou em direção ao som.

Miguel fez um sinal de desculpas e, com uma cara de preocupado, puxou um cordão de couro trançado com uma pedra azul brilhante, de onde aparentemente vinha o som. Ele escutou atentamente ao som e seu semblante ficou cada vez mais sombrio.

Se virou para mim e disse, guardando o cordão de volta na armadura:

— Parece que o Will está com problemas. Alguém invadiu o acampamento. O Daniel, que estava com ele, acabou de me mandar essa mensagem.

Fechei o punho com força. Minha visão parecia querer falhar, e já estava me preparando para correr em direção ao local da nossa bandeira quando uma voz feminina soou não muito longe:

— Crianças, deixem o outro semideus lidar com seu próprio teste.

Me virei e a vi: minha madrasta divina. Como a reconheci? Não era a primeira vez que ela aparecia para mim. Aqueles olhos verdes e cabelos loiros cacheados presos em um coque frouxo e a roupa roxa de camping eram perfeitos... Sua voz era encantadora e melodiosa, mas algo em sua presença não era tão puro ou confiável quanto uma instrutora de trilha.

Um nó desatou dentro de mim e toda a pressa e nervosismo de ter meu irmão em perigo pareciam ter desaparecido. Senti Mynara se ajoelhar e algo em mim se recusou a fazer o mesmo.

— Bom, primeiro, deixe-me tirar o penetra de cena — antes que eu pudesse reagir, a deusa fez um gesto com a mão e o filho de Poseidon desapareceu no ar.

Puxei minha alabarda e apontei para a deusa. Não era muito inteligente fazer isso, mas vê-la fazendo-o desaparecer fez toda a urgência voltar como uma rolha de champanhe estourando.

— O que quer de nós? O que fez com o Miguel? E que teste é esse que o Will tem que passar?

A deusa me olhou com um olhar divertido, e começou a brincar com o zíper da jaqueta esportiva.

Contos de Natal no Acampamento Meio-SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora