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- Mas porque eu não posso curá-las por exemplo? - Sarah pergunta direta, chegando perto da coreana e pondo suas mãos no bolso, nervosa.

Aterrorizada era eufemismo para Sina. A Deinert temia a escuridão, no sentindo figurado da palavra, temia ir por um caminho que não tinha certeza do resultado, mesmo isso sendo algo totalmente contraditório para uma cientistas. Mas quem diz que a vida não é?

Quando Fátima falou sobre medo e coragem, ela não podia estar mais certa, numa parte da sua vida, a Andrade tinha coragem de enfrentar essa escuridão e a incerteza, mas na outra... O medo dominava.

Enfrentar a incerteza de entrar em um relacionamento, a apavorava. Mas por Juliette ela transformaria o medo em coragem? Sarah tinha que ter certeza disso, pois só assim traria a Juliette a certeza que ela precisava. Mas para isso a Andrade precisava finalmente ver, e foi por isso que ela chorou com a conversa de Fátima.

Sarah tinha medo de ver, mas agora ela não precisava de medo, precisava da coragem.

- Como? - Juliette pergunta parando a caminhada e se virando para encarar a loira.

- Porque eu não posso te curar? - Sarah pergunta novamente

- Acho que os cientistas não criaram ainda um remédio para dores emocionais Sina.- Juliette diz seca, odiava ficar tão exposta assim, mas quando estava com Sarah, era natural suas dores saírem, era natural ela mostrar ela toda. E isso aterrorizava Juliette também.

You've got the light to fight the shadows so stop hiding it away

Come on, come on

- Não estou falando de criar um remédio Juliette - Sarah fala revirando os olhos - Estou falando de ser a pessoa na sua vida que vai te curar, te fazer sentir inteira novamente. Por que eu não posso ser essa pessoa?

- Porque isso aqui - Juliette fala gesticulando com as mãos para as duas - Está uma confusão. E eu não preciso de mais incertezas, preciso, por incrível que pareça, de alguém que possa se dar tempo para me acolher e dizer que eu não estou mais sozinha, que não preciso mais ter que pensar apenas em Cecília e na felicidade dela. Preciso de alguém que diga para EU ser feliz.

I wanna sing

I wanna shout

I wanna scream till the words dry out

So put it in all of the papers, I'm not afraid

They can read all about it, real all about it oh

- Eu não tenho mais incertezas Juliette. - Sarah diz certa - A pessoa que você conhecia não existe mais. Aquela Sarah que usou uma criança apenas para um argumento em um acordo que era somente para me beneficiar não existe mais. Aquela Sarah sumiu no instante que viu você cantar na festa da A-Corp, sumiu no instante que te viu sorriu para sua filha, sumiu no instante que riu da minha cara por querer um milkshake de creme, sumiu no instante que viu a menina que ela conhecia a menos de um mês ser atacada e sentiu uma dor intensa ao vê-la daquela forma.

- Onde você quer chegar Sarah? -Juliette pergunta com os olhos marejados. Safah estava pouco se importando com os limites estabelecidos entre as duas de forma silenciosa, Sarah estava fazendo o que Juliette queria: Alguém que a pegasse e dissesse: Agora eu estou aqui.

Sarah estava dando a certeza, e Juliette estava com medo daquilo ser passageiro. Medo de se abrir para uma Sarah que depois voltasse a ser outra totalmente diferente.

- Eu estou apaixonada por você Juliette Freire. E essa é a maior certeza da minha vida até agora. - Sarah fala firme e sorrindo com a constatação.

O Acordo. - SarietteOnde histórias criam vida. Descubra agora