The tables have turned

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Nicolas suspirou fundo e deu mais um passo, sentindo a exaustão tomar conta do seu corpo, mas não podia parar, não até estar longe o suficiente das bombas e do seu tenente furioso.

Nada nunca foi fácil na vida do garoto. Traumas como o de nunca ter conhecido o pai e de ter uma mãe distante sempre assombraram sua vida, mas nada para ele se comparava aquele momento.

Sem amigos, sem um chefe, sem uma casa para voltar, sem nenhuma válvula de escape para desviar o foco do medo que ele sentia. E tudo ainda mais intensificado pela culpa.

O soldado não sabia ao certo porque se conectou dessa maneira com a coreana e porque quase faltava ar aos seus pulmões ao lembrar da maneira como o corpo de Ryunjin desmoronou no chão.

Se fechasse os olhos ainda conseguia sentir tudo novamente, então ele evitou isso com todas as forças.

Será que era apenas seu impulso de salvar vidas agindo? Será que ele se via nela de alguma maneira? Será que ele sentiu algo a mais por algum momento?

As reflexões continuaram até que ele não aguentou mais manter seus olhos abertos e cedeu ao sono escorado em uma árvore qualquer.

Obviamente o jovem não conseguiu se livrar das lembranças nem mesmo enquanto dormia e acordou se sentindo ainda mais cansado.

Psicologicamente, porque seu corpo em teoria estava renovado.

Nicolas colocou as mãos em frente ao rosto para tampar os raios de sol e esticou suas pernas, surpreso por não ter sido atacado enquanto dormia.

No dia anterior, ele finalmente se deu conta do que estava prestes a fazer e fora um tanto quanto agressivo com seu tenente, que continuou debochando de toda a situação mesmo quando Baker quase conseguiu acertá-lo com um soco.

Seus amigos o seguraram e, por um segundo, ele pensou que estava com ajuda, mas logo percebeu que os outros ainda não entendiam a dimensão daquela ação e se submetiam a seguir as ordens.

E então ele teve que partir, sozinho, mas convicto de que tomou a decisão correta.

Mesmo que sentisse que era tarde demais

Ele se levantou e tentou comer alguma fruta que estava guardada em sua bolsa, mas logo desistiu e focou toda sua atenção em achar uma maneira de encontrar Tasha e John.

•••

A floresta parecia grande e silenciosa demais, os galhos das arvores já faziam sombras no solo, indicando o movimento do sol.

O estômago de Nicolas roncou mais uma vez, mas ele sequer conseguia pensar em comida, então continuou andando.

- TASHA? JOHN?

- NICOLAS?

Ele parou ao ouvir uma voz feminina distante em resposta e olhou ao redor, cogitando estar delirando ou até mesmo enlouquecendo.

- Tasha?

O Soldado chamou mais baixo agora, ouvindo passos acelerados em sua direção e por fim uma silhueta se aproximando. Ele logo sentiu uma bordoada na cabeça e caiu de uma vez no chão, piscando os olhos com força pela dor até que conseguisse identificar quem o atacou.

- Ryunjin?

O garoto tentou focar mais sua visão, balançando a cabeça em negação ao vislumbrar a coreana em sua frente. Ele poderia ter contra-atacado, mas o choque não permitiu que ele movesse um musculo sequer.

- Eu só posso estar maluco.

A figura não emitiu resposta, apenas levantou uma das armas em sua direção, com um sorriso irônico nos lábios antes de investir um chute contra o estômago do rapaz.

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