67- Percepção

3.5K 256 1.1K
                                        

Kate POV.

As vezes deixar alguém ir é a melhor opção.

Era a frase que brilhava em minha mente enquanto eu caminhava pela ruas movimentadas de Los Angeles.

Embora o relógio marcasse uma hora da madrugada de uma segunda-feira, carros e pessoas se movimentavam por Los Angeles.

Mas eu sabia que meus pensamentos estavam muito mais movimentados que todas aquelas pessoas juntas, que minha mente estava muito mais barulhenta que aquele barzinho o qual eu passei na frente e pude ver uma multidão de pessoas se movimentar conforme a batida de uma música eletrônica.

Embora eu estivesse essa bagunça toda, eu tinha certeza da minha decisão.

Eu estive por dias tentando me resolver com Yelena, mas a minha, até então, namorada, não fazia esforço nenhum por mim.

Relacionamento era uma via de mão dupla.

Por que eu teria que me desdobrar por ela enquanto ela não movimentava o dedinho do pé por mim?

Por que eu me sujeitaria aquilo?

Não fazia sentido nenhum para mim me manter em um lugar que já não era mais saudável e onde eu não estava feliz.

Busquei em minha mente todos os lugares que poderiam ser meu refúgio ali em Los Angeles.

Meu primeiro pensamento foram para Natasha e Wanda, mas então eu me lembrei que seria a primeira opção de Yelena também.

Eu não tiraria isso dela.

Então um Uber até a casa de minha mãe parecia a melhor opção.

A viagem não foi longa, mas eu pude me perder em pensamentos por alguns minutos enquanto fitava a paisagem através da janela.

Quando o carro estacionou em frente a minha casa, eu caminhei em passos silenciosos por onde passava.

Não estava pronta para ouvir minha mãe.

Eleanor Bishop não era a maior fã do meu relacionamento com Yelena.

Ela se queixou no início de que era por conta da minha idade, que eu estava entrando de cabeça em um relacionamento quando eu deveria estar aproveitando a vida.

Em uma das nossas discussões, onde ela disse que Yelena não era a mulher que eu merecia, eu simplesmente juntei minhas coisas e fui até o apartamento da loira e a partir daí começamos a morar juntas.

De início, eu tinha certeza que o incomodo da minha mãe era mais por conta da minha sexualidade o qual ela não aceitava muito bem, mas quando ela conheceu Yelena e seu senso de humor duvidoso, ela realmente passou a ter problema com a minha namorada da época.

Mas Yelena, obviamente, não se importava nem um pouco.

Minha missão de entrar em casa em silêncio deu certo, mas quando eu estava no corredor dos quartos e coloquei a mão na maçaneta do meu, a porta do quarto de minha mãe se abriu.

-Kate, filha, tá tudo bem? - ela acendeu a luz do corredor e então caminhou até mim em passos largos, segurando meu rosto com as mãos enquanto seus olhos passeavam por minha feição. - Você estava chorando?

-Eu estou bem, mamãe. - tentei me desvincular do toque, mas ela firmou suas mãos em meu rosto.

-Fala comigo, Kate. - Eleanor pediu carinhosamente.

O tom carinhoso não foi uma surpresa, embora existisse algumas divergências entre minha mãe e eu, eu reconhecia o amor imensurável no olhar de Eleanor e no seu cuidado comigo.

Real Life - WantashaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora