Ideia Cruel
Alicia
Depois do estranho devaneio que tive com o Doutor Lima, comecei a acreditar que ele era uma ameaça a minha existência. Provavelmente, como um dos meus exs, não passava de outro "anjo" que viera para me exterminar, por causa da destruição do templo da IURD.
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Aquela mensagem do meu subconsciente era como um sinal enviado por meu pai, e não podia ignorá-la. Meus sonhos nunca se tratavam apenas de cenas relacionadas ao dia-a-dia. Eles revelavam pedaços do futuro. Então não havia como simplesmente ficar de braços cruzados, sabendo que em algum momento, o loiro tentaria me atacar.
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Por isso iniciei um plano com a ajuda das minhas amigas: Ramona, Stephanie Thamara, e Lisbeth. As três mosqueteiras de quem sou a D'Artagnan, e por quem fariam o quê precisasse, porquê éramos inseparáveis. Mas apesar de confiar muitos dos meus segredos a elas. Desta vez optei por não lhes dar detalhes aprofundados sobre o objetivo que traçei.
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Aquele não era um dos meus projetos comuns. Logo se me metesse em alguma confusão por causa do recém-chegado, não queria que elas sofressem como cúmplices. Assim sendo, as meninas começaram a arrumar cada coisa do quê pedi, sem saber para o quê eram.
Pesquise
Jonas
Só esta manhã pelo menos três dos meus sete pacientes relataram temores noturnos, relacionados a Regina. Uns falavam sobre como ela flutuava nos corredores com a sua lâmina cortante. Outros diziam que ela aparecia com seus olhos de neon como um fantasma, e no fim eu só conseguia pensar em como era bem mais fácil não me lembrar dela, quando falavam menos em seu nome.
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Precisei me focar no trabalho, e após muitas consultas, percebi que era o único que andava a ter bons sonhos, com a paciente n° 13. Visto que até quem não a conhecia, vinha me falar sobre uma dama de cabelos escuros que surgia no canto das suas camas, e revirava os olhos, os fazendo agonizar de acordo com os seus "pecados".
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Regina era como uma lenda sombria dos corredores de Santa Maria, aquela que ia até os quartos, para relembrar aos pacientes dos crimes que cometeram para acabarem presos ali. Segundo os que me abordararam, ela entrava nos cômodos a 00:00, e sempre punia o culpado de maneira equivalente ao seu delito.
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Por exemplo: Se alguém tinha ferido um cachorro chutando-lhe a costela, a cruel rainha dos pesadelos, fazia o mesmo com o transgressor no mundo onírico, e quando este acordava, trazia a marca real de onde ela o atingiu durante o sono. Isto é, o sujeito despertava, mergulhado em uma poça de sangue, com os ossos quebrados.
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É claro que não conseguia acreditar numa palavra do quê me diziam. Uma paciente que feria as pessoas em sonho, e elas acordavam machucadas na realidade? Era fantasioso demais. Mas para não ofendê-los com minhas crenças pessoais, decidi conversar com a administração para pegar alguns documentos sobre a Srta. D'ell Martini, e provar que ela era apenas uma humana que não podia atormentá-los.
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No entanto como Regina era a protegida do principal doador do hospital, que mantinha o prédio em pé, eles preferiram não se intrometer, e vedaram todos os relatórios associados a ela. Isso me frustrou. No fundo também queria saber mais sobre Regina d'ell Martini ou devo dizer "Regina d'ell incúbo" por causa da sua atual fama?
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Após retornar da sala de arquivos, entrei na minha sala, e quando me dirigi em rumo a cadeira onde costumava me sentar, encontrei um estranho bilhete vermelho disposto na mesa, com o nome "Alicia Amato." E a palavra "Pesquise".
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Soturna
RomanceHá uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Alicia Amato e...
