REINADO
BALTHAZAR
Como o esperado, Uno decidiu se vingar por ter me oposto ao que tinha planejado para
mim. Deste modo tudo o quê Lagrath previu sobre o meu futuro romântico, se dissolveu em fragmentos, semelhantes a um castelo de areia, e embora tivesse todo o poder do mundo,
nada era o suficiente para aliviar o vazio que não parava de crescer em mim...
Então num dia qualquer reuni um exército de bestas e soldados, e passei a tentar
escrever o futuro por conta. Deste maneira segui em rumo aos gigantescos portões de Iterse. Onde subjuguei todas as criaturas que apareceram diante de mim, sem um pingo remorso.
O problema é que nem todos cederam a tomada de poder, e foi Lyris quem os liderou
contra mim.
O anjo vermelho não se importava, se tinha lhe impedido de morrer ou a resgatado
dos domínios do psicopata do seu irmão. Meus atos de heroísmo para com a mesma, não compensavam as atrocidades que tinha cometido contra aqueles a quem foi destinada a proteger. Logo não me restou escolha, senão usar artifícios desonestos para vencê-la e
ganhar-lhe como minha esposa.
A ruiva claramente odiou se tornar minha rainha, e para me punir por a escolher como tal,
ela passou a se embebedar todas as noites, deitando-se com o agora arcanjo, o demônio, e as ninfas sombrias com as quais se trancava em um dos quartos, de onde era possível de se ouvir os sons melodiosos e sexuais que me faziam sorrir com desgosto, para todos os lacaios que me olhavam com zombaria. Se ele não consegue controlar a própria rainha, logo perderá
também o domínio do reino. Diziam pelas minhas costas.
_Noite agitada querida?
Falei ao entrar no quarto de Lyris, e a mesma sorriu com deboche. A minha senhora adorava
me humilhar diante dos outros. Porquê isto destruia a minha reputação como soberano, e meu desgosto, abria caminho para o golpe de estado que minha consorte estava preparando,
só para devolver o reino ao seu pai, e se livrar de mim.
_Certamente. O arcanjo não é um santo, e Azy é realmente o mais selvagem dos demônios.
A causadora das minhas dores de cabeça sorri maliciosa. Me provocando, de um jeito nada agradável.
_Imagino. Mas já estou cansado de suas indiscrições.
Opto não cair em seu jogo mental.
_Como se meu senhor fosse diferente. Achas que não vi a onde vais quando me deito?
Sentes ciúmes de mim por acaso?
_Minha senhora prefere os lábios de outros, e eu a respeito o suficiente para nada tentar. Mas tenho necessidades como todo ser vivo.
Agora quem ri sou eu.
_Sabes muito bem porquê não compartilho do teu leito.
_É claro. Porém pensei que a verdade poderia lhe conceder lucidez e fazê-la desenvolver certo apreço por minha criatura.
_Isto foi antes ou depois de ameaçar jogar meus pais em Muntig para que me casasse ?
A bela retruca com indiferença.
_E importa? Apenas tive alguns contratempos quanto a pedir a vossa mão.
_Contratempos? Subjugaste o meu povo, tomastes a coroa de meu pai e ainda por cima casaste comigo sem meu consentimento!
_Oras. Se pedisse a tua mão tu dirias não. O quê eu podia fazer?
_E isto te dá o direito de tomar-me como objeto?
_Não. Mas não te preocupes. Não mais te importunarei com meus anseios. Há três rainhas que estão a caminho de nosso forte. Portanto não precisarei mais da atenção da minha soberana.
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Soturna
RomanceHá uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Alicia Amato e...
