O Surto
Jonas
As palavras de Adriel não saiam da minha cabeça, pois tudo o quê ele falou no final daquele vídeo, me trazia uma sensação de familiaridade, já que ele agia exatamente como a minha mãe, antes dela se mutilar até a morte.
...
Será que ela não estava louca e sim se envolveu com eles? Era o quê me perguntava enquanto a caneta batia freneticamente contra o papel do relatório de um paciente. Mamãe sempre disse que os seres divinos eram bons e que devíamos confiar neles. Mas nos seus últimos meses de vida, passou a mudar a narrativa e reclamar de uma perseguição por parte do mundo oculto que, se tornara intensa de tal modo que ela passou a manifestar surtos contínuos sobre seres que, estavam a espreita, esperando a hora e o lugar para tirá-la da minha vida.
...
O problema é que, isto desencadeou o meu ceticismo. Já que passei a estudar sobre os males psicológicos quando ela foi internada, e assim vi que, nada do quê me falava era real. Isto é: O meu pai não era um deus, e sim um homem. Eu não era nada mais que um humano, e tudo o quê me foi dito sobre o meu destino na Terra, não passava de uma fantasia que ela construiu, para tornar sua vida menos sombria.
...
Pra piorar os médicos gravavam aos seus ataques, para me provar que não estavam lhe machucando, e quando a via gritar para o nada, tinha a certeza de que de fato precisava de ajuda, e que alimentar seus devaneios apenas a fazia piorar. Sendo assim me vi obrigado a esquecer das minhas crenças, e me dei a missão de fazê-la encarar seus medos, para voltar ao normal.
...
Agora só me restava o arrependimento, misturado as perguntas que apenas uma pessoa poderia responder, e eu esperava mesmo que ela fosse sincera apesar das nossas diferenças, e que me ajudasse a descobrir se, minha mãe tinha alguma ligação com a mesma seita que, destruiu a vida do padre boca suja.
...
De novo esperei até as 19:15, quando todos saiam, e para não levantar suspeitas, assisti a outra palestra ao vivo de Balthazar Mendes que, naquele momento estava na Inglaterra fechando outros acordos agora em nome da Defesa Ambiental, e isso me entreteve até o momento de fingir que perdi a hora.
...
Tudo estava escuro nos corredores, e logo ela viria até o bebedouro. Por esse motivo a aguardei. Torcendo para que a nossa última conversa, tivesse servido para lhe mostrar que não éramos inimigos, e sim dois buscadores do conhecimento em conflito. Mas os minutos se tornaram metade da hora, e nem sinal dela aparecer. Por conta disso me desanimei e optei por ir embora.
...
Só que enquanto caminhava em rumo a recepção a vi passar por mim, perseguindo a própria sombra. Alicia estava tendo um surto psicótico? Onde Armando tinha se metido nestas horas? E por quê ninguém estava lhe vigiando? É perigoso demais deixá-la sozinha neste estado. Pensei tomado pela preocupação, e a segui em rumo ao refeitório. Para o caso de quê pegasse em algum objeto cortante ou tentasse subir no telhado.
...
_Olá minha adorada Regina D'ell Incubo.
Eu ouvi aquela voz, e soube que Alícia não estava sozinha. Contudo no instante em que refleti sobre o timbre do seu acompanhante. Meu coração congelou. "Não é possível!" Conclui internamente, duvidando do quê escutava. Por essa razão me ocultei na penumbra, e decidi me esconder embaixo da mesa para investigar de perto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Soturna
RomanceHá uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Alicia Amato e...
