Pista
Jonas
Quando abri a porta, senti como se uma onda de escuridão tivesse invadido o meu consultório. Por isso apoiei a mão no batente, pressionando os olhos por causa da fraqueza que se apossou de mim.
Havia algo errado no ambiente, e não era somente pelos urros grotescos que penetravam meus ouvidos. Juliana estava certa, eles estavam sendo controlados por alguma coisa. Algo maligno e extremamente perturbador.
Sem me deixar abater pelo medo, puxei a maçaneta, e travei a entrada com a chave. Depois
me virei em rumo ao corredor B, e percebi que quantidade de lunáticos reunidos era maior naquela ala. Tal como se tivessem colocado aquele grupo ali para dificultar a chegada ao
quarto 150. Não havia jeito. Teria de passar por entre a multidão, e fazer a caminhada
infernal se quisesse ter notícias da Amato.
Inspirei todo o ar que pude, estufei o peito e me meti no amontoado de pacientes. Os uivos passaram a aumentar a cada passo que dava. Definitivamente eles estavam bloqueando a passagem de propósito. Porém isto não seria o suficiente para me fazer desistir. Eu tinha
um objetivo e iria alcançá-lo. Não importava o quê teria de enfrentar no meio da
jornada.
O ulular se intensificou, o suficiente para tentar proteger a minha audição com as mãos, e fechar os olhos enquanto movia meus pés. Tentando ao máximo não ser abalado pelas circunstâncias. Contudo estava tão focado em seguir sobre a linha reta que quando me dei conta tropecei no meu cadarço e fui para o chão.
Felizmente os enfermos apenas berravam sem parar. Deste modo não precisava me
precaver contra um amontoado de pessoas que poderia me pisotear. Logo, me apoiei para ficar de pé, e para a minha surpresa, quando estava prestes a me erguer, alguém estendeu a mão, me ajudando a me levantar. Todavia quando soube quem era, imaginei que ficar no chão não
era tão ruim quanto parecia.
_Klaus? O quê faz aqui?
_O surto dos pacientes tá sendo gravado e transmitido por alguém nas redes sociais. Tem notícias da Lici ?
_Eu esperava que você tivesse.
_Como assim? Acabei de chegar e você é quem passa mais tempo com ela.
_É. Não é o quê tem acontecido ultimamente. Mas enfim já que estamos aqui, vamos até o quarto dela. Estou com um mal pressentimento e acho melhor verificarmos se ela está
bem.
Respondo preocupado e nos entreolhamos com a certeza de que temos de ir atrás da paciente n° 13 imediatamente. Assim sendo ele me dá passagem, e nós dois passamos pelo mar de corpos, tentando abafar os incomodantes sons a qualquer custo.
Depois de alguns minutos finalmente chegamos ao fim do pandemônio, e quando
olhamos para a direção do quarto que fora isolado dos demais, percebemos que aquela área em específico está completamente silenciosa, embora haja um enorme tumulto provindo do pátio. O quê dá a entender que tudo está sendo orquestrado para nos distrair.
Sou o primeiro a caminhar até o quarto de Alicia, e no momento em que me aproximo, noto que a porta está emperrada. Dessa forma empurro a madeira com o ombro, até criar espaço para colocar minha mão, e afastar a mesa que foi colocada para selar a entrada.
O cômodo está extremamente bagunçado. É como se um furacão tivesse passado e desorganizado cada coisa no espaço. Com cuidado adentro o mesmo, e no instante em que coloco a cabeça dentro do local, noto que não há nem sequer sinal de Alicia.
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Soturna
RomanceHá uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Alicia Amato e...
