Guerra
Jonas
Após ter recebido aquele maldito pacote. Não conseguia mais olhar para Regina com qualquer atração ou mesmo o senso de piedade. Ela era a maníaca que odiava a igreja e os fiéis, e o seu crime hediondo havia perturbado o meu sono por meses, pois por causa do seu ato, todos começaram a falar sobre incêndios, e o pior dia da minha vida voltou a me assombrar.
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"Aquela mulher é o demônio! O fogo começou e ela ficou ali como se não pudesse ser destruída por ele!" Foi a memória que me veio a mente, enquanto me dirigia em rumo ao meu consultório, para mais um dia no mesmo hospital em que a maldita incendiária havia sido secretamente acolhida. "É claro que foi ela! Assistam o vídeo da Irmã Maria! Lá ela escancara para o povo que aquela bruxa odeia tudo o quê é ligado a igreja, e prova que aquela meretriz fez o serviço de Satanás!" Disse uma senhora em minhas lembranças, e quando achei que ia me perder no passado, finalmente cheguei a sala.
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O trabalho era a única coisa que me trazia paz a esta altura. Por essa razão me foquei em ajudar os meus pacientes, e usei as teorias do meu adorado Sigmund Freud, para acalmar os ânimos. Porém sempre que um paciente saia, e o tempo me deixava solitário, as sombras devoravam a minha razão, e me via pensando em diversas maneiras de machucar aquela criminosa.
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Enforcamento era uma opção, eu tinha luvas cirúrgicas, e só precisava de um ponto cego, ou talvez em vez de enforcá-la eu poderia quebrar o seu pescoço, e depois incendiá-la, para que a sua alma sentisse toda a dor que tinha causado aos pobres devotos pela eternidade. As possibilidades eram infinitas, e diante da verdade, eu agora sabia que o teste que o destino havia imposto, não tinha a ver com os limites ou a resistência, e sim a minha promessa, e se estava disposto cumpri-la, quando a hora chegasse.
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No fim da tarde, eu havia concluído todas as 7 consultas diárias, e como não tinha mais nada para fazer, comecei a arrumar as minhas coisas. Minhas mãos estavam trêmulas, e o humor descontrolado. Tinha certeza de que em algum momento iria encontrar a incendiária pelo corredor, e não estava pronto para isso. Só que no instante em que me preparei para enfrentar o monstro, uma paciente inesperada apareceu na porta.
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Ela era baixa, magra até demais, e usava roupas maiores do quê o próprio corpo, como se quisesse transmitir uma aura infantil, apesar de já ter provavelmente uns 20 e poucos anos. Mas não era a sua aparência que chamava a atenção, e sim a pasta que carregava em suas mãos, como se fosse um segredo do pentágono.
_Lisbeth a que devo a visita? Sua consulta é só amanhã.
Disse ao forçar um sorriso educado, e a menina mulher me olhou assustada. Então moveu a cabeça para os lados e me empurrou para dentro do consultório. Eu estranhei, e quis saber sobre o quê aquilo se tratava. Porém antes que pudesse fazer algumas perguntas, a mesma se dirigiu até a cadeira, e depositou vários envelopes em cima da minha mesa.
_O quê é isto?
_São documentos...
_E por quê está mostrando...
Eu falei sem entender. Até que ela retirou os papéis de dentro do invólucro e tudo fez sentido. Não eram simples documentos, e sim os Meus Documentos que iam do histórico escolar, até os relatórios psiquiátricos e a ficha na polícia.
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Soturna
RomanceHá uma sociedade por trás de tudo que comanda e modela o mundo para atender aos seus propósitos. Muito fala-se a respeito, porém pouco se sabe para de fato julgar. Todavia enquanto a maioria apenas especula sobre a glória e o perigo, Alicia Amato e...
