Não nasci com a luz que é agradável aos olhos humanos, por isso tenho admirado os mistérios das partes feias de uma natureza. Olho por mais tempo os pássaros negros que ainda me cercam, em suas asas negras azuladas pelo sol penoso, vejo que eles andam procurando algo, e o quê é? Quem saberá dizer se não aquele que presta atenção vigorosamente em seus gritos mais estranhos, em seus pousos mais secretos, em seus vôos mais acanhados. O que destes tem em nós, ludígribes alfaiates deixados de lado? Sou o jovem sem jeito que leva tombos nas frentes das moças, sou o enganado ego das moças ditas feias elogiadas pelos bestializados, sou o êxtase traumatizado do moço que é elogiado para se obter escravidão, sou o humor que apenas há na solidão de uma jovem, a graça que ninguém entendeu na piada de um adolescente, a desgraça sem graça dos sorrisos dos que não se entendem, a inocente oferta feita por quem não tem nada para dá além de suor e solidão, sou o jovem doente que é elogiado o tempo todo porque não sabe fazer bem nada que lhe dão pra fazer, sou a dor da pobre moça que não sabe dizer não, sou o foco do jovem preso nele mesmo. Há também muita vida e beleza naquilo que escondemos, há muito amor naquilo que é esquecido.
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Contos Híbridos
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