17- O ser eclíptico

29 3 0
                                    


Chegou em uma noite o eclipse
Quando todos esperavam mais um amanhecer

Confundiu os astros e mudou o curso do dia
Dezenove anos
Ainda escurece os dias que eram do Sol
Tua sombra ofusca e jamais se converte em luz

Por que eclipse? Por que não crepúsculo ou lua cheia?
Eclipse não fica tanto quando deve ficar
Não está onde é seu lugar
Faz com que a lua deteste o mar

Lunar, nunca solar
Um dia sumirá
E seu sumiço catártico fará todas as epifanias se destacarem
E a Lua voltará ao Mar

Quando o Eclipse se for, não peça que volte
Não inveje o evento incomum depois de extinto
Não peça por sua existência quando já tarde for
O Eclipse, talvez hoje, já se acabou

Se realmente o amasse, não entraria em casa quando ele chega
Não só pela janela, o encontraria na noite, onde o ecplise é si mesmo por inteiro

Cacos de vidro refletem suas marcas de desgosto
Seus rompimentos espontâneos se alastram e irritam a gente

Claramente incapaz de consertar suas próprias falhas, encontra no vazio uma fatídica solução
Partir-se até eventualmente não se ser mais capaz de distinguir a própria forma

Assim agrada aos eufóricos
Montando um belo espetáculo ao quebrar-se pela última vez

Carta aberta para toda história que talvez eu nunca escrevaOnde histórias criam vida. Descubra agora