"Eu te amo,Cecilia."

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        Acordo meio desnorteada e com uma dor de cabeça terrível, sei que deve ser tarde, mas continuo deitada e não faço questão de pegar meu telefone.

—Eu amo essa sua tatuagem.—Charles diz com a voz rouca, enquanto passa o dedo em torno da minha tatuagem na área da lombar nua.Um arrepio percorre meu corpo.
—Ah,é?—Me viro para olhar nos olhos dele.
—Muito...—Ele me puxa para mais perto dele e me abraça.
—É a sua preferida?
—Ah,não.Não mesmo.
—Então qual é a sua favorita?—Charles rapidamente me puxa para cima dele e coloca sentada, segurando minha cintura.
—Acho que essa aqui...—Ele diz enquanto sobe com seu dedo indicador e o do meio até a lateral do meu peito e para bem aonde está escrito "Made in Brasil".
—Também é a minha favorita.
—Ah,é?—O moreno começa a me fazer cócegas e eu retribuo.

Charles mesmo morrendo de rir ainda estava resistente, enquanto parecia que a qualquer momento eu morreria por falta de ar.l

—Charles pelo amor de Deus!—Imploro em meio a risadas, mas o monegasco continua a me fazer cócegas.—Chega,por favor!—Eu já estava chorando de tanto rir, literalmente.
—Ceci você 'tá chorando?—O morendo surpreso para com as cócegas mas continua rindo, e então é a vez dele de chorar.
—Você também.

E lá estávamos novamente, rindo tanto que nossas barrigas doíam e olhos lacrimejados, e com certeza é uma das melhores sensações do mundo. Aqui e agora com Charles, as coisas pareciam mais leves, a vida ao nosso redor parecia não ter importância.

—Eu te amo.—Charles diz em meio as risadas e eu levo um tempo pra entender.
—O quê?—Antes que eu pudesse responder alguma coisa ele me beijou, e naquele momento eu me toquei da realidade.

Me toquei do que estava acontecendo e eu não posso continuar vivendo dessa forma, eu não posso fazer isso e não me sinto bem fazendo.Por mais que uma parte de mim quisesse tentar e por mais que doesse, nós não daríamos certo.

—Que foi?—Não retribuí o beijo, então Charles parou.—Ceci, você 'tá bem?—Ele provavelmente conseguiu ler alguma entrelinha em meu rosto.
—Eu sinto muito.
—Sente muito pelo o quê?—Ele agora está com uma expressão confusa.
—Eu não posso fazer isso.—A ficha então caiu pra ele.
—Mas não estaria nem disposta a tentar?
—Não...—É o que sai da minha boca, enquanto em minha cabeça eu gostaria de dizer milhares de outras coisas.
—Mas...Eu te amo.
—Sinto muito Charles,mas eu não...Eu não te amo.—Uma dor invade meu peito ao ver a expressão vazia que tomou o rosto de Charles.
—Ei, não fale assim...
—E...Mesmo que eu te amasse, você ainda namora a Charlotte e...
—Nós terminamos.—Ele me interrompe.
—O quê? Quando?
—Terça...Viu, isso não é mais um problema.—Ele diz como se não fosse nada e me abraça, mas eu me afasto.
—Não,Charles...—Saio de cima dele.—Vocês ainda têm que conversar pessoalmente, não existe término assim.
—Mas estamos bem, ela levou numa boa. Não é por isso que não podemos tentar...—Ele tenta se aproximar, mas eu saio da cama.
—Charles...Por mais que me doa dizer, o que eu menos quero nesse mundo é entrar em um relacionamento sério com você. Pelo menos não dessa forma Percy.—Como não me interrompe, me sinto livre para continuar.—Eu não quero terminar como todas as outras, eu não quero ser mais uma.
—E você não é...Eu sei que você não é.Eu te amo,Cecilia. Me dá pelo menos uma chance...
—Uma chance? Uma chance para o quê? Pra gente começar um relacionamento com boatos de traição?
—Não é traição.
—Não vai ser o que os tabloides, páginas de fofoca, seus fãs ou seja lá quem irão dizer...
—Essas pessoas não sabem nem metade da verdade, Ceci.
—Mas eu sei Charles! Eu sei...Aconteceu com a Giada, agora com a Charlotte, o que vai te impedir de eu ser a próxima hein?—Nesse momento percebi que minhas bochechas queimavam por conta das lágrimas que eu nem que estavam caindo.Um silêncio se instalou no quarto.
—Então é isso que você pensa sobre mim?—Os olhos deles estavam marejados e foi como se eu tivesse levado um tiro no peito.—Que eu sou um babaca?Que eu não consigo amar uma mulher e mantê-la ao meu lado por muito tempo? Que...—Nesse momento minha visão já estava completamente turva pelas lágrimas e Charles já estava chorando também.
—Charles,para. Não é isso!Eu não acho isso, é só que...
—Que eu não conseguiria mudar pela mulher que eu amo? Que...eu sou tão escroto que consegui perder o amor da minha vida?—A voz dele estava falhando e se eu não estivesse prestando atenção não ouviria a última frase.

Um silêncio assustador ter preenchido o quarto se não fosse pelos meus soluços.O que eu mais queria era sair desse quarto, correr para um lugar bem longe daqui, escutar Taylor Swift e...Chorar.

—Foi o que eu pensei.—Charles quebra o silêncio e se levanta da cama.—Sinto muito por ter criado essa imagem...—Ele diz enquanto coloca um calção já que estava completamente nu, e me entrega minha calcinha e uma blusa dele que tem o dobro do meu tamanho.—Eu também sinto muito, do fundo do meu coração, que as coisas terminaram assim...E espero de verdade, que algum dia ou em outra vida, as coisas possam ser diferentes.
—Um dia serão...—Termino de me vestir e o abraço.—Sinto muito por não conseguir te amar da mesma maneira.


Nenhum de nós se atreveu a se afastar e nos apertamos ainda mais, a sensação era como se nenhum de nós quiséssemos perder nosso bem mais precioso, ele não queria me perder e eu não queria perdê-lo, nós dois ainda chorávamos.
Esse abraço parecia como se fosse nosso último, eu sentia que era o último,mas nós iríamos ser amigos ainda...Não seríamos? Charles era meu melhor amigo, na verdade ainda é, não seria isso que nos separaria...Seria?

—Da Lua até Saturno...
—De Saturno até a Lua.—Respondi em meio ao choro e Charles beijou minha testa.

Quando bati a porta do quarto atrás de mim, meu mundo desabou e eu não conseguia mais segurar o choro. Saí correndo em direção ao meu quarto, um pouco antes do meu quarto me esbarrei com Pierre.

Bonjour Ce...—Estava abrindo a porta de seu quarto e parou a frase assim que viu minha situação.—Vem cá,entra.—Ele pegou a minha mão e me levou para dentro do quarto.

        Ele me colocou na beira da cama e pegou uma garrafinha de água para mim no frigobar, me entregou o copo e se ajoelhou no chão para ficarmos cara a cara.

—Ei, não fica assim...O que quer que Charles tenha dito, não é verdade.Ele vai...
—Não foi ele.—Eu o interrompo, não precisei contar à ele, Pierre sabia e eu estou grata por ter alguém para desabafar.—O problema sou eu.—E lá estava eu chorando novamente.
—Não.Nunca vai ser você o problema.

     Pierre pegou a minha mão que não estava com a garrafa e a acariciou.Não sabia que estava tremendo até ele me tocar.

—Não é o que algumas pessoas pensam.—Dei um gole na água,já não estava mais tremendo, talvez seja por causa do francês que segurava minha mão.
—Elas que se fodam.Você é a pessoa mais maravilhosa e incrível que eu conheço!—Ele se sentou no meu lado e me abraçou, eu o apertei e poderia ficar ali até todos meus problemas se resolverem.

        Depois de longos minutos, eu finalmente me recompus e parei de chorar, mas mesmo assim continuei abraçando-o com meu rosto em seu pescoço. Aqui e agora, sinto que posso confiar em Pierre, seja para desabar ou rir por qualquer coisa boba, e sou extremamente grata à isso.

Merci beaucoup.—Agradeço, e talvez ele possa nem entender, mas assentiu e beijou minha cabeça.

High Infidelity (Formula 1 Story)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora