Personificações

270 35 19
                                        

Me sentei em uma das cabeceiras da longa mesa de madeira polida de aspecto rustico e monárquico a qual nem caberia na minha singela e simples cabana que morava. A minha volta se despunham umas 15 a 20 pessoas muito bem arrumadas como se tivessem passado horas afinco se arrumando e ornamentando para esse evento em particular... 

Bom, eu tomei banho.

Estava ansioso pensando que aquelas pessoas estivessem esperando um pronunciamento meu, ou algo do tipo. Mas não sou bom em falar em público, por isso agradeci mentalmente quando banquete logo começou, e um a um dos presente se serviu com as comidas e bebidas que seu desejo buscava nessa noite, se entretendo com isso e me deixando na invisibilidade tranquilizadora. 

Alguns conversavam despreocupadamente entre si, como uma família disfuncional e diversa, mas com carinho e proximidade nítidos em cada gesto e nuance. A interação entre eles havia niveis, alguns tinham mais afinidades ou até mesmo amor, maior por alguns do que por outros, todavia, era nítido que tinham um propósito em comum, e uma vida compartilhada juntos. 

Apenas eu era o forasteiro dessas terras, e esse sentimento começou a se plantar na minha mente. 

Despercebidamente e com o intuito de mudar o rumo dos meus pensamentos, comecei a notar também que cada um dos presentes possuía algo de fantástico, sobrenatural e próprio em sua aparência física, ou modo de agir. 

Um cara era tão alto e grande que mal parecia humano. Uma menina tinha a pele tão branca que a cada luz que tocava nela, a pele cintilava como se ela fosse uma fada da luz. Outra tinha o cabelo tão laranja que as vezes ondas de fogo brotavam e cessavam em suas mechas. Uma garota mexia tão rápido em um pergaminho que nem piscava. Outra era tão bonita que eu podia me perder em suas nuances e lhe conceder qualquer coisa que ela pedisse. Outro menino fazia barulhos estranhos que eu podia jurar que pareciam com um leão. Um perto de Draco parecia se misturar com as sombras da sala, sendo visível e invisível aos meus olhos ao mesmo tempo.

E assim continuava com cada um dos presentes. 

Me servi da primeira coisa que vi em minha frente e tentei comer o mais civilizadamente possível tentando parecer habituado com o fato de estar sentado e jantando no meio de tantas pessoas mágicas. Como se fosse rotina eu dividir o pão com alguém que meche o nariz que nem um rato, ou pedir a um menino de olhos vermelhos para me passar o molho... 

Mas algo que certamente tinha o potencial de me distrair dessa minha atual situação era a comida. 

Muitas coisas tinham gostos novos e peculiares que me chamavam a atenção como se eu simplesmente precisasse comer cada vez mais daquela iguaria. Mesmo assim, me mantive no controle o máximo possível para não parecer um animal devorando a comida como se ansiasse tampar um buraco se fundo em seu ser.

Mesmo que eu tivesse um buraco sem fundo em meu ser devido a fome persistente de anos...

Os olhares momentâneos das figuras não humanas sobre mim me ajudavam a me distrair desse fator. 

Creio que alguns queriam iniciar um dialogo comigo, mas estavam cautelosos, ou era isso que aparentavam. Alguns apenas me olhavam como se eu não devesse estar aqui, e isso me incomodava um pouco. Mas nenhum olhar se comparava com o diretamente a minha frente.

A alguns metros do outro lado da mesa, Draco continuava a me encarar sem descanso do outro lado da mesa, sentado despojadamente com os pés em cima da mesa e brincando com uma taça de champanhe nas mãos, aparentemente sem a menor pretensão de leva-la aos lábios. 

O olhar dele sob mim me dava calafrios estranhos pelo corpo, como se fosse eletricidade pura bem na minha interface neural. Era inegável que um ima quase que tangível me puxava para ele, meus olhos para as suas penetrantes orbes azuis que transmitiam a seguinte mensagem a qual só eu podia decifar: 

Arcádia/ DrarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora