No minuto seguinte ao barulho avassalador, Draco estava a correr pela colina em direção ao castelo, rápido e determinado como nunca.
Como se precisasse sobreviver à qualquer custo...
Eu, por outro lado, fiquei paralisado por um momento. Era como se eu fosse constituído apenas de gelo. Um gelo denso que me imobilizou no lugar e esfriou todo o calor que eu sentia. Esfriou toda aquela sensação boa e acolhedora de estar nos braços de Draco Malfoy, de beijar seus lábios e saber que sou forte ao seu lado.
Não, estava tudo congelado ao ponto que Draco teve que me gritar duas vezes antes que um sinal de alerta soasse na minha mente me liberando do gelo e me fazendo correr ao seu encontro.
Corri como se não houvesse amanhã, minhas pernas doíam, meus pés pisaram em falso uma duas ou três vezes mandando uma dor radiar pelos meus músculos do tornozelo até meus joelhos, o ar faltava em meus pulmões e eu sentia adrenalina correndo nas minhas veias bombeada por um coração acelerado e completamente desesperado.
Mesmo assim, não ousei diminuir a velocidade, não ousei pedir desculpa para as fadinhas ou gnomos que atropelava no caminho e não ousei parar para retomar fôlego ou questionar para onde íamos, apenas corri e adentrei nos portões do castelo logo atrás de Draco.
Contudo, não pude continuar correndo quando olhei para o imenso e glamoroso salão principal da estrutura. Cada mísero espaço do lugar havia sido preenchido por criaturas mágicas, algumas conhecidas outras não, mas todas que faziam de Arcádia seu lar. Algumas pareciam desesperadas, outras determinadas, mas todas tinham algo em comum:
Todas estavam me olhando encantadas, para mim e para Draco como se esperassem nossas ordens ou uma linha de pensamento a seguir.
Eu não fazia ideia do que fazer, mas andei confiante junto com o príncipe deles. Li uma vez que ser da realeza não tem muito haver com sangue, e sim com postura. Um nobre sempre age como se estivesse no controle, como se soubesse o que fazia e não deseja ser questionado, portanto.
Um nobre precisa de convicção, não para si, mas para transmitir aos outros.
Por isso me obriguei a ficar firme e esguio enquanto andava. Os seres abriam espaço para nós passarmos, alguns fazendo reverencias outros não, mas todos com respeito. E foi assim que andamos até os pés da escada, onde jazia o resto das personificações, todas com armaduras ou vestes apropriadas.
Um luxo que, se não fosse em um momento trágico como esse, seria algo que prenderia completamente minha atenção.
- O que... o que está acontecendo? - Perguntei baixo e ligeiramente temeroso para elas.
- Ataques as nossas fronteiras. Não apenas de Arcádia, mas de toda a nossa estrutura. - Remus disse apreçado, sua mão estava bem entrelaçada com a de Sirius, como se eles precisassem dum do outro para essa situação.
Quase cedi ao impulso de pedir para que Draco me desse a mão também, em vez disso, apenas cruzei os braços em volta de mim mesmo e olhei para Malfoy.
Ele sim parecia saber o que fazer.
Ao perceber meu olhar, Draco se inclinou e beijou minha testa enquanto sua mão fazia um breve carinho na minha bochecha. Foi um toque leve e singelo, completamente diferente do beijo que havíamos acabado de ter, no entanto, pareceu tão precioso quanto.
- Vai ficar tudo bem - Ele sussurrou contra minha pele antes de se afastar, subindo alguns degraus para que todos do salão vessem sua figura. E, no momento seguinte, todos os presentes ficaram em silencio.
Tal silencio acentuou ainda mais os sons da tempestade lá fora, me fazendo tremer ligeiramente quando um trovão ressoou perturbando o equilíbrio harmônico de Arcádia.
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Arcádia/ Drarry
Fanfiction" - Carpe diem Harry - Draco disse mais uma vez beijando minha testa, tocando aqueles lábios macios na minha pele e aquele hálito que sempre me lembra menta e lar me alcançou. - Só consigo quando estou aqui, a seu lado em Arcádia - Admito suspir...
